25 de fevereiro de 2016 | Ano 2, Edição #23 | Texto: | Ilustração: Bia Quadros
Sexo é melhor sem imitar o vídeo pornô

A cultura do cinema e da TV sempre colocou o sexo à nossa disposição. De forma sutil – com beijos apaixonados – ou explícita – que fazia a família trocar de canal ou tampar nossos olhos – o sexo sempre esteve ali. Construímos nossa ideia do que seria uma relação sexual ideal (do beijo ao orgasmo) com base em cenas maquiadas. Do pezinho levantado ao desejo de ouvir frases românticas durante o ato, tudo foi colocado na nossa cabeça depois de ser muito bem ensaiado, roteirizado… ou seja: não tem lá muito a ver com o sexo real.

Já falamos aqui sobre como não basearmos a nossa primeira vez nas expectativas alheias, mas há um risco que ainda é pouco discutido: naturalidade. Além dos programas e séries comuns, a indústria pornográfica, infelizmente, moldou muito a nossa forma de ver o sexo. Os meninos se preocupam com a penetração e só, enquanto as meninas temem não emitir sons e fazer caras tão instigantes quando as das atrizes.
Ninguém falou para nós que sexo bom tem que ser daquele jeito, mas se algo é tão aclamado, é comum acreditarmos que aquele é o jeito que funciona, né? E aí, em vez de trabalharmos o autoconhecimento em relação ao prazer tentamos decorar as frases tidas como excitantes, as expressões vigorosas e os gritos ritmados que os rapazes da nossa idade parecem gostar tanto. O problema disso é que, invariavelmente, deixamos de lado a nossa forma única de sentir prazer. E isso é muito mau!

Temos que evitar cair nessa de reproduzir as performances ensaiadas e maquiadas, porque sexo não é nada disso. Sexo tem a ver com ouvir seu corpo, respeitá-lo e proporcionar um momento bacana, simples. Provavelmente, o seu jeito de reagir aos toques, aos beijos, às palavras, aos sussurros e ao próprio ato vai ser diferente do jeito da melhor amiga, da irmã mais velha, da Sasha Grey ou da mocinha da novela do fim da tarde, e isso é ótimo! Se a pessoa que você transar não estiver a fim de entender isso, é um sinal fortíssimo pra pular fora: nada forçado é bacana.

Não há jeito errado de reagir ao sexo e sentir prazer com ele. Se você só goza uma vez, se não sente nadica com penetração, se odeia sexo oral… tá tudo bem! Então em vez de gastarmos nosso precioso tempinho tentando seguir esses códigos silenciosos, e por vezes tão cruéis, que tenta nos moldar a algo que não somos, vamos bater mais papo sobre masturbação, por exemplo. Acho que conhecer nosso corpo, promover um diálogo bacana sobre sexo com a nossa parceira/o nosso parceiro e respeitar nossas vontades, ignorando o que o filme pornô manda, é a forma mais eficaz de deixar que o sexo seja uma experiência válida e prazerosa de verdade. E vocês?

Lola Ferreira
  • Revisora
  • Social Media

Lola tem 22 anos, mora no Rio e é apaixonada por ele e pelo jornalismo. Busca o contato com suas raízes a todo tempo, e deseja que todas as mulheres negras assim o façam. Lê, escreve e estuda muito - mas julga que nunca será suficiente. Deveria se importar menos com a opinião alheia, mas ao mesmo tempo ouvir os outros é o que mais gosta de fazer. Acredita em astrologia e no amor como chave para mudar o mundo.

  • Aunólle Michel

    Interessante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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