17 de dezembro de 2015 | Artes | Texto: | Ilustração: Laura Viana
Retrospectiva Mundinho da Arte 2015

Então é Natal e Simone já anda tocando por aí, pra bad geral da nação. E o que você fez? E o que a Arte fez? Bem, foco na segunda pergunta, porque não é das suas resoluções de ano novo não cumpridas  – nem das minhas, felizmente – que vamos falar agora.

O que aconteceu no mundinho da arte e no mundão fora dele ao longo desse 2015 que aos poucos se esvai? Parece tudo tão longe que dá a impressão de que o carnaval foi há três anos e a festa junina há dois? Não se preocupe, nós também nos perdemos nessa maluquice que foi esse ano e já não lembramos mais nem do último fim de semana. Mas vem com a gente, que com a ajuda das táticas de meditação da Marina Abramovic e um pouquinho de força, a Capitolina preparou com carinho esse remember do que foi *~A ARTE~* em 2015:

 

Abramovic encontra o deboísmo

marina

Sabe aquelas perfomances UAU, de morrer de medo e choro que Marininha sempre fez? Então, elas não foram o foco do rolê Abramovic por terras brasileiras – ainda que tenham dado o ar da graça em um momento ou outro. Na retrospectiva que o Sesc Pompéia fez sobre a artista, que trouxe a deusa até aqui, apresentou recriações das obras consagradas e permitiu que o público pudesse entrar em contato com o Método Abramovic, o foco foi justamente nesse lado zen-espiritualizado-meio-badabauê que a rainha da performance adotou no últimos tempos – a experiência com o Método, por exemplo, permitia que você pudesse fazer coisas extremamente empolgantes, tipo andar vinte metros em meia hora ou ficar encarando alguns cristais.

 

Romero Britto

britto

Em inglês, existe uma das minhas expressões preferidas, “pet peeve”, que é algo tipo “implicância de estimação”, ou seja, aquela coisa que você odeia pelo prazer de odiar. A internet parece escolher seus pet peeves e insistir neles até cansar, e, ao longo dos últimos meses, parece ter se apaixonado por implicar com Romero Britto, que virou, basicamente, sinônimo de “pior coisa do mundo! Ó meu deus! Meus olhos queimam! Por quê?! Por quê?!”. A discussão sobre o assunto  e a qualidade estética dos trabalhos do rapaz – e de outros artistas consagrados que não recebem tanto ódio (estou falando com você, Milhazes) – vai longe, mas não dá pra negar que, falando bem ou falando mal, Romero foi hit.

 

Nos museus, a fila anda

cavaletes

Parece que os grandes museus, em especial aqui em São Paulo, ignoraram o tanto de mercúrio retrógrado (péssimo pras mudanças radicais) desse ano e resolveram dar aquela renovada. A troca de diretoria na Pinacoteca – com direito a babado na saída do diretor artístico, Ivo Mesquita – teve início pra valer e o MAC-USP acabou de vez a mudança da Cidade Universitária rumo à nova sede, em frente ao Parque do Ibirapuera. Além deles, o MASP recebeu Miguel Gutierrez, um dos diretores deixados sem lar pela Pinacoteca, e recuperou, nesse último bimestre, o projeto expositivo original proposto por Lina Bo Bardi, a arquiteta rainha que projetou o prédio.

 

Nos museus, a fila não anda

fila

Ainda que ano passado tenha sido O Verdadeiro Grande Ano Das Filas, com Castelo Ra Tim Bum, Ron Mueck, Yayoi Kusama e Salvador Dali deixando pobres mortais derretendo em baixo de sol e chuva por horas até que finalmente pudessem ver alguns originais expostos, a coisa não foi muito diferente esse ano. Apesar de uma leve baixa nas exposições internacionais – imagina pagar seguro com esse dólar valendo mais que barras de ouro (que costumavam valer mais que dinheiro)??? -, ainda tivemos nominhos como Frida Kahlo, Picasso e Kandisky, que arrastaram mais multidões que muita queridinha do pop por aí. Vale resaltar que, pelo terceiro ano seguido, o CCBB São Paulo fica com a medalha de ouro na prova Fila Quilométrica Com Barreiras.

 

Zines, zines por todo lado!

A sensação foi de que, a cada semana, uma nova feira ou editora de publicações independentes pipocou por aí. O gênero, que costumava ficar mais preso a um público menor e mais próximo do assunto (muitas vezes circulando só entre a galera que também produz), teve um baita aumento de inserção em espaços mais gerais, com feiras grandes em espaços culturais, bibliotecas e universidades públicas. Torcemos pra que 2016 dê ainda mais forças pro pessoal que produz no espírito Faça Você Mesmo – dá até pra aproveitar o buraco que a Cosac Naify tá deixando!

A gente já falou do assunto algumas vezes por aqui, e até visitou uma feira no começo do ano pra conversar com quem apareceu por lá, vem relembrar!

 

Teste do buzzfeed: arte contemporânea ou…?

festa

Choque? Lixo? Acidente?

Sabe aquele migué de estudante de arte que não fez o trabalho que precisava entregar (longe de mim falar isso por experiência própria, nunquinha, jamais) e lança a cartada do “mas o que não é arte, não é mesmo??”? É, a tática não costuma funcionar muito bem, mas parece mesmo que não anda muito fácil saber o que é o que.

Mas, na dúvida, preste socorro. E tente não jogar no lixo, só por garantia.

 

Celebridades arteiras

Parece que, em algum momento nesse ano maluco, o mundinho Pop se chocou com o mundinho da Arte, e nós pudemos ver o surgimento de obras crocantíssimas como Selfish, o livro de selfies da Kim Kardashian, Picasso Baby, de Jay Z com Marininha (que deu uma baita treta depois), #allmymovies, de Shia Labeouf e a colaboração de Kanye West e Steve McQueen em All Day/I Feel That. Quem sabe assim a gente aprende que o mundo mainstream não é de se jogar fora quando o assunto é criação.

 

Alguém falou o que todo mundo queria falar: Renoir é uma droga

É, gente, é ruim mesmo. E esse cara criou todo um movimento pra sair por aí informando a todos sobre quão baixa a qualidade das obras do mestre (ou seria “mestre”?) impressionista francês, pedindo, inclusive, a retirada dos quadros de alguns museus. Pobre Pierre-Auguste.

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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