16 de fevereiro de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
Resenha: A Teoria de Tudo

(The Theory of Everything, 2014. Biografia, Drama, Romance. Dirigido por James Marsh, adaptado por Anthony MacCarten, baseado no livro A Teoria de Tudo por Jane Hawking)

Lançado no Brasil no dia 29 de janeiro, A Teoria de tudo é uma biografia romantizada de um dos físicos mais conhecidos desta geração, o britânico Stephen Hawking, a relação com sua esposa Jane Hawking e a doença degenerativa que o afetou intensamente desde a juventude.

Após se conhecerem em uma festa da faculdade, Jane Wilde, estudante de Línguas Românicas, e Stephen iniciam um relacionamento que parecia impossível: ele, condenado à morte por sua doença, sobreviveria apenas alguns poucos anos. Mas o sentimento de invencibilidade de Stephen e a fé de Jane fizeram com que continuassem juntos independente das circunstâncias – fato do qual a esposa parece se arrepender um pouco ao decorrer do filme. Ainda que tenham tido três filhos juntos e um casamento de trinta anos, a negação de Hawking quanto à sua doença transformou a rotina de sua esposa em um desafio diário, o que, naturalmente, e junto com a personalidade irônica e mandona do físico, se refletiu na união entre o casal.

Esta é a segunda biografia já feita sobre a história dos dois, sendo a primeira chamada A História de Stephen Hawking, feita para a TV inglesa, com o físico interpretado por Benedict Cumberbatch. Já o filme de 2014 foi inspirado na obra literária de Jane Hawking, chamada Travelling to Infinity (Viajando ao infinito), e a sua versão cinematográfica, ainda que brilhantemente interpretada por Eddie Redmayne (Stephen Hawking) e Felicity Jones (Jane Hawking) – ambas interpretações dignas de todos os prêmios* concorridos e ganhados, incluindo 5 indicações ao Oscar** – apresenta uma tremenda infidelidade à obra original, sendo chamada de “um desserviço à memória de Jane Hawking” pela mídia britânica. O Stephen de Redmayne é brincalhão, irônico e bastante rebelde, uma imagem que foi aceita desde os primórdios da fama. Mas o Stephen da vida real, o Stephen teimoso, inconsequente e mandão, foi santificado pelo bem da obra cinematográfica – o que é compreensível, mas condenável.

O filme em si merece toda a ovação que está recebendo, tanto pela atuação, quanto pela direção e fotografia, mas deve se falar que a romantização do relacionamento conturbado e a falta de profundidade nas questões existenciais de Stephen incomodam bastante.

*O filme foi indicado a 81 (!) prêmios, sendo o ganhador de 22 deles, incluindo o de Melhor Performance em um Longa Metragem, pelo ator Eddie Redmayne, e melhor Trilha Sonora Original no Globo de Ouro, e Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado no Bafta Awards de 2015.

**A premiação dos Academy Awards, que decidirá quem irá levar o prêmio Oscar para casa, acontecerá no dia 22 de fevereiro de 2015. O filme A Teoria de tudo estará concorrendo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Principal, Melhor Atriz Principal, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora Original.

Nicole Ranieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
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Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

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