14 de maio de 2014 | Ano 1, Artes, Edição #2, Música | Texto: | Ilustração:
Sonho de encontrar seu ídolo
Ilustração: Bárbara Carneiro.

Ilustração: Bárbara Carneiro.

Quem nunca ouviu uma música e pensou “Escreveram essa pensando na minha vida!” que atire a primeira pedra. Acontece quase todos os dias com quase todo mundo, e depois que essa identificação acontece, você se sente quase como uma amiga íntima da cantora, da escritora, da atriz. E chega até a pensar sobre o quê vocês conversariam se fossem amigas mesmo, para onde iriam, o que comeriam…

E quando, por um acaso do destino (ou muito esforço), você consegue de fato concretizar esse sonho, que outrora parecia tão distante? A Bia passou por isso em 2010, olha que incrível:

“Comecei a gostar de Franz [Ferdinand] em 2004 ao vê-los na MTV. A música Take Me Out me capturou de tal forma que me fez comprar o primeiro CD, que não saía do rádio da minha casa. De tanto ouvir ficou desgastado a capinha e a parte de plástico quebrada dentro. Eu era verdadeiramente uma fã deles, sabia de tudo, ouvia todas as músicas – inclusive lados B. E em 2009 finalmente fui a um show deles. Não, não que era o primeiro show deles, mas em 2006 (acho) não tinha 18 anos e não podia entrar no clássico show que a banda fez no Circo Voador com ingressos esgotados em meia hora. Em 2009 o show foi na Fundição e saí antes do final porque sim, eu já tinha mais de 18, porém tinha horário para sair de casa (o show acabou 1 da manhã e sai de lá meia noite e meia). Em 2010 voltaram para o mesmo lugar no RJ e, com mais liberdade, eu fui ao show quase lotado, fiquei na frente e quase morri esmagada na grade. Sempre fui lerda para saber de hotel onde meus ídolos estavam e nunca havia me passado pela cabeça de ir à porta antes de conhecer algumas pessoas mais safas num show do Interpol em 2008. E foi neste show, neste mágico final de semana, que uma das melhores histórias aconteceu na minha vida.

O show havia acabado, eu estava morta e fedendo (calor no RJ + Fundição Progresso lotada + gente pulando o tempo inteiro) junto com minhas amigas, que estavam no mesmo estado. Quem é carioca sabe que os ônibus param de circular depois de certo horário e por aqui não é tão seguro voltar para casa às 2 da manhã. Ficamos em alguns bares na Lapa esperando dar 5 da manhã e/ou o sol aparecer para pegarmos a condução de volta para nosso lar. E em frente ao antigo Cine Lapa a editora-chefe desta revista, Sofia Soter, aparece nos avisando com alegria que todos os caras do Franz Ferdinand estavam no teatro Odisséia. Lembro que de tão eufóricas corremos até a boate, que é logo ali na Lapa. Ficamos esperando eles saírem, já que no estabelecimento tem apenas uma entrada e saída. Não demorou muito para que o vocalista, Alex Kapranos, sair de lá, bêbado e sorridente, abraçando todo mundo (inclusive eu) e tirando foto com todos. Depois da festa, duas pessoas tiveram a brilhante ideia de seguir a van da banda para saber onde eles estavam hospedados. E ao dormir por apenas 4 horas (cheguei em casa às 8 da manhã e fui acordada alegremente por uma colega dizendo que eles estavam no Leblon), cheguei aonde estavam e logo todos os integrantes estavam lá, conosco. Cheguei a pedir um abraço para o guitarrista, que deu sem se opor.

Foi um dos momentos mais alegres da minha vida. Um final de semana perfeito, principalmente porque todos são simpáticos e solícitos com todos os fãs. Falo no presente porque isso não mudou com eles.

Foi algo tão forte, conhecemos pessoas, fizemos amizades e mesmo tendo conhecido mais gente depois deles, nunca foi tão especial como foi neste dia.”

Assim como a Bia, muitas meninas – eu inclusive! – vão atrás de onde seus artistas estão hospedados para pedir autógrafos ou até mesmo ganhar um abraço. O melhor jeito de conseguir isso é, se não vir a van da banda por aí, ligar para vários hotéis, em inglês (se você não falar, peça para uma amiga que fale bem inglês ligar por você), e pedir para saber se a pessoa está lá (sempre use o nome original da pessoa, não o artístico). Funcionou tão bem comigo que acabei conhecendo a Lily Allen, a banda Kaiser Chiefs, a banda The Kooks, a Regina Spektor (minha cantora favorita! Dei um abraço nela e um bichinho de pelúcia), e ainda de brinde o Bloc Party, o Foals e o The Offspring (estavam no mesmo hotel dos Kaiser Chiefs).

Agora, não se esqueça: Apesar de que a realização desse sonho seja muito maravilhosa, nunca, eu repito, nunca invada o espaço dos seus ídolos. Pense que eles(as) estarão cansados, sofrendo com o fuso-horário, devem ter dormido mal e só querem um pouquinho de paz. Invadir o quarto, puxar roupa, roubar boné, abraçar sem permissão são inadmissíveis!

Agora coloque seus tênis mais confortáveis, chame mais umas amigas que compartilham o amor e vão lá bater um papo de amiga com a sua cantora preferida!

Nicole Ranieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Vlogger

Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

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