28 de agosto de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Roubos em museus

 

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Ilustração por Dora Leroy

Qual foi a ultima exposição que você visitou?  Qual é tua pintura favorita Consegue imaginar alguém entrando em um museu para roubar uma obra?

Por que alguém roubaria uma obra de arte de um museu?

Acontece com frequência. A vantagem de roubar obras de arte é maior do que roubar joias. No Art Loss Register (Registro de Arte Perdida), contam mais de 30.000 obras – fora as que nunca foram registradas!

Quando uma obra de arte é roubada, além da policia local, agências internacionais são alertadas (como o FBI e Interpol). Isso porque as chances da obra entrar no mercado clandestino são altíssimas (por mais que a gente imagine um ladrão colocando o Van Gogh na sala de jantar dele). Uma obra de arte roubada não é vendida com facilidade – afinal, se for um trabalho famoso, seria facilmente reconhecido. Obras de arte roubadas podem ser vendidas como cópias quase perfeitas, usadas como moeda de troca no mercado clandestino (inclusive para financiar ações terroristas) ou guardadas por anos e anos (talvez porque os ladrões não tenham ideia do que fazer com a arte!).

Aqui estão alguns exemplos de roubos famosos:

1. Mona Lisa, Louvre, 1911.

O quadro mais famoso da nossa história, Mona Lisa, do Leonardo da Vinci, foi roubado de sua casa em 1911 por um funcionário do museu.

Vincenzo Perugia era um zelador do Louvre. Roubou o quadro com a ajuda de seus irmãos, que se esconderam dentro de um armário até o fim do horário de funcionamento do museu. Depois, os irmãos retiraram o quadro de 90 kg (incluindo a moldura e vidro de proteção) da parede, removeram a tela com a Mona Lisa e esconderam embaixo de um cobertor. Os ladrões não deixaram nenhuma pista quando, no dia seguinte, a polícia foi acionada para investigar o sumiço.

A Mona Lisa só foi recuperada dois anos depois do roubo. O ladrão, italiano, disse que roubou o quadro por patriotismo – a Mona Lisa foi recuperada na Itália enquanto o ladrão tentava vender a obra para um marchand que denunciou Perugia para a polícia.


2. O Museu Isabella Gardner, 1990.

O roubo ao museu Isabella Gardner, em Boston, MA, é o maior roubo de arte da história. No dia 18 de março de 1990, dois homens vestidos de policiais (com bigodes falsos e tudo!) abordaram os guardas do museu às 1:30 da manhã com a desculpa de terem recebido denúncias sobre distúrbios nas redondezas do museu. Os guardas do museu foram atados pelos falsos guardas, que fizeram a festa e roubaram: uma águia de bronze da época de Napoleão, 3 pinturas do Rembrandt, 5 rascunhos do Degas, uma pintura do Vermeer e uma do Manet – tudo isso somando a um valor de aproximadamente 300 milhões de dólares.

Os ladrões saíram do museu prometendo uma ligação para pedir resgate – mas essa ligação nunca aconteceu e as obras estão desaparecidas até hoje.

3. Museu da Chácara do Céu, 2006.

No Carnaval de 2006, foram roubados do Museu da Chácara do Céu:  A Dança, do Pablo Picasso,  Dois Balcões, do Salvador Dali,  Marina, do Claude Monet, Jardim de Luxemburgo, do Henri Matisse, e uma cópia do livro Toros, com poemas de Pablo Neruda e ilustrações de Picasso.

As obras foram roubadas por quatro homens armados, que obrigaram os seguranças do museu a desligar as câmeras de segurança do museu e isolaram os visitantes em uma sala. Algum tempo depois, foram encontrados supostos pedaços de madeira da moldura de algum dos quadros queimados no morro dos Prazeres, no Rio.

Quando obras de arte são roubadas no Brasil, o Interpol é acionado junto com a Polícia Federal em um acordo feito com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional). Neste caso, chegaram ao francês Michel Cohen como suspeito de ser o mandante do crime. Um dos quadros roubados chegou a ser brevemente colocado à venda em um site de leilões virtuais por 13 milhões de dólares, mas foi rapidamente removido.

As obras não foram recuperadas até hoje.

CURIOSIDADE: Segundo o Art Loss Register, Picasso e Matisse são os artistas com mais obras roubadas. São 660 trabalhos do Picasso roubados e 121 do Matisse.

FONTES:

1. http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=13039&sigla=Institucional&retorno=detalheInstitucional

2. http://www.fbi.gov/about-us/investigate/vc_majorthefts/arttheft

3. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u58409.shtml

4. http://entertainment.howstuffworks.com/arts/artwork/art-heist.htm#page=3

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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