10 de outubro de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Izadora Luz
Stalkeio sim, stalkeio não

Vou ver as fotos de perfil do menino que eu tô ficando. Em determinado momento das fotos — lá pra 2012 ou 2013, não lembro — uma menina está marcada na foto de perfil. Eu olho o nome e reconheço como a ex. Clico no perfil dela. Começo vendo as fotos dos dois juntos. Agora eu olho as fotos de perfil dela com mais calma. Eu não acho ela mais bonita do que eu, mas mais magra.

Meu ex-namorado trocou a foto de perfil. Foram três horas. Eu passei três horas da minha vida olhando o perfil de todas as meninas que curtiram a foto dele — todas as meninas que eu não conheço. Quem ele curtiu a foto de perfil de volta? Quem eu acho bonita? O pior de tudo: quem eu acho mais bonita do que eu? Quem é mais bonita do que eu e ele curtiu a foto de perfil?

Meu ex-namorado não tem Facebook. Eu vejo o perfil da atual dele dia sim, dia não.

Quando a gente estava namorando stalkeei todas as exs dele, mas me achei mais interessante que todas elas, não necessariamente mais bonita, mas mais interessante. Me senti culpada de pensar isso, mas acalmou meu coração.

Eu descobri que meu ex ia gastar todo o dinheiro que eu havia emprestado numa viagem/curso X, sendo que ele tava tipo falido (e até hoje não me devolveu o dinheiro).

Uma vez tava andando no campus e daí eu dei informações prum gringo MUITO GATO e tudo que eu sabia era o nome e que ele era da Espanha. Descobri tudo no Facebook e descobri até a altura dele no site de um time de basquete em que ele jogou na Espanha.

Meu ex-namorado mudou a foto dele de perfil no WhatsApp. A nova foto era um mapa. Salvei a foto e comecei a jogar no Google “Mapa do Nordeste”; “Mapa da Europa”. Fui comparando até descobrir aonde no planeta ele estava.

Além de serem um pouco cômicas, essas confissões servem pra dizer que: todo mundo stalkeia os outros. Não adianta mentir. Quer dizer, se você não stalkeia, conta sua receita nos comentários, por favor. É normal a gente querer saber da vida das pessoas que estão entrando, saindo ou permanecendo nas nossas vidas. E Instagram e Facebook são ferramentas perfeitas pra isso. Diria quase que esse é o real objetivo das redes sociais.

Só que o que o stalkear tem de particular é que não é exatamente um ato superinocente. Você pode fuxicar a página da sua melhor amiga no sábado às duas da manhã sem medo de curtir uma foto sem querer e, bom, você pode fazer isso com quem você quiser porque somos seres livres, mas se for a foto da ex pega meio mal, né? Vamos colocar a mãozinha no coração e perguntar: pra que a gente tá indo no perfil dessas pessoas? É pra admirar as fotos do crush? É por saudade? É por ciúme? É por tédio?

Acho que a gente precisa se perguntar pra que a gente quer saber desse tipo de coisa. Será que faz mesmo sentido saber tudo que o carinha que você tá a fim já fez na vida? Saber todos os lugares que sua ex vai?

Pelas confissões e por experiência própria, eu diria que não estamos tirando coisas muito boas desse hábito. É só uma coisa que a gente faz porque tá acessível, mas que gera muita ansiedade e angústia pra pouca solução. Porque não tem solução, as pessoas são livres e vão fazer o que elas bem entenderem ou postar sobre isso. A gente não tem controle e nem é pra ter, porque podemos fazer a mesma coisa.

Também não tô falando que a gente deva se culpar por esse tipo de coisa, até porque tem níveis e níveis, mas a gente precisa saber reconhecer quando uma coisa tá simplesmente fazendo mal.

Ok, ok, mas o que fazer na hora que seu dedo estiver coçando pra ir lá e fuxicar a vida de todo mundo? Aqui na Capitolina nós criamos um sistema que se chama “não stalkeie um ex, stalkeie uma capitolina”, que é basicamente ir olhar as fotos das amigas e curtir tudo sem culpa.

Também acho que dependendo do que você quiser saber, vale a pena perguntar. Se é algo que você pode perguntar, pergunta, você vai saber mais e melhor do que se ficasse horas olhando a timeline.

Por último, podemos nos perguntar? Será que eu realmente quero saber isso? Você vai ver que muitas vezes a resposta é simples: não.

Brena O'Dwyer
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Brena é uma jovem carioca de 22 anos que cada dia tem um pouco menos de certeza. Muda de opinião o tempo toda e falha miseravelmente na sua tentativa de dar sentido a si mesma e ao mundo em que vive. Gosta de ir ao cinema sozinha as quintas a noite e de ler vários livros ao mesmo tempo. Quase todas as segundas de sol pensa que preferia estar indo a praia, mas nunca vai aos domingos.

  • Patricia Cunha

    Gente. Foi pra mim esse post? Pergunta só pra Nicole Ranieri (nico co) se não foi pra mim porque eu acho que foi. Não da pra marcar ninguém aqui não? Só gera angústia e ansiedade, e a gente faz porque em nome de Jesus? hahaha! Hoje em dia eu adotei um mantra que levo pra stalkeios e pra meditação. Quando vem algo inútil na cabeça eu penso “foda-se”. As vezes fico repetindo isso alguns minutos até esquecer mesmo, mas as vezes 1x só basta, e quando isso acontece fico muito feliz. Não deve ser muito bonito trocar o “om” por “foda-se”, mas é o que tem funcionado melhor. hahaha! Curti seu post! Vou stalkear as migas, ou tentar!

  • Larissa

    Gente, eu não tenho rede sociais – e vivo bem sem! – mas, recentemente comecei a namorar e o moço tem face, insta, twitter e afins e minhas amigas ficavam stalkeando o bendito e querendo me mostrar os “relatórios”, digo uma coisa: é muito tentador querer saber da vida alheia e se você não tem um certo controle você perde muito tempo com isso e cria muitas neuras desnecessárias sobre assuntos que são totalmente irrelevantes! Não faça isso, não perca seu precioso tempo, amiga.
    Enfim, curti muito o post!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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