16 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração: Laura Athayde
Sobre as cores e os sons

Acho importante começar este texto explicando o que é sinestesia: uma experiência sensorial que faz com que algumas pessoas tenham mais de uma sensação, vinda de sentidos diferentes, com um mesmo estímulo. Calma, quê? Vou explicar. É mais ou menos assim: um sinesteta (pessoa que experiencia a sinestesia) pode ouvir uma música ou a voz de alguém e ver cores e formas. Ele pode também sentir algum cheiro com determinado som, ou até um gosto.

É importante destacar que sinestesia não é uma doença: é só uma condição neurológica, uma variação em como seu cérebro processa as coisas. Estudos dizem que todos os seres humanos são sinestetas ao nascerem; em um bebê de seis meses, a resposta do cérebro é sempre similar, independentemente do estímulo. Então, o que faz grande parte da população deixar de ser sinesteta? Quando a gente cresce, nosso cérebro começa a separar as respostas de cada estímulo, como uma espécie de ilha sensorial para cada estímulo.

Para a maioria das pessoas, as experiências sensitivas acontecem uma de cada vez, ou seja, quando você ouve uma música, você não envolve outros sentidos como visão ou olfato; uma em cada vinte e três pessoas experimentam essa percepção multissensorial. Normalmente, a sinestesia não é imaginada na cabeça, e sim projetada para fora do corpo: quem a experimenta vê essas cores ou formas como algo real. Por muitos anos, discutiu-se se a sinestesia era de fato verdadeira. Ela só foi se firmar como conceito no final do século XIX, quando os movimentos artísticos procuravam um hibridismo de sentidos. Existem casos de sinestetas cegos que “enxergam” as cores com sons diversos; há relatos de pessoas que eram sinestetas, ficaram cegas e continuaram a ver ou sentir as cores, o que só prova que a sinestesia é algo real e complexo.

A sinestesia não ocorre por associação: quem vê a letra A da cor vermelha não o faz porque viu assim em livros infantis e assim aprendeu, por exemplo. Tampouco é uma memória ou uma forma de dizer as coisas, como por exemplo vermelho-berrante. Além disso, as cores de uma mesma palavra ou gosto de um mesmo som são sempre constantes. Por exemplo, a palavra fronha sempre vai te remeter à cor azul.

A artista israelense Michal Levy, que vê formas geométricas e cores quando ouve alguns sons, resolveu transformar a sua sinestesia em vídeo. Criou uma animação em que dá claramente para perceber como as cores e as formas surgem conforme há variação na música. Vale a pena conferir!

Giant Steps by Michal Levy from Csongor Fabian on Vimeo.

Marina Monaco
  • Colaboradora de Música
  • Social Media
  • Audiovisual

Marina tem 25 anos, mora em São Paulo, é formada em Audiovisual e cursa Produção Cultural. É apaixonada pela cor amarela, por girassóis e pela Disney. Ouve música o dia inteiro, passa mais tempo do que deveria vendo séries e é viciada em Harry Potter (sua casa é Corvinal, mas reconhece que tem uma parte Lufa-Lufa).

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