16 de março de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Beatriz Leite
Resenha: How to Get Away With Murder

Para mim, não houve surpresa maior (e descoberta melhor) no ano passado do que o drama novo da Shonda Rhimes (produtora de outras séries de sucesso como Scandal (2012) e Grey’s Anatomy (2005)) para a ABC, How to Get Away with Murder (2014).

Tida como uma das séries mais progressistas da televisão atual, ela acompanha a vida de Annalise Keating (interpretada pela maravilhosa suprema Viola Davis), professora de direito criminal na Middleton University e advogada de sucesso, conhecida pela sua disposição a fazer de tudo para ganhar um caso, e de seu grupo seleto de estudantes escolhidos para trabalhar em sua firma, que competem por um troféu que poderá os livrar de qualquer prova aplicada por sua professora.

A princípio, quem nos guia pelo campus é Wes Gibbins, um aluno que chega à universidade um tanto quanto perdido, mas que acaba sendo um dos escolhidos de Annalise. Logo no primeiro episódio, somos informados de que Lila Stangard, uma estudante de psicologia da mesma universidade, está desaparecida – e esse é o caso que desencadeará (e conectará) todos os eventos do enredo central da temporada.

Como qualquer boa série de courtroom americana, cada episódio foca em um determinado cliente que Annalise, seu Keating Five e seus sócios precisam arranjar uma maneira de inocentar. Entretanto, o time de alunos (e, mais tarde, a própria professora) acaba se envolvendo em um caso de assassinato – que é explicado aos poucos a cada episódio – e precisa provar a própria inocência. Nesse momento de tensão, as diferenças (e semelhanças) entre os integrantes do grupo ficam ainda mais evidentes, e é um espetáculo por si só observar como o peso de um crime hediondo impacta a vida de cada um deles, mudando seus jeitos de pensar e agir e criando entre eles uma ligação inevitável. A atuação brilhante por parte de todo o elenco – e eu juro que não estou exagerando ao dizer isso – faz com que a dinâmica entre Wes, Connor, Michaela, Asher (que é o único que não sabe de nada sobre o ocorrido) e Laurel seja uma das coisas mais fascinantes da série.

O elenco é composto por atores fantásticos (incluindo o antigo ator de Harry Potter, Alfred Enoch), sendo três dos protagonistas negros e uma mexicana. Ao retratar personagens homossexuais tridimensionais e constantemente abordando assuntos considerados “polêmicos” como estupro e racismo, de um ponto de vista responsável e livre de tabus, além de mostrar diversas cenas “íntimas” da vida de mulheres negras (como a famosa e já icônica cena em que Viola Davis remove a sua maquiagem e peruca), HTGAWM se diferencia positivamente da grande maioria das séries de televisão atuais. O criador da série, Peter Norwalk, atribui a diversidade do programa à coisa mais óbvia de todas, mas com que nem todos se preocupam: uma equipe de autores igualmente diversa.

Como disse Richard Lawson, em uma matéria sobre a série para a revista americana Vanity Fair: “Ver uma mulher negra comandar todas as cenas e ser o destaque de uma série não devia ser tão revolucionário quanto é, considerando que estamos em 2014, mas, bem, é.” Annalise Keating é forte, inteligente, manipuladora e implacável, mas também é sensual e está longe de ser imune a impulsos emocionais – e ela tem, sim, permissão para ser tudo isso de uma só vez. Annalise também é a personagem que garantiu diversas nominações (e uma vitória no SAG awards) de melhor atriz a Viola Davis só pelos nove (dos quinze da primeira temporada) episódios que foram transmitidos no ano passado.

Se você estiver a fim de assistir a uma série que é praticamente uma aula de representatividade, com uma trama rica sobre assassinato e sexo e personagens complexas – ou se você simplesmente gostou muito do livro The Secret History, da Donna Tartt, assim como eu –, How to Get Away with Murder vai te deixar preso no sofá numa maratona de, pelo menos, quatro episódios por dia.

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

  • fresh prince of zl

    essa série <3

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