23 de junho de 2014 | Cinema & TV | Texto: , and | Ilustração:
Resenha: A Culpa É Das Estrelas

ACulpaeDasEstrelas-JordanaAndrade

Ilustração Jordana Andrade

Introdução de Natasha Ferla. Colaboração Beatriz Trevisan e Luiza Vilela

[AVISO: RESENHAS CONTÊM SPOILERS]

É difícil, que você leitora não tenha ouvido falar do livro (e agora filme) A Culpa É Das Estrelas (The Fault in our Stars)! O romance de John Green mostra o relacionamento de dois adolescentes que sofrem de câncer.

Hazel é uma jovem de 16 anos que sofre de câncer na tireóide e, graças a uma droga nova, está estabilizada. Sua mãe insiste que a filha vá a uma reunião de um grupo de apoio de jovens com câncer. Lá ela conhece Augustus – ou Gus, um jovem jogador de basquete que perdeu uma perna para o osteosarcoma. Hazel é contagiada por Augustus, que vê o mundo e as coisas ao redor dela de maneira super otimista.

Lançado em 2012, a jornada de Hazel em seu primeiro relacionamento foi um sucesso enorme. Hollywood não podia ficar de fora e esse mês foi lançado a adaptação para os cinemas, estrelando Shailene Woodley, como a protagonista Hazel e Ansel Elgort, como Augustus.

A Luiza e a Beatriz assistiram o filme e deixam suas impressões:

A culpa é das estrelas – Luiza Vilela

E eis que finalmente estreou! Vou confessar que levei mais tempo do que deveria pra ler o A culpa é das estrelas; não porque eu tenha algum tipo de preconceito com ficção young adult (ficção para jovens adultos, em tradução livre), mas porque sabia que era sobre adolescentes com câncer e isso me soava apelativo em vários níveis. Eu também não tinha lido nada do John Green, e às vezes o hype me incomoda. Mas aí minha chefe foi passar uns dias em NY e chegou no escritório com o livro no original, e eu não resisti. Faço um esforço pra ler literatura contemporânea no original, já que trabalho com isso, e acho que principalmente quando se trata de young adult, as nossas editoras ainda precisam avançar um bocado na questão da tradução. Fica sempre tudo muito empoado ou muito infantilizado, quase nunca no ponto. Enfim. Catei o livro, fui pra casa e pã: me apaixonei. Não é um livro sobre crianças com câncer, é um livro sobre primeiro amor, sobre as durezas da adolescência. E sim, há pessoas jovens com câncer, mas em nenhum momento isso as define. E está aí o brilhantismo da coisa toda. Isso e o fato de que o John Green escreve diálogos bem pra caramba. Fora que há toda uma segunda camada no livro, para além da história linda e emocionante. É como se o autor fosse inserindo camadas de complexidade pra quem quiser e conseguir pescar – toda a história deles com o autor do livro preferido da Hazel é tipo uma introdução à teoria da literatura, e eu achei isso muito bacana. Daí tem o filme. Gente, que casting! Não só dos dois pombinhos principais, que são maravilhosos (a expressão do Ensel Elgort, do momento em que eles chegam em Amsterdã pra frente, muda de um jeito tão espetacular que chega a doer, e a Shay parece que nasceu para ser a Hazel). Enfim, a trilha é linda, os coadjuvantes são incríveis e eu achei que todas as cenas mais importantes do livro ficaram lindas na telona, à exceção de uma: o beijo dentro do Anne Frank Museum. E vou explicar: pra começar, achei longa e sofrida demais a subida até o sotão – uma coisa meio Rocky Balboa, sabe? Muito drama. E segundo porque, como eu disse num texto sobre relação com a família aqui na Capitô, eu achei lindo que esse beijo tivesse acontecido depois de um vídeo em que o pai da Anne Frank fala sobre a questão de nunca conhecermos de fato os nossos filhos. Faz sentido e é lindo porque aquele é o momento em que a Hazel percebe o quanto ela precisa se deixar amar por uma pessoa que não os seus pais. E aí no filme isso não rola. Mas é coisa pequena. E o filme ainda tem uma cena maravilhosa e hilária que não rola no livro, mas vou me abster de descrever pra quem ainda não leu/assistiu. É emocionante, gente, e de minha parte está recomendadíssimo. Coloca tudo em perspectiva, sabe? Já diria o Los Hermanos: “ter fé e ver coragem no amor” <3.

