17 de outubro de 2015 | Relacionamentos & Sexo, Sem categoria | Texto: | Ilustração: Isadora Maldonado
Será que essa amizade ainda tá funcionando pra mim?

Ao longo das nossas vidas conhecemos muitas pessoas e criamos diferentes níveis de afeição com elas. Com algumas temos laços mais fortes do que com outras e isso é super normal, afinal o ser humano se agrupa em comunidades desde sempre, geralmente de pessoas que pensam ou agem da mesma maneira. Assim surgem as amizades. Mas a vida não para e, consequentemente, a gente também não. Diariamente estamos mudando, descobrindo novos hobbies e conhecendo pessoas novas.

Feliz, ou infelizmente, nem todas essas pessoas vão ficar na nossa vida para sempre. Por mais que doa dizer, e ouvir, algumas amizades são sazonais, e alguns amigos apenas passam pela nossa trajetória, feito estrela cadente que corta o céu.

Algumas amizades terminam abruptamente, outras se arrastam anos a fio numa situação mega tensa, quando na verdade já deveriam ter acabado. E é sobre esse último exemplo que eu quero falar melhor.

Toda e qualquer relação, seja ela amorosa, fraternal ou de amizade, tem que ser uma via de mão dupla; ou seja, você tem que dar para receber e vice-versa. Relação não é algo que se constrói sozinho e a cooperação e investimento do outro é fundamental pra dar certo.

Se você não está recebendo o mesmo carinho, atenção e ombro amigo que dispensa pra sua bff, então na hora de repensar essa relação porque claramente ela só está funcionando para um lado.

Sabe aquele amigo que nunca pode sair com você mas sempre posta foto com os outros amigos? Ou aquela amiga que sabe que você está numa bad mas não liga pra saber como você está? Ou ainda aquela outra que não dá a mínima para o que você fala?

Então, é disso que eu tô falando.

Eu não advogo a favor do fim das amizades e nem acho que a gente deve terminar com uma amiga sem ao menos lutar antes, mas na maioria das vezes fingimos não ver os sinais só para evitar cortar os laços.

Sim, eu entendo que essa experiência é bem difícil e dolorosa e que bate um medinho de ficar só sem aquela pessoa que fez parte da sua vida em tantos momentos, mas acredite: o recomeço é necessário porque relação nenhuma vale a pena se não lhe traz mais alegria.

Quando a gente decide se afastar de “amigos, pero no mucho” é muito importante não se sentir culpada por estar tomando a iniciativa de quebrar o ciclo. Não, não estamos desistindo. Muito pelo contrário. Quando saímos de relações assim estamos lutando pela nossa saúde mental, pela nossa autoestima e bem-estar. Estamos percebendo que merecemos mais.

É preciso entender que tudo na vida tem começo, meio e fim. Depois que eu entendi isso passei a sofrer menos com o término de algumas coisas pois percebi que elas tiveram o seu tempo. Algumas coisas duram menos que outras e não tem nada de errado com isso. Se permita entender isso também.

Júlia Freitas
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Júlia Freitas, jornalista em busca do mestrado perfeito, se interessa por tantas áreas que não sabe por onde começar. Típico de libriana. Militante afrofeminista e dos movimentos sociais, morou em Nova Iorque e lá estudou de tudo um pouco. Mas o dendê corre na veia e ela voltou pra Bahia. Por enquanto.

  • Fernanda

    Eu estudo há 5 anos no mesmo colégio, e, desde então, sempre tive o mesmo círculo de amigos. A gente sempre foi muito unido, nunca tive problemas em me sentir isolada ou sozinha. Era uma coisa tão intensa que eu apostava todas as minhas fichinhas que a gente iria morrer junto, ia ser madrinha do casamento de todo mundo e beber num barzinho depois da facul. Vivi numa bolha de conforto esses tempos. Mas nesse ano tudo desandou. Eu tentava e tentava arrumar assunto, chamava para uma sessão de netflix, nada era a mesma coisa. O clima era pesado e eu me senti cada vez mais deslocada. Ainda dói ir todo dia para escola, pq eu só vejo eles interagindo entre si como sempre, mas sem eu por perto. Mas eu vou mudar de colégio. Vou conhecer gente nova e respirar ares novos. Por mais que seja um pouco assustador esse desconhecido, é melhor do que sofrer pelo o que já acabou.

    Opa, textão. Nem foi a intenção, foi mal. Anyway, a matéria tá linda e cherosa como sempre, minas! :3

    • Leticia

      Fernanda, espero que dê tudo certo na sua nova fase! Deixar pessoas que não nos fazem bem é difícil, mas super necessário e positivo. Acredite em mim, já estive lá… Tudo de bueno pra ti! <3

      Ah, a matéria está um amor, como de costume! <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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