21 de outubro de 2015 | Ano 2, Edição #19 | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Socorro, cresceu uma coisa estranha na ppk! – o que são DSTs?

Pra todas a adolescência é uma fase intensa de busca de sentido, de identidade, de rumos, de autonomia. Pra algumas pessoas, é também a fase de descobertas sexuais, que nem sempre ocorrem de maneira segura e protegida. Constantemente vemos os adultos falarem em irresponsabilidade e no fato de que a informação está aí pra todo mundo. Mas será que isso é realmente verdade? Nessa hora, é preciso ter em mente recortes raciais e de classe e olhar de forma crítica para onde essa informação realmente chega. A nossa educação sexual é falha e repleta de mitos, tabus e preconceitos. A prevenção e o diálogo ainda são as melhores armas. Pensando nisso e pensando na gravidade de algumas consequências de práticas sexuais desprotegidas, vim aqui falar um pouco, da forma mais descomplicada que consegui, sobre DSTs.

(Todas as informações dadas aqui foram retiradas de órgãos ligados ao Ministério da Saúde e do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Também pedi auxílio a amigas da área da saúde. É importante frisar a importância de que é fundamental que você consultar também uma médica para que as demais dúvidas sejam tiradas e para que você possa se sentir segura e melhor mais bem informada, ok? E sim, eu sei que existem algumas maneiras alternativas de formas de cuidado do corpo e tratamento para algumas questões, mas eu não me sinto segura em relação a esses caminhos, então seria irresponsabilidade de minha parte trazer mencionar outras maneiras se eu pouco sei sobre elas, certo?)

O que são?

Mais popularmente conhecidas como DSTs, as doenças sexualmente transmissíveis são um problema de saúde pública e são originadas por bactérias, parasitas e vírus. Elas podem ser transmitidas principalmente através de contato e/ou relação sexual sem camisinha com alguém que esteja infectado, por transfusões de sangue e ao dividir agulhas de seringas infectadas.

Como se manifestam?

Elas comumente se manifestam em forma de corrimentos, feridas, verrugas, irritação, dor, ardência, caroços e bolhas. Mas o contrário também pode ocorrer. Pode ser que não apareça nenhum sintoma significativo ou externo. Então, é muito importante que você tenha em mente que pode e deve procurar orientação da unidade de saúde mais próxima de você.

Prevenção

Em seus contatos e visitas médicas, é muito necessário que você consiga ser o mais transparente possível. É preciso que essa pessoa esteja a par de seu histórico e comportamento sexual e, caso você menstrue, do seu ciclo menstrual também. É neste espaço onde também serão fornecidas informações de higiene e dúvidas sobre seu corpo poderão ser tiradas.

Eu tenho a consciência de que há falhas no nosso serviço e atendimento em saúde, mas é importante que você saiba que um atendimento humano e livre de julgamentos e preconceitos é um direito seu também.

Alguns hábitos de higiene também são fundamentais na hora de preservar a saúde de seu corpo. Você sabia que não é recomendado o compartilhamento de roupas íntimas? É bacana também ter o acompanhamento médico e usar preservativo em suas relações (eles são distribuídos em postos de saúde, você tem todo o direito de pegar!).

Algumas das doenças sexualmente transmissíveis mais conhecidas

Aqui, nada daquelas imagens assustadoras que costumam passar como forma depara causar choque nos chocar. Eu acredito que a melhor forma é ainda seja a prevenção através da informação despida de moralidades. Conheça, sinta seu corpo, e esteja atenta a alguns sinais.

HPV: É causado pelo Papilomavírus humano, podendo chegar a provocar câncer. O seu diagnóstico é feito através de exames, o mais conhecido é popularmente conhecido como papanicolau e é aconselhado que seja um procedimento de rotina. Ele é capaz de identificar deformações no colo do útero. Apesar de causar verrugas nos genitais, é possível também que uma pessoa esteja infectada com o vírus mas não apresente sintomas. Clique aqui pra mais informações.

AIDS: É a síndrome da imunodeficiência adquirida, causada pelo vírus conhecido como HIV. O HIV ataca as células responsáveis por defender o nosso sistema imunológico, que acaba ficando vulnerável e desprotegido, nos deixando mais suscetíveis a contrair outras doenças. Os sintomas podem demorar anos para se manifestarem. O diagnóstico é feito através de exame de sangue. Ainda não há cura, mas é possível fazer o tratamento gratuitamente pelo SUS e ter sim qualidade de vida. Clique aqui pra mais informações e aqui para saber onde fazer o teste pelo país.

Gonorreia: É causada por uma bactéria. Seus sintomas envolvem ardência ao urinar, secreções com cheiros fortes e desagradáveis, sangramentos fora da época da menstruação e dor durante o ato sexual. Os sintomas costumam se manifestar num período de 2 a 10 dias a partir da contaminação. Exames e a coleta de secreções são capazes de confirmar a presença da doença.

Clique aqui para mais informações sobre outras doenças sexualmente transmissíveis.

O que devo fazer na suspeita de uma DST?

Fale com a(s) pessoa(s) com quem você se relaciona sexualmente. É necessário que você converse e informe sobre sua suspeita. Imagino que não deva ser fácil, mas lembre-se que essa pessoa também merece saber e é indicado que também procure ajuda profissional. O recomendado é que vocês evitem relações sexuais enquanto isso. Ao procurar ajuda, diga tudo o que você tem sentido e quais sintomas tem percebido, mesmo que você não os julgue tão importantes.

Onde procurar ajuda?

Como muitas dessas doenças não causam sintomas, é comum que sejam ignoradas. É importante que você não aja desta forma. Repasse as informações e, caso aconteça com alguma pessoa próxima, a incentive para procurar o tratamento adequado. Vá a Unidade de Saúde mais próxima de sua casa.

+ LINKS

CARTILHA – Fique amiga dela – Fique Amiga Parte III Corrimentos: as alterações e DSTs
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
DST, HPV e outras siglas silenciadas
Dúvidas frequentes
Cuidados com a higiene

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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