5 de setembro de 2014 | Edição #6 | Texto: | Ilustração:
Subcultura gótica
Ilustração: Jordana Andrade.

Ilustração: Jordana Andrade.

Tem muita gente que só conhece eles por ser aquele pessoal que se veste de preto e gosta de passear no cemitério. Mas já parou para pensar que talvez nada disso seja aleatório? A subcultura gótica existe desde a década de 70, e faz referência tanto ao pós-punk da década de 80 quanto a tribos bárbaras na Europa.

Dá pra imaginar, então, que a história, a filosofia, a literatura e a cultura em geral são parte importante desse estilo. A música é um elemento super marcante para os góticos, desde música clássica até bandas como Talking Heads e Echo & The Bunnymen. O gótico se estabeleceu como subcultura na época dessas bandas, que eram consideradas mais sombrias e decadentes.

O interesse pelo estudo de determinados temas é muito forte, e a própria estética, de se vestir de preto, com maquiagem pesada, faz parte dessas ideias de desencantamento. Sob a influência do romantismo europeu e até de conceitos filosóficos como o niilismo, o gótico tem ideias intelectuais bem fortes. A atração pelo sombrio e mesmo pela morte vem muito dessas influências, que falam frequentemente do fim da vida, do sofrimento e da melancolia.

Uma das coisas que falam muito sobre góticos é a relação com a religião e os símbolos religiosos, mas na verdade o estilo não propõe nada nesse sentido. O uso de crucifixos é frequente como ornamento e símbolo de sacrifício, mas não tem necessariamente relação com cristianismo. Por isso os cemitérios também têm um papel forte, por exemplo. Essa relação com ideias de provação e morte é na verdade uma forma de pensar e analisar coisas que estão sempre presentes no mundo, mas que, por serem questões pesadas e sombrias, algumas pessoas preferem deixar de lado.

A cultura gótica, no fim das contas, é mais um dos jeitos de enxergar o mundo, só que como é um pouco diferente do que é considerado a norma, pode assustar e incomodar algumas pessoas. Mas por trás da filosofia básica, não tem nada que faça mal a ninguém – e pode até fazer você pensar de outro jeito.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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