29 de maio de 2014 | Ano 1, Edição #2, Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração:
Sobre educação e meninas invencíveis
Ilustração: Bab Is.
Ilustração: Bab Is.

Ilustração: Bab Is.

Quando falamos de escola, sempre temos uma memória. Vêm-nos à cabeça uma aula que gostávamos, uma matéria que nos encantou, uma professora ou professor que mudou nossas ideias. A escola, sem sombra de dúvida, teve um papel fundamental, de construir e desconstruir grande parte do que somos. Mas será que todos têm acesso à escola? E mais, será que TODAS o tem?

Em vários países o acesso à escola para meninas e adolescentes é negado. Disso decorre uma perpetuação de um padrão de pobreza que atinge mais gravemente as mulheres do que os homens. Sem educação, as meninas se tornam adultas e não têm possibilidade de obter trabalhos com melhores remunerações, seguindo marginalizadas e subordinadas a condições de exclusão e violência. Inconformada com esse cenário, uma menina de apenas 12 anos teve uma iniciativa para mudar essa realidade: Malala Yousafzai criou um blog para retratar sua vida no Paquistão, sob o domínio do movimento Talibã, de orientação fundamentalista islâmica, que, muitas vezes, despende tratamentos desiguais e até desumanos contra mulheres. O Talibã proibiu diversas vezes o acesso de meninas como Malala à escola. A história de Malala teve, então, uma continuação trágica, mas que se desenvolveu em muitos projetos positivos.

Malala sofreu uma tentativa de assassinato por um membro do Talibã, em 2012. Ela ficou gravemente ferida, mas, por uma iniciativa internacional, pode ser levada à Inglaterra, onde após vários meses, se recuperou. A repercussão desse caso na mídia internacional foi enorme e, assim, muitos projetos em prol do direito à educação de meninas e adolescentes se tornaram bandeiras para diversas organizações. Para conhecer mais sobre a história de Malala Yousafzai, a publicação Eu sou Malala, da Cia. Das Letras, é uma boa opção. O livro original é em inglês, mas foi traduzido integralmente ao português.

O pai de Malala, Ziauddin Yousafzai, advoga pelo direito à educação de meninas e foi uma fonte de inspiração para Malala. Ele manteve sua escola em funcionamento no vale de Swat, região do Paquistão em que o Talibã proibiu diversas vezes o acesso à escola por meninas. Atualmente, Ziauddin é consultor da ONU sobre educação global. []


Assista sua palestra no TED Talks! A palestra é em inglês, mas é só clicar no canto direito para legendas em português.

Um desses projetos inspiradores é o Girl Rising. O movimento surgiu como uma campanha mundial para advogar pelo direito à educação de meninas e jovens. A primeira iniciativa do movimento foi produzir um filme no qual a história de nove diferentes meninas é retratada. Todas elas vêm de países mais pobres, chamados de países em desenvolvimento: Camboja, Haiti, Nepal, Egito, Etiópia, Índia, Peru, Serra Leoa e Afeganistão. Cada história é escrita por uma importante autora do país de cada menina, o que traz a idéia de “dar voz” tanto às meninas quanto às escritoras, como parte do processo.

Cada retrato traz as especificidades das dificuldades vividas por meninas e mulheres em cada país. Todavia, todas elas têm um sonho comum: o acesso à escola e educação como ferramentas para saírem de um ciclo de pobreza e violência que vivem. As questões vividas pelas meninas são diversas: casamento infantil (em que meninas de até seis anos são oferecidas como troca por dinheiro ou bens), violência sexual, trabalho escravo, extrema pobreza, guerras civis, questões ambientais. Todas essas adversidades se dão por desigualdades calcadas em gênero, ou seja, pelo fato de serem meninas.

Rise significa levantar, surgir ou ascender. Essas meninas nos mostram que devemos sempre lutar pelos nossos sonhos, por mais difíceis ou impossíveis que nos pareçam e que devemos acreditar na nossa própria voz, pois é ela que nos leva aonde quisermos. No site do Girl Rising, você pode saber mais sobre o projeto, como se engajar e como assistir o filme.

Debora Albu
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Debora é mestra em Estudos de Gênero e é formada em Relações Internacionais. É carioca, apesar de ter passado uma temporada da vida em Paris e todo mundo a chamar de "francesinha" - por vezes acredita ser verdade. Faz parte da gestão da Agora Juntas, um rede de coletivos feministas no Rio de Janeiro. É ciberativista e feminista antes mesmo de entender o que essas palavras significam.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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