8 de março de 2016 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Beatriz H. M. Leite
Sobrevive o melhor cozinheiro!

Você já parou para pensar que cozinhar é algo muito “humano”? Afinal, acredito que você nunca tenha visto seu cachorro cozinhar, certo? Nós de fato somos a única espécie no mundo que cozinha alimentos antes de ingeri-los.

Talvez neste ponto você pense: mas é lógico, quem gosta de comer carne crua? E quem conseguiria comer batatas cruas? Mas a nossa relação com os alimentos cozidos data de muito antes do que você imagina – estou falando de mais ou menos 1,5 milhões de anos atrás, quando nosso ancestrais passaram a utilizar o fogo para cozinhar alimentos.

Uma famosa cientista brasileira Suzana Herculano-Houzel conduziu uma pesquisa muito elegante sobre o tamanho e número de neurônios do cérebro de diversos animais e conseguiu estabelecer uma relação entre o cérebro humano e a nossa cultura, principalmente no que diz respeito a obtenção de alimentos.

É muito maluco pensar que tantos ecólogos passam anos estudando o forrageamento (nome chique para como os animais se alimentam na natureza) e possamos ter deixado de lado o nosso jeito de obter comida, né? A vantagem em cozinhar alimentos é facilitar a digestão deles, portanto podemos obter mais energia em menos tempo do que se comêssemos apenas alimentos crus. Por exemplo, quanto tempo você demoraria para comer 10 maçãs cruas? E quanto tempo demoraria para comer 10 maçãs assadas, ou até uma torta de maçã? Demoramos muito mais para mastigar e/ou triturar alimentos crus então, se fizermos as contas, cozinhando alimentos podemos comer mais maçãs em menos tempo, e então obter mais energia gastando menos tempo nos alimentando. Pode até parecer algo muito simples e banal, porém esse passo que demos ao aquecer alimentos e facilitar nosso trabalho para digeri-los foi essencial para que pudéssemos passar mais tempo fazendo outras coisas em vez de só se alimentar durante 8 horas do nosso dias (imagina que gorilas passam até 8 horas e meia por dia mastigando vegetais crus!).

Outra coisa que Suzana descobriu foi que essa capacidade de obter muitas calorias em poucas horas de alimentação diária também nos permitiu sustentar energeticamente um número muito grande de neurônios. Explico: o tamanho do cérebro não é diretamente proporcional ao número de neurônios que ele possui, isto é, dois cérebros do mesmo tamanho podem ter número de neurônios diferentes. Isso explica, por exemplo, como um cérebro maior não leva necessariamente a um comportamento mais complexo de um animal. As baleias têm cérebros que chegam a pesar 9 kg! Porém, elas não têm um número absurdo de neurônios. Tá, mas qual a relação disso com a alimentação?

Você já ouviu falar que nosso cérebro consome muita energia, né? A quantidade de energia que o cérebro consome não é exatamente proporcional ao tamanho do cérebro, mas sim ao número de neurônios que ele tem. Então, quanto mais neurônios temos, mais energia consumimos, e nós gastamos diariamente 25% da nossa energia apenas para manter nossas células nervosas vivas!

E afinal, quantos neurônios nós temos? Vou te dar uma dica: consumimos cerca de 6 calorias para cada bilhão de neurônio, e em média gastamos 516 calorias para manter nossas células operantes.

Se você quiser saber mais sobre esse assunto (e descobrir se você acertou a conta de quanto neurônios temos e como Suzana e sua equipe chegaram a esse número), a palestra dela está disponível no site do Ted com legendas em português 😉

 

 

Carolina Sapienza
  • Colaboradora de Relacionamentos e Sexo
  • Revisora

Carol nasceu em 1991 e mora em São Paulo. Bióloga que queria ser de humanas, gosta de escrever sobre ciência mas mantém o caderninho de poemas sempre na bolsa.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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