3 de julho de 2017 | Ano 4, Edição #35 | Texto: | Ilustração: Isadora Fernandes
Síndrome do impostor
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Você não consegue terminar nada do que começa. Sempre que tem uma ideia muito boa para fazer algo novo, desiste em menos de cinco minutos. Você é incapaz de acreditar quando te dizem que você é boa em alguma coisa; há sempre alguém mais inteligente, mais capaz, melhor ou mais rápido que você. Nada do que você faz é bom o suficiente. E, muitas vezes, você acaba desistindo de uma coisa com muito potencial na metade do caminho ― isso quando chega até a metade. Às vezes, as ideias morrem antes mesmo de começarem.

Soa familiar? Então talvez você, como eu, sofra da famosa Síndrome do Impostor.

Essa síndrome é provavelmente uma das mais comuns, mas também das mais difíceis de superar. Imagine-a como o diabinho que fica empoleirado no seu ombro, te dizendo coisas horríveis a respeito de você mesma: que seu trabalho não é bom o bastante, que nada do que você conquistou é mérito seu, que você não é competente naquilo que faz. Ela pode afetar pessoas de todos os ramos e áreas de trabalho, e o resultado é sempre o mesmo: a autossabotagem.

É muito comum acreditarmos que aquilo que a gente almeja é difícil de alcançar, mas, às vezes, o maior empecilho está em nós mesmas. Seja na falta de coragem para dar o primeiro passo, ou naquele hábito de largar todos os projetos pela metade em vez de insistir até que eles deem certo, nosso maior erro muitas vezes é não confiar na nossa própria capacidade.

Mas como eu faço para sair dessa?

A primeira dica é a mais óbvia e talvez a mais difícil: acredite no seu potencial. Isso vai além de confiar no seu taco quanto ao seu talento, seus conhecimentos e o seu trabalho, mas também em aceitar quando as pessoas te elogiam. A gente tem essa mania de achar que quem aceita elogio é convencida, mas não é bem assim; acreditar, agradecer e internalizar quando te dizem uma coisa bacana sobre você é um passo a mais para pensar aquelas coisas sobre si mesma. Você é boa no que faz! Confie nisso!

Isso não quer dizer, é claro, que você é necessariamente a melhor em absolutamente tudo que existe nessa vida, né?! E esta é a segunda dica: aceite que há outros melhores que você. Mas aceite também que isso não desmerece o seu trabalho: não se compare aos outros. Limite-se a fazer o seu melhor, sem pensar no quanto fulano tem mais talento ou siclano faz coisas mais bonitas. Concentre-se no seu!

E, por fim, não desista! Concentre-se em terminar um projeto de cada vez, em vez de abandonar tudo que começa pela metade. Cole mensagens motivacionais nas paredes, no seu computador, na sua mesa de trabalho. Sempre que aquele diabinho pintar no seu ombro, repita a si mesma que você é capa, e corra atrás daquilo que quer, antes que ele tenha a chance de atacar de novo.

Você é capaz. Você é talentosa. Você é boa no que faz. E só quem pode dar o primeiro passo é você.

Larissa Siriani
  • Colaboradora de Audiovisual

Larissa Siriani é uma paulistana que nunca fez a menor ideia do que queria fazer da vida - até começar a escrever. Formada em Cinema, é autora de Amor Plus Size e outros livros e comanda um vlog literário que leva seu nome. Vive em São Paulo com os pais, dois irmãos mais velhos e três cachorros, e sonha em viajar o mundo, conhecer seu príncipe encantado e encabeçar a lista de bestsellers (não necessariamente nessa ordem).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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