12 de abril de 2016 | Ano 3, Edição #25 | Texto: | Ilustração: Laura Athayde
Se o Estado é laico, por que expressões culturais cristãs são vistas como neutras?

Estado laico é aquele que não adota uma religião oficial, um ponto importante na estrutura de um estado democrático de direito. Brasil é um, dizem. A questão é que, ao mesmo tempo que a nossa Constituição separa o Estado de religião – aparentemente de algumas, tendo em vista que aquelas fundadas no Cristianismo sempre estão fortemente presentes -, ela prevê a garantia de que esse mesmo Estado assegure o direito de expressão religiosa. E, para variar, a que se expressa com maior aceitação social é a cristã.

Há dois conceitos um pouco mais aprofundados sobre ‘laico’: laicidade e laicismo. A laicidade seria um Estado que não professa religião oficial, mas garante a multiplicidade de credos ou não (ateus), se colocando como neutro, mas com respeito aos mesmos. Já o laicismo é a antirreligiosidade, o que não é nosso caso no Brasil. Muitos cristãos têm alegado que ações como pedido em juízo para remoção de símbolos cristãos em prédios públicos seja um traço de laicismo. Podemos concordar que tal alegação é, no mínimo, absurda?

O Brasil é um país majoritariamente católico, seguido por igrejas conhecidas como evangélicas, que também são cristãs. Dia de santo pode virar feriado, cruzes são espalhadas em prédios nos quais se concentra atividade dos poderes do Estado laico, procissão para as ruas, enfim, para onde olhamos há expressões culturais cristãs amplamente espalhadas. Como se não bastasse, quando utilizados símbolos cristãos em contextos diversos vira Cristofobia e, para isso, basta a comunidade cristã decidir que é, como se milhares de jovens cristãos morressem espancados anualmente por conta de seu credo. Que preconceito sofrido, hein?

Nosso país adota a laicidade, porém ela está falha. Se queremos um Estado livre de influências religiosas, mas que se mantém neutro perante a diversidade de religiões e crenças (ou ausência destas), passou da hora de garantir a mesma proteção para o candomblé, espiritismo, etc. Se a nossa laicidade não abrange todos, numa democracia, este não passa de um Estado beirando o Cristianismo de forma disfarçada. Não somos tão laicos quanto diz a Constituição, afinal.

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

  • Bianca Buch

    Mas dos feriados não dá pra reclamar né? hihihi
    Piadas à parte, acho que eles são interessantes para marcar a passagem do tempo, promover reflexão sobre o que estamos fazendo e motivar-nos a fazer planos. Por isso que, mesmo sendo agnóstica, ainda sou a favor de celebrar Natal, Dia de São João (os solstícios) e Páscoa (equinócio).

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos