6 de junho de 2016 | Cinema & TV, Colunas, Se Liga | Texto: | Ilustração:
Sete documentários sobre e para mulheres!

Nós amamos histórias de ficção. Se você for em um cinema agora vai estar cheio de opções desse tipo de filme para ver. Eu também amo ficção, mas essa não é a única forma de assistir a uma história. Documentários também contam excelentes histórias de uma forma bem diferente, mas não deixam de ser narrativas e podem ser tão envolventes quanto a ficção. E quase não ouvimos falar deles. A tal representatividade que falamos segue também em falta aqui. Se quase não há diretoras mulheres ou filmes com personagens feminas em foco na ficção, no mundo dos documentários a coisa não é muito diferente. Pensando nessas duas coisas preparamos uma lista de sete (era para ser cinco, mas não conseguimos deixar coisas de fora) documentários que tem a mulher em foco e de preferência é produzido e dirigido também por mulheres.

 

01 – Gaycation (2016)

Vou começar essa lista já quebrando paradigmas e indicando uma série documental. Algum tempinho atrás rodou muito nas redes sociais uma entrevista da atriz Ellen Page com o deputado Jair Bolsonaro. Essa entrevista fazia parte de um dos episódios dessa série. Nela, Ellen e seu melhor amigo Ian, viajam para diversos países e tentam saber mais como a população LGBT vive em cada um deles. A entrevista em questão foi feita no episódio do Brasil. A série é extremamente sensível e tenta mostrar sim todos os problemas enfrentados por essas pessoas ao redor do mundo, mas também como eles vivem, onde se divertem e coisas assim. Ellen Page se assumiu lésbica alguns anos atrás e, desde então, é ativista do movimento LGBT. Além de apresentar a série ela também assina como produtora.

 

02 – What Happened, Miss Simone? (2015)

Esse documentário indicado ao Oscar conta a históra da cantora americana Nina Simone. Ela tentou carreira no meio da música clássica como pianista, mas não obteve sucesso e, no meio dos anos cinquenta, começou sua carreira no jazz e no blues. Nina foi muito influente, principalmente na época da luta pelos direitos civis dos negros americanos nos anos sessenta. O filme conta com muito material de arquivo de apresentações e entrevistas da cantora, além de entrevistas com familiares e outras pessoas que viveram e conheciam Simone. A diretora Liz Garbus faz um documentário muito interessante e sensível que fala muito de racismo, de quanto talento Nina tinha e também dos diversos problema que ela passou. Porém sofreu algumas criticas sobre a forma que ela trata a questão do relacionamento abusivo que Nina tinha com Andrew Stroud, como se fosse uma opção dela estar ali, não reconhecendo que era um ciclo de abuso.

 

03 – My name is now, Elza Soares (2014)

Já que estamos falando de cantoras negras fortes, vamos falar agora de Elza Soares. Já falamos aqui sobre como Elza é importante e significativa. Nesse filme de Elizabete Martins Campos conhecemos a história e a inspiração da cantora através da própria Elza. Ela mesmo narrra diversos momentos de sua vida, mas principalmente, fala sobre o que está vivendo e o que está vendo acontecer a sua volta no Brasil e no mundo. Ouvimos as diversas reflexões de Elza assim como vemos apresentações dela e outras imagens belíssimas, o que torna o filme uma ótima experiência.

 

04 – The Hunting Ground (2015)

Esse filme fala sobre um dos maiores problemas que nós mulheres enfrentamos nessa sociedade atual, a cultura do estupro. Dirgido por Kirby Dick, o documentário mostra como isso é grave, principalmente nas universidades americanas. Ele conversa com diversas estudantes que foram violentadas e mostra a dificuldade de algo ser feito, dos culpados serem penalizados, das vítimas serem escutadas e não cupabilizadas, assim como as universidades mais prestigiadas costumam sempre abafar os casos com medo disso prejudicar sua reputação. A cantora Lady Gaga, que foi estuprada quando estava na faculdade, abraçou o projeto e escreveu a música tema do filme que foi indicada ao Oscar e rendeu uma das apresentações mais emocionantes da premiação.

 

05 – Girl Rising (2013)

Também já falamos aqui desse projeto e da menina Malala. Em uma rápida explicação: Malala é uma adolescente do Afeganistão que levou um tiro por querer estudar. Desde que seu caso veio à tona ela começou o projeto Girl Rising para incentivar meninas de diversos outros países a também terem o acesso a educação que foi negado a elas. Esse filme conta a história de nove dessas meninas. Um filme super sensível e importante que mostra a importância da educação na vida das mulheres e como isso pode fazer uma gigante diferença. Me faz chorar só de ver o trailer.

 

06 – Doméstica (2012)

Esse documentário fala da eterna questão brasileira das relações trabalhistas com empregadas domésticas. O diretor Gabriel Mascaro deu uma câmera para sete adolescentes, de diferentes gêneros, raças e classes sociais para que eles gravassem suas empregadas durante uma semana. O diretor não estava nas gravações e apenas conta sua história através da montagem desses registros e depoimentos. Sob o olhar desses jovens conseguimos perceber como é nebuloso o tratamento dessas profissionais, passa pelo carinho familiar, pela exploração capitalista e até pela herança escravocrata que nosso país carrega. Porém, o que todas essas mulheres têm em comum é como são fortes e interessantes.

 

07 – Os catadores e eu (2000)

Eu escolhi esse filme porque é o mais importante da carreira de Agnes Varda, porém toda a filmografia dela é importante e interessante. Agnes é uma diretora de oitenta e oito anos, belga, que se radicou na França. Super importante e influente na história do cinema francês, Agnes faz documentários super intimistas e com uma linguagem extremamente particular. Nesse filme sobre catadores de lixo na França, ela mistura muito quem é o objeto e quem é o observador, se incluindo, se colocando junto com os personagens como uma catadora de imagens.

 

Espero que com essa lista vocês mergulhem cada vez mais no maravilhoso mundo dos documentários.

Dani Feno
  • Coordenadora de Audiovisual
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Música

Dani Feno, 26 anos. Quando era criança foi ao cinema ver Rei Leão a primeira vez e se apaixonou por essa coisa de ver filmes. Mais velha viu um seriado chamado Clarissa e pronto, a paixão passou para seriados também. Foi tão forte que agora trabalha em uma finalizadora de filmes e programas de TV, mas o que gosta mesmo é de editar vídeos para Capitolina. Gorda e feminista desde criança também (apesar de só saber que é esse o nome há pouco tempo). Acha que a melhor banda do universo é Arcade Fire e pode ficar horas te convencendo disso. Em Hogwarts é 70% Corvinal e 30% Grifinória.

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Gostei muito da lista e quero ver todos, mas só uma coisinha, acho que a Malala é do Paquistão.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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