4 de maio de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Isadora Maldonato
Resenha: Tomates verdes fritos

Após o oscar desse ano, eu comecei a ver uns filmes que já ganharam ou foram indicados à premiação, mas que por algum motivo sempre ficaram esquecidos e ninguém mais os menciona em listas nenhumas. A partir dessa ideia, decidimos fazer um mês de maio temático, só com resenhas de filmes de clássicos esquecidos pela humanidade.
Nosso primeiro texto é de Tomates verdes fritos (Fried Green Tomatoes, 1991) pela Domenica Morvillo.

 

 

Eu não gosto de tomate, e cresci ouvindo meu tio dizer que ia fazer tomates verdes fritos para mim. Sempre levei na brincadeira, porque, sério, quem comeria uma coisa dessas? Mas aí descobri que esse era o nome de um filme! E que o prato “tomates verdes fritos” realmente existe, e é um prato típico do sul dos Estados Unidos. Ainda assim, um filme sobre tomates? Qual é! Mas não se deixe enganar pelo nome, pois trata-se de um ótimo filme e vou falar um pouquinho sobre ele.

O filme de 1991, dirigido por Jon Avnet, se passa em duas épocas diferentes. Começa nos anos 90 com Evelyn Couch (Kathy Bates), uma dona de casa insatisfeita com sua vida, indo visitar uma tia de seu marido no asilo. Lá ela conhece Ninny Threadgoode (Jessica Tandy), uma animada senhora que lhe conta a história das amigas Idgie (Mary Stuart Masterson) e Ruth (Mary-Louise Parker), passada nas décadas de 1920 e 1930. Idgie era tida como a “rebelde”, sempre dona de si. Já Ruth era mais “certinha” e quieta. Mesmo sendo completamente diferentes, as duas criaram um incrível laço de amizade.

Acompanhamos as duas histórias: a de Evelyn, que torna-se cada vez mais próxima de Ninny e se inspira em Idgie para mudar sua vida, e a de Idgie e Ruth, que abrem um café onde servem os famosos tomates verdes fritos e vivem como as mulheres independetes que são, não se importando com o que os outros dizem e tratando a todos de maneira igual, algo que é mal visto na pequena cidade de Whitle’s Stop e chega até a lhes causar problemas.

O filme é dramático, engraçado e emocionante e, além de mostrar um pouco da cultura do sul dos Estados Unidos, toca em diversos assuntos polêmicos, como a violência doméstica, o racismo e o machismo, de maneira sutil porém intensa e conta com personagens femininas muito fortes e inspiradoras.

Posso dizer que, depois de ter visto esse filme (e me emocionado muito), mesmo não gostando de tomates, estou louca para comer os tais tomates verdes fritos, não apenas por parecerem deliciosos, mas por darem nome a uma história com personagens tão marcantes.

Domenica Morvillo
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Cinema & TV & Música

Domenica tem 18 anos e mora no interior de São Paulo, de onde sempre foi louca para sair. Não sabe bem o que quer da vida e às vezes tem vontade de largar tudo e se mudar para Tóquio. Gosta muito de ler, escutar música e conversar.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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