18 de julho de 2015 | Ano 2, Edição #16 | Texto: | Ilustração: Heleni Andrade
Segredos do inconsciente

Por mais que nós vivamos em sociedade e tenhamos amigos e pessoas próximas que nos façam sentir confortáveis, existem partes de nós que não compartilhamos com ninguém. Todo mundo sabe: seja por vergonha, por medo ou apenas discrição, muita gente esconde dos outros partes sobre sua história, personalidade ou ideologia. O que a maioria ignora, entretanto, é que existem partes dentro da gente que nem a gente conhece ou tem acesso conscientemente.

Você já ouviu aquela famosa frase que diz que ninguém nos conhece melhor que nós mesmos? Bom, segundo Freud, o pai da psicanálise, não é bem assim que funciona. Em sua teoria psicanalítica, ele distinguiu no ser humano três níveis de consciência:

– Consciente: nível onde temos acesso aos nossos pensamentos, sentimentos e lembranças;

– Pré-consciente: nível relacionado a conteúdos que facilmente podem chegar ao nível de consciência;

– Inconsciente: nível onde se encontram conteúdos que o indivíduo não consegue acessar conscientemente.

Partindo desse ponto, Freud dizia que esses impulsos instigados pelo inconsciente – que geralmente se referiam a lembranças traumáticas reprimidas ou desejos socialmente inaceitáveis – eram apenas trazidos ao estado de consciência de forma disfarçada, como, por exemplo, sonhos ou através de erros na fala (sabe aquelas vezes em que você estava prestes a dizer alguma coisa e por algum motivo disse algo diferente que na hora não fez sentido? Na psicanálise isso se chama ato falho).

Através da análise desses marcadores (e muitos outros, é claro) psicanalistas até hoje conseguem ajudar pessoas que se sentem angustiadas por algo que nem elas mesmas sabem descrever direito. E é normal: por mais que a gente acredite que somos as únicas confusas sobre algum aspecto da nossa vida que não entendemos direito, a verdade é que todo mundo tem suas inseguranças e segredos, e isso não é algo para se envergonhar.

Pode até parecer besteira e clichê quando alguém diz que essas nossas partes que não gostamos, que por vezes nos enfraquecem, no final são as que nos fazem mais fortes; mas é verdade, se você aprender como lidar com elas! Existem pessoas que sentem uma necessidade tão grande de disfarçar seus próprios medos que acabam criando uma realidade onde nada daquilo existe e interpretam um personagem cuja vida é perfeita; mas para e pensa comigo um pouco: não parece que dá muito mais trabalho sustentar essa vida para agradar o mundo inteiro se, no final do dia, quem tem que viver na sua pele durante 24h é apenas você?

Entrar em contato com os segredos que a nossa mente guarda da gente é sempre muito duro. É fácil imaginar que, por estar dentro de você, você já conheceria tudo… Mas o ser humano é isso aí: complicado pra caramba. Algumas verdades parecem mais fáceis de lidar quando você as escuta vindas do outro e não de si mesmo, mas se me perguntarem, eu sempre vou repetir as palavras da Mama Ru:

“Se você não se amar, como vai conseguir amar outra pessoa?”

“Se você não se amar, como vai conseguir amar outra pessoa?”

Luciana Rodrigues
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Artes

Luciana tem 20 anos e é de Macapá, no Amapá, no extremo norte do Brasil. Cursa Letras na universidade federal do seu estado e é apaixonada por artes em geral, sendo a dança, o desenho e a pintura suas favoritas. Sonha em mudar o mundo com a ajuda dos seus gatos e tem certeza de que nasceu, além de índia, sereia de água doce.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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