28 de julho de 2015 | Ano 2, Edição #16 | Texto: | Ilustração: Bárbara Fernandes
Sobre internas

Quem já não passou por essa situação: em uma roda de amigos, duas pessoas com algo em comum começam a falar sobre coisas que você, do lado de fora, não entende. Quando pergunta para uma delas sobre o fato de não entender o que está sendo falado, uma tenta explicar, porém, você continua a não entender nada.  Enquanto você as observa, percebe que a situação parece ser bem divertida, apenas pela linguagem corporal que está rolando naquele momento. Sim, elas estão tendo uma interna e isso não tem nada a ver com você.

Passamos por internas o tempo todo, seja participando delas, seja olhando do lado de fora. A interna acontece quando duas ou mais pessoas que passaram por uma situação juntas, ao encontrar circunstâncias parecidas, se lembram e relembram do fato com um olhar, fala ou apenas um sorriso. Passamos por coisas com os outros que apenas nós entenderemos porque estávamos lá: sentindo o cheiro, vendo o que estava acontecendo, vivenciando o momento, as internas são mais comuns do que parecem… São segredos que compartilhamos todo dia com diversas pessoas.

Isso acontece com todo tipo de relação pessoal. Pai, mãe, amigos, chefe, colega de escola, professores… A situação que passamos com o outro é única e falar sobre ela é inevitável. Assim construímos amizades duradouras, memórias afetivas e desenvolvemos nossas lembranças ao longo dos anos. Mas como fazer quando a interna ali citada não tem a ver com você?

Primeiro, é necessário entender que não há nada demais em não entender o que está rolando ali, justamente porque certas circunstâncias só têm importância ou graça naquele momento para aquelas pessoas que têm um histórico comum. Quando passa, a graça permanece apenas para quem participou, não para quem não estava incluído na situação. Às vezes o sentimento é transcendente e acaba te incluindo. Mas se isso não acontecer, não se preocupe, é normal e não precisamos entender tudo, não é mesmo?

E para você, qual a sua interna favorita? Aquela que você ri toda vez que vê algo que te lembra essa situação? Aquela que faz você pensar sobre seu relacionamento com determinada pessoa? As memórias estão em todos os lugares, ruas, cheiros, cores… Qual é aquela que te faz sair do presente e te transportar para uma boa parte do passado?

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Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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