21 de dezembro de 2014 | Estilo | Texto: | Ilustração:
Retrospectiva 2014: #tendências

 

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Já é fim de ano de novo, e chegou a hora de dar as mãos e encarar todas aquelas coisas meio ritualísticas desse período: os posts reclamões de “queanohorríveljávaitarde” nas redes sociais, as listinhas de resoluções, tudo ficando um pouquinho mais brega que o normal, o comercial da Globo e, claro, as retrospectivas. Ah, as retrospectivas! Nada como essas listas-balanço pra deixar a virada do ano com um pouco mais de gostinho de fim de mundo.

Assim, como veículo de comunicação respeitável que é, a Revista Capitolina que vos fala não pode deixar de lado essa tradição, então apresentamos aqui este pequeno apanhado dos hot topics do mundinho da moda nesse ano que termina:

 

Normcore

Lembra que a gente escreveu sobre isso aqui no distante mês de junho? Campeã absoluta das buscas fashion de 2014 no Google, a tendência foi a grande geradora de comoção do ano quando, de repente, O Negócio da moda atual passou a ser se vestir igual ao meu tio. Essa história toda conseguiu muitos seguidores e críticos ainda mais numerosos, e ainda levantou discussões filosóficas há muito tempo não vistas no mundo da moda: pra quem nos vestimos? O que é ser único? Precisamos mesmo ser floquinhos de neve diferentes e especiais o tempo inteiro?

Tendência tosca ou não, não dá pra negar que tivemos um ano bem menos Lady Gaga e bem mais moletom cinza.

 

R.I.P. Hipster

Como pouca gente ainda aguentava esses barbudinhos pretensiosos, a chegada do Normcore foi só a última pá de terra por cima do crédito descolado que essa galera ainda tinha, e tentar ser diferente pra mostrar que é melhor que todo mundo se tornou oficialmente cafona – ou pelo menos torcemos pra que sim. E é claro que a gente também escreveu sobre isso aqui.

 

Lupita Nyong’o

Rainha dos looks dos tapetes vermelhos, arrasou no papel de Patsey no longa “12 Anos de Escravidão”, pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante, e foi eleita a mulher mais bonita do mundo pela People, inspirando muitas meninas negras pelo mundo a conquistarem áreas onde não encontram representatividade e a acreditarem em outra noção de beleza fora daquele padrão fechado de pele branca e cabelo louro liso.

 

Terry Richardson e Dov Charney

Um é fotógrafo super descolado e o outro é o fundador super descolado da American Apparel. O que os dois têm em comum, fora o fato de serem muito descolados? As inúmeras acusações de abuso sexual cometidos por eles, e a sorte de que todo mundo os considerava descolados demais para levar os relatos a sério. Mas a coisa finalmente desandou pro lado deles, e agora Terry tem sido boicotado por várias modelos e veículos, e Dov foi demitido do cargo de CEO que ocupava na AA (infelizmente, não pelas acusações, mas pelo desempenho ruim de mercado da marca). Já vão tarde, e torcemos pra que levem juntos todos os outros amiguinhos que se comportam da mesma maneira enquanto se escondem atrás do rótulo de gênio criativo.

 

Kim Kardashian

Nesse ano, a Kardashian mais velha passou de participante de reality show tosqueira a referência de moda. Saiu na capa de revista mais falada do ano, bombou no instagram e ainda deu uma leve balançada no padrão físico magérrimo ao qual a gente tá acostumada. Basicamente, foi bem difícil passar um só dia de 2014 sem ouvir alguma notícia nova sobre Kim e sua família.

Menção honrosa familiar para North West, a filhinha de Kim e Kanye West, que nem saiu das fraldas e já é mais incrível, estilosa e bem sucedida que eu jamais serei, e pra irmã modelo Kendall Jenner, que tem sido o assunto mais falado nas fashion weeks e revistas de moda por aí.

 

Solange 

Destruidora. É só isso o que tenho a dizer sobre essa mulher maravilhosa que até me fez esquecer por alguns instantes meus sentimentos nada carinhosos em relação a esse negócio todo de casamento. Além disso, ainda deu umas porradas no Jay-Z (destruidora MEISHMO) e continuou fazendo música boa, mostrando que é bem mais que apenas a irmã mais alterna da Beyoncé.

Apropriação cultural

Apesar de ser aquele assunto que já deveria ter entrado em pauta há décadas, foi nesse ano que, com a força da internet, a discussão sobre até que ponto é aceitável se valer do que outras culturas produzem ganhou força. Rolou o caso Farm, muitos textos bacanas a respeito, e, mais recentemente, as críticas da Azealia Banks à Iggy Azalea. Na listinha de desejos do ano que vem, a gente também inclui o pedido pra que o tópico continue sendo cada vez menos ignorado.

Taylor Swift

Quando foi que a menina meio breguinha que cantava “Love Story” entrou pro meu top 5 inspirações de estilo? Não sei, só sei que foi em algum momento misterioso ao longo deste ano. Ganhou milhares de pontos não só com as roupas e com o rolê de amigas mais legal do mundo, mas também com esse maravilhoso álbum 1989 que não consigo tirar do repeat.

 

Góticas Fofas

Vocês sabiam que isso era algo que existia? Não? Eu também não, até encontrar um tutorial sobre como me tornar uma. Basicamente, consiste nisso aí que o nome sugere mesmo: a dor, a tristeza e a solidão do gótico de cemitério tradicional somadas à toques de fofura, tipo uma mistura de delineador preto escorrido com cabelo rosa chiclete. Mais outra pra série “não sei se acho tosco ou se quero adotar, mas, na dúvida, vou seguir achando tosco”.

No/Low Poo

Não, não é algo que envolva não fazer cocô, como eu pensei a primeira vez que li. O No Poo é uma forma de tratamento de cabelo que, de forma bem resumida, tira o shampoo da rotina de lavagem. Voltada para os fios crespos ou cacheados, que não costumam ser muito ouvidos pela indústria cosmética, a técnica ajudou muita menina a sair do alisamento e se entender melhor com o próprio cabelo. Achou interessante? Também tem texto da Capitolina sobre isso aqui.

Vaporwave


Pra ser bem sincera eu ainda não entendi bem o que é, só sei que vocês xóvens andam falando bastante disso, então deve ser hit. Parece uma versão 2.0 do Seapunk, outra moda xóvem gerada pelo tumblr que eu também não entendi direito.

 

E na sua vida fashion desse ano, o que hitou e o que flopou? Conta ai pra gente!

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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