22 de julho de 2015 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
Ser mina fazendo app

Eu sempre tive muito interesse por toda essa coisa de programação, código e saber como funciona o mundo digital por trás dos panos. Só que, ao mesmo tempo, me dava uma preguiça, sabe? Essa era a área do meu irmão, que jogava videogame e sacava dessas “coisas de menino” – e não, não foram meus pais que disseram isso, foi o mundo mesmo.

Aconteceu que no ano passado surgiu a oportunidade de me enfiar nesse meio. Tive um momento de relutância, pensando se realmente valia a pena investir na área a tal altura da vida. Felizmente, a resposta foi sim! E agora eu estagio com desenvolvimento de aplicativos mobile em parceria com uma conhecida empresa de eletrônicos.

A gente escuta muito sobre a falta de representatividade feminina no meio tecnológico, mas, apesar disso, no projeto em que trabalho somos um terço do grupo! Isso foi proposital, no entanto, tendo em mente a motivação de mudar o cenário. E que ótimo! São de iniciativas assim que a gente precisa, já que desde pequeninas somos desmotivadas a demonstrar interesse por tecnologia. E eu, entrando agora neste mundo, fiquei inicialmente com a falsa impressão de que, puxa, parece que as coisas estão melhores, afinal.

Mesmo num ambiente tão voltado à diversidade, entretanto, ainda dá para sentir claramente a diferença: são poucas garotas que estudam de fato nas áreas tecnológicas, e há muitas que sempre gostaram da área mas não se viam participando desse mundo. Enquanto os caras programam às vezes desde o ensino fundamental, as meninas da engenharia, em sua maioria, só começaram a pensar nisso durante a faculdade. E isso se reflete na desenvoltura com programação, claro! Quem está há 8 anos acostumado com o tipo de raciocínio lógico exigido vai ter mais facilidade do que quem começou há seis meses, e não dá para culpar vocação por isso.

Recentemente, começamos um processo de tentar juntar as quase trinta mulheres do meu estágio para trabalharmos juntas, mesmo que em grupos menores. A importância de pensarmos como coletivo, até mesmo dentro de um ambiente que preza pela diversidade, se mantém: não adianta acharmos que está tudo resolvido, quando fora da nossa “bolha” o mundo continua achando que nós deveríamos dar palestras sobre lavar louça (coisa que de fato ouvimos de pessoas do nosso meio).

Resolvi, então, começar a pesquisar sobre mulheres bem-sucedidas na área de desenvolvimento, especificamente mobile. Pipocaram listas de grandes empreendedoras, e a maioria delas tinham sido excelentes gestoras e autoras de boas ideias, mas desenvolvedoras mesmo foram poucas que encontrei, e muitas destas explicitadas como as únicas mulheres em grandes grupos.

Acredito que, além dos extremamente importantes incentivos à diversidade, a nossa união é que vai fazer a diferença. Achar um grupo de meninas, ou mesmo uma amiga, pode ser um fator fundamental para que o simples interesse ganhe força e vire aprendizado de fato. E aí, quando a gente conseguir transformar o mundo do desenvolvimento num ambiente em que ser mulher não é algo surpreendente, é que acho que vai começar a mudança de verdade.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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