A culpa é das estrelas – Beatriz Trevisan

Quando eu li o livro A culpa é das estrelas, estava fazendo uma viagem. Passei o dia lendo no carro, estava viajando para pegar um avião, e, quando sentei no avião, estava naquela parte final, que você que leu ou viu o filme sabe qual é. Eu chorei durante 20 minutos até terminar o livro, com todo mundo olhando pra mim (provavelmente achando que eu estava com medo de voar – e eu estava, mas não era por isso que estava chorando). Chorar em público por um livro: quem nunca fez, um dia fará, né?

Só que no fim do filme isso não aconteceu. Não é que eu não tenha gostado, gostei muito! Achei o filme muito fiel e o jeito que eles fizeram as conversas por SMS ficou muito engraçadinho. Mas eu não consegui sentir tanto. Não sei se é porque eu já sabia o que ia acontecer, ou porque eu estava tanto na expectativa de chorar que acabei não chorando. Mas o que eu acho que aconteceu foi que, no livro, eu mergulhei mais. Por demorar mais tempo para ler do que para ver um filme, eu acabei me envolvendo mais. Eu criei o Gus e eu criei a Hazel do jeito que eu queria e de um jeito que acabou me apaixonando mais do que o Gus e a Hazel do filme. Às vezes os personagens dos filmes superam muito aquilo que a gente imaginou ao ler né? Bom, comigo, dessa vez, não foi assim. Acho que eu estava muito apaixonada pelo Gus da minha cabeça (ele era tão lindo!).

O que me encantou na história foi a identificação que eu acho que a maioria das pessoas pode sentir. Embora poucos adolescentes tenham de enfrentar um câncer tão novos, o câncer não é o foco, é um obstáculo que a Hazel e o Gus têm que enfrentar para ficarem juntos pelo tempo que puderem. Sinto que o câncer era, sim, um modo de o autor falar sobre o sofrimento de ter que passar por isso e estar em volta de pessoas passando por isso, mas também poderia ser entendido como aquilo que acabaria com qualquer amor – no caso, o primeiro amor. Desse modo, ele disse, “ei, seu amor, principalmente seu amor adolescente, pode acabar e pode acabar de um jeito trágico; pode acabar de um modo que você não esperava (já que a expectativa era que quem morresse fosse a Hazel e não o Gus), mas ele vai deixar uma marca e ser importante para você”.

Eu gostei muito dos atores. Achei que a Shailene, a menina que fez a Hazel, combinou muito com o papel. Eu só imaginava ela mais seca, achei ela excessivamente fofa no filme. Fiquei meio triste na cena com o autor favorito deles, porque eu queria que ela chegasse lá e gritasse e quebrasse tudo e!!!! …e no fim achei que ela foi meio morna! Queria uma Hazel mais badass. O Ansel, que fez o Gus (e que me deixou muito triste quando eu descobri que ele é mais novo que eu, tô ficando velha), entrou muito no papel. A naturalidade com que ele fala da perna mecânica, por exemplo, me pareceu bem maior no filme do que no livro (ou pelo menos do que na minha imaginação) e isso me impressionou muito, o jeito como ele construiu isso. Parece que ele totalmente incorporou o próprio Augustus Waters. Todas aquelas piadinhas que ele fazia, se me dissessem que não estavam no texto do ator e que ele improvisou eu acreditaria, de tão natural que pareceu. Mas o destaque de verdade para mim foi o Isaac (interpretado pelo Nat Wolff, também mais novo que eu 🙁 ). Achei ele muito bom, bem melhor que o que eu imaginava no livro (o que foi aquela cena dele quebrando os troféus?!)! Eu imaginava no livro ele igual àquele loirinho de óculos daquele desenho Hora do Recreio (mais alguém aí é uma criança dos anos 90?). E imaginava o Gus muito mais do jeito que é o Isaac do filme. Me surpreendeu bastante e adorei.

De longe, a cena mais emocionante de todas para mim foi aquela em que a Hazel e o Isaac encontram o Gus para fazer para ele o discurso que tinham preparado para o funeral dele. A Hazel estava incrível, muito muito incrível. Achei que os dois combinaram tanto. Funcionou muito bem pra mim.

