7 de fevereiro de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Nathalia Valladares
Ser mulher, ser mãe e ser esposa: por que uma coisa não está ligada a outra.

A vida é um roteiro. A gente nasce, cresce, se reproduz, envelhece e falece. Parece que a sociedade já desenhou o esboço, cabendo a nós tão somente terminar os traços, que não podem ir muito além do desenho já delimitado. Entretanto, nesse roteiro tem uma cena na qual o papel da mulher é mais cobrado: casamento e maternidade.

Quantas vezes você já ouviu algo sobre ser vergonhoso não saber cozinhar, costurar ou fazer outras atividades domésticas? Homem também ouve que é uma vergonha não saber cozinhar, mas é porque precisa se virar sozinho; já a mulher é porque um dia vai ser esposa e, na descrição do emprego, cozinhar para o marido é exigido como requisito. Por que é suposto que nós iremos nos tornar esposas? Por que a sociedade está decidindo o que devo fazer para me sentir uma mulher completa? E porque muitas de nós estamos acatando? Chega! Você decide o seu roteiro a partir de hoje, ok?

Ser esposa e ser mãe pode ser algo realmente lindo. Se dedicar à família é uma decisão admirável desde que tenha sido uma escolha sua. Se você não quer ser mãe e prefere ser uma profissional, não dê ouvidos às cobranças sociais. Você pode sim ser esposa, ser mãe e uma profissional renomada, mas você também pode optar por apenas um papel. Você pode ser o que quiser porque você, cara leitora da Capitolina, é uma moça – ou mulher – altamente empoderada e decide sua própria vida!

Não é função – calma, deixa eu enfatizar isso bem enfatizado – eu disse que NÃO É FUNÇÃO da mulher ser mãe. Homem não é obrigado a ser pai, inclusive alguns fogem o quanto podem dessa responsabilidade. Seu corpo não é máquina de fazer bebê, você não se resume a isso, você é muito mais. Escolher não ter filhos é tão válido quanto escolher ter, nenhuma das duas opções te fazem uma mulher, você já nasceu completa, agora pra frente só empodera! Não querer ter um filho não te torna uma pessoa que odeia bebês e/ou crianças, você só não quer gerar um, tem uma diferença gigantesca entre uma coisa e outra. Você pode adorar criança, mas não quer uma. Dizer que não quer filhos não te faz uma bruxa.

Ainda existem as mulheres que se casam e optam por não ter filhos, que são tão julgadas quanto as que não casam. Parece uma sequência certeira, primeiro casar, depois ter filho. Não são passos obrigatórios, não, está liberado casar e ter cachorro, gato, papagaio ou ter nada. E se tiver filho sem casar? Não pode? Pode sim! Tem mulheres que sonham em ter filho, mas não querem casar; tem mulheres que engravidam solteiras; porque não poderia só pela falta de um homem? É tanto padrão criado e tão bem disseminados no dia-a-dia que muitas vezes internalizamos sem notar.

O mesmo se refere ao casamento. Por que mulher com 30 anos é encalhada e homem com 30 anos é esperto? Consegue notar como mesmo que com piadinhas altamente disseminadas a sociedade continua a espalhar a ideia errônea de que é suposto que a mulher case, caso contrário está falhando? Primeiro que nem todas querem se casar e isso não é papo de encalhada, é papo de alguém que está desenhando além do esboço conforme lhe agrada, não invalide essa posição. Segundo que nem todas querem arrumar homem, há meninas bissexuais e lésbicas (dentre as variadas diversificações que vão além do padrão heteronormativo), não podemos aceitar que um discurso que propague que mulher só é mulher quando arruma marido quando temos irmãs com orientação sexual diferente disso. É absolutamente inaceitável resumir uma mulher a uma aliança dourada. Cada vez que a sociedade reafirma que é parte da vida casar, alguma mulher tem sua autoestima minada por não ter arrumado alguém, como se estivesse falhando em algo básico. Nós vamos permitir que uma convenção social afete nossas irmãs? Não! Você não está falhando porque não é necessário arrumar alguém que te complete. Se vier alguém, vai somar, mas nunca te completar. Eu já disse isso aqui na Capitolina e repito: você já é completa.

Vai ter mulher solteira, vai ter mulher praticando poliamor, vai ter mulher casada com homem, vai ter mulher casada com mulher, vai ter mulher fazendo o que quiser! Vamos nos libertar dessas amarras sociais e buscarmos ser uma única coisa: felizes!

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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