21 de dezembro de 2015 | Cinema & TV, Colunas, Se Liga | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Resenha: Star Wars VII: O Despertar da força

Preciso começar esse texto dizendo que eu sou uma pessoa completamente contra spoilers, odeio eles em qualquer nível e realmente queria fazer uma resenha 100% sem spoilers, porém isso não será possível desta vez. Star Wars VII: O Despertar da força (Star Wars: The Force Awakens, 2015) veio aos cinemas com uma trama desconhecida ao público, o trailer só mostrou o básico do básico para influenciar-nos a ir no cinema assisti-lo. E, convenhamos, mesmo se colocasse só o logo com o tema de John Williams ao fundo por três minutos como trailer, a gente já ficaria morrendo de vontade de ver pelo simples fato de ser um novo filme de Star Wars. Portanto, vou falar o básico e tecer pequenos comentários extras sobre o filme que eu só vi uma vez até agora, mas já considero meu segundo favorito (atrás apenas do episódio V, O Império contra-ataca (Star Wars: The Empire Strikes Back, 1980), mesmo assim, nem tão atrás assim) de toda a saga.

Há algumas semanas, quando começaram a vender os ingressos pro episódio VII, eu percebi que estaria viajando na época, com alguns amigos que também eram mega fãs de Star Wars. Resolvemos comprar a pré-estreia na cidade onde estaríamos e parar nossa viagem durante uma noite para apreciar essa maravilha que é ver nossa saga favorita nas telonas. 23h30 chegamos no cinema, esperando encontrar apenas filas para pipoca e afins e, por sorte, não foi só com isso que nos deparamos. Nós esbarramos com muitos Obi-wans; muitos Lukes; algumas Leias; um menino vestido de Leia; um Darth Maul com maquiagem completa, da pele vermelha aos chifres na cabeça, levando em suas costas uma mochila de Yoda, como nas cenas em que o Luke leva ele nas costas para cima e para baixo; muitas pessoas com sabres de luz; e, como eu e meus amigos, usando blusas e casacos temáticos do filme.

Nunca me senti tão inserida no universo de Star Wars como na noite de estreia desse filme. Toda a antecipação ao redor da tão esperada continuação da trilogia clássica, o primeiro lançamento de um filme da saga em dez anos (sendo o último em 2005 com A Vingança dos Sith (Star Wars: The Revenge of the Sith) e trinta e dois anos desde a estreia do último filme na ordem cronológica da saga (O Retorno de Jedi (Star Wars: Return of the Jedi), de 1983). Acho que a expectativa toda em volta dessa nova história fez com que o lançamento desse filme fosse tão especial assim. A continuação da melhor história, com os efeitos especiais de hoje, com o pensamento que temos hoje, acho que todos pensavam: como será que vai ser?

Bom, na minha opinião, foi perfeito. Essa nova trilogia começa com um grupo muito bem selecionado de novos protagonistas. Temos Finn (John Boyega), um stormtrooper que percebe que seu trabalho não é lá muito bem intencionado (minimamente falando) e resolve se rebelar contra a Primeira Ordem e resgatar… Poe Dameron (Oscar Isaac), super piloto da resistência, pessoa de confiança da General Leia Organa (sim, sem mais princesa para nossa querida Leia), dono do lindinho BB-8, o dróide maravilhoso que acaba sendo encontrado por… nossa diva master blaster, Rey (Daisy Ridley).

Vou deixar a Rey ali quietinha, sem falar dela por enquanto. Se eu pudesse, esse texto ia ser só dela, porque ela merece.

Em vez disso, voltarei um pouco para John Boyega, que é o primeiro protagonista negro de Star Wars e mandou muito bem na atuação, calando a boca de muito hater aí que estava reclamando dele. Fez um ótimo time com Oscar Isaac nas cenas que trabalharam juntos, tem um timing de comédia ácida sensacional e ainda consegue passar todas as emoções do seu personagem de forma brilhante na tela. Oscar também foi outro ator muito bem escolhido pro seu papel, que vejo até como uma espécie de novo Han Solo com seus comentários sarcásticos quando em perigo. Além dos dois atores, o resto do elenco está impecável. Adam Driver, como Kylo Ren, nosso pseudo-novo Darth Vader, ainda vai dar muito o que falar nos próximos filmes com seu enredo (que eu não vou falar por motivos de spoiler master). O lindo do Domhnall Gleeson como General Hux, personagem de releitura inspirada em Hitler que posa como um dos líderes da Primeira Ordem. A deusa da Lupita Nyong’o, que mesmo dando vida a Maz Kanata, um personagem de computação gráfica, vem como uma espécie de novo Yoda. E Gwendoline Christie, como a Capitã Phasma, superior de Finn no exército de Stormtroopers.

Isso sem contar com a volta dos personagens da trilogia clássica. Han Solo (Harrison Ford) e Chewie (Peter Mayhew), dois colírios para os olhos dos amantes dos episódios IV, V e VI, General Leia (Carrie Fisher) que largou o título de princesa para continuar na resistência, fazendo sua parte contra o lado negro da força. Uma das coisas que eu mais amo sobre a Leia (e posso dizer a mesma coisa sobre a Padmé/Amidala) é que mesmo sendo princesa, ela faz sua parte nas batalhas e é uma personagem super forte. Mas ainda assim elas fazem jus a figura das mulheres em filmes, que em algum momento vão precisar de resgate. O que não acontece com a nossa maravilhosa Rey.

Rey é apresentada como uma caçadora de tesouros, no meio de um planeta super árido (que até me lembrou Tatooine), que se vira para conseguir dinheiro e comida enquanto espera por alguém que supostamente é sua família. Ao longo do filme podemos vê-la lutando, salvando outras pessoas, fazendo amizade com o fofo do BB-8 e, para alegria geral da população feminista, negando a ajuda de Finn e reclamando todas as vezes que ele puxa ela pela mão em uma fuga. Inclusive com olhares de “Bitch, please, não me toca, eu sei correr sozinha”.

A questão da representatividade nesse filme é super importante. Temos uma protagonista mulher, forte, independente, que não precisa em nenhum momento ser salva por um homem. Temos um negro, que desempenha um papel super importante na história. Além de toda a história do filme que pode muito bem ser empregada em diversos contextos políticos ao redor do mundo. É uma história real, com protagonistas de caráter bem real (mesmo que os poderes e tecnologias não sejam), com atores sensacionais dando vida a eles.

Se você ainda não viu o filme e não tava com vontade de ver, pelo amor da deusa! Mude sua opinião e faz que nem o BB-8 vá correndo já pro cinema!

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

  • http://caducando.wordpress.com McFly

    Muitos pontos positivos, mas não fiquei convencido da qualidade do filme enquanto obra, roteiro, visuais, sons. Achei preguiçoso. Talvez o filme se justifique como um exercício de inclusão, etc etc mas, pra mim, é apenas um filme mediano que tem como originalidade apenas sair do eixo meninos-brancos. Um excelente filme? Talvez. “Com certeza” apenas se comparado à Ameaça Fantasma. Se tiver curiosidade, escrevi algumas linhas também. http://caducando.com/2015/12/17/star-wars-o-despertar-da-forca-ou-da-preguica/

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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