No mais, eu acho que curti mais o livro, e super indicaria para alguém que não leu ainda!, mas conheço gente que preferiu o filme. É que o filme é muito bom também e bem fiel. Ouvi dizer que o John Green, autor do livro, está orgulhoso! 🙂

E vocês, o que acharam do filme?

 

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

Luiza S. Vilela
  • Coordenadora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Esportes
  • Revisora

Luiza S. Vilela tem 28 anos e mora no Rio, mas antes disso nasceu em São Paulo, foi criada em Vitória e viveu uma história de amor com Leeds, na Inglaterra, e outra com Providence, no Estados Unidos. Fez graduação em Letras na PUC-Rio e mestrado em Literatura e Contemporaneidade na mesma instituição. É escritora, tradutora, produtora editorial e acredita no poder da literatura acima de todas as coisas.

  • Ana Nogueira

    eu acho a história muito interessante tanto é que fala da doença,mas a história é de romance e também os livros de John Green são muito legais!!
    :*

  • Jordana Beneventana

    Realmente, foi o melhor romance que eu já li !

  • joao victor paes albino

    deve sertiste

  • brenda-sonneborn@hotmail.com

    eu adorei ver o filme é bem interessante e meio triste mas não chorei
    e ainda não tive oportunidade de ler o livre mas pretendo ler.

  • Emanuelle Menezes

    Eu amei o livro e o filme,senti falta de algumas coisas que tinha no livro,que eu pelo menos acharia essencial ter no filme,mas em fim.Não sou muito chegada a ler livros,pelo incrivel que pareça foi o primeiro livro que me interessei a ler, esse belo romance me chamou atenção,muito incrivel gostaria de parabenizar o John Green,acredito que esse agradecimento sera pessoalmente,simplismente impossivel mas e um sonho meu!!Esse romance mudou minha vida.Odeio essas pessoas que vem aqui apenas para criticar um belo romance!!

    • ribeiro

      O livro é sempre mais interessante e envolvente que o filme,possui
      mais riqueza de detalhes sem falar no quanto nossa imaginação navega na
      historia. o filme é mais resumido e perde muito detalhe mesmo,isso
      acontece em outras obras tb.

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  • roberta fernada blanco

    gostaria de ter alguma chanse de poder ler o livro mesmo assim eu assiti o filme… mas ja que o filme era da quele jeito o livro deve ser bom , eu gostaria que ele tivesse melhorado o filme sei que john green e um bom diretor para filmes de romancee….

  • baba

    Concordo com a Beatriz o livro foi muito melhor do que o filme porcausa dos personagens que agente cria na própria cabeça, e fica estranho pois já sabemos o que vai acontecer no final – perfeito o filme mais o livro tem muito mais detalhes afinal ? perfeito

  • A galinha pintadiiiiinhaaa…

    Na verdade, AMEI o livro, mas o filme me decepcionou um pouco. Mas quem estiver com preguiça de ler o livro, pode ver o filme e talvez queira ler também.

  • Ana

    Ele é tão perfeito, confesso que eu chorei quando vi o filme, ainda não li o livro, mas pelo jeito que as pessoas falam, dever ser ótimoooo também, é muito emocionante,lindo e triste o filme, dois jovens com câncer, que se apaixonam de verdade, um amor verdadeiro ! Amei demais, pra quem ainda não viu, SUPER RECOMENDO !

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  • Débora

    Eu me apaixonei pelo romance, para provar o li duas vezes e assisti o filme.. confesso que no filme houve ausência de muitos momentos e frases não ditas. Mas mexeu comigo, pude ver que o pequeno infinito que eles tiveram foram o suficiente para um deixar sua marca na vida do outro. Enfim eu poderia escrever a minha resenha aqui até amanhã, mas recomendo a leitura. Débora

    • Eloa

      Adoro resenhas

  • gleyce kelly

    achei muito bom e tam bem e muito lindo o filme

  • Ana Julya Campagnolli

    O zeentih alguém sabe uma musica que tem haver com o Livro?????/

  • Brenda

    chorei horrores lendo o livro, amei muito li dois livros de John Green e sinceramente me apaixonei por sua capacidade de fazer pessoas chorarem lendo. Quando estava lendo o livro imaginei cada cena. nunca assisti mas pretendo em breve. Muitoo Perfeito!

  • Alana

    Acabei de fazer um blog sobre resenhas, gostaria que vocês dessem uma olhada quando poder !!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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