22 de junho de 2016 | Ano 3, Edição #27 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Talvez o amor romântico não seja para mim…

Todas nós em algum momento, geralmente logo na primeira infância, somos apresentadas ao ideal de amor romântico; a mocinha que se apaixona perdidamente pelo príncipe encantado, as almas gêmeas que se encontram, as metades da laranja que se completam. Os filmes, as novelas, os contos e as histórias se encarregam de perpetuar esse mito no nosso imaginário, e é quase impossível se desvencilhar dessa ideia ao longo dos anos e das nossas experiências amorosas.

Quem não quer se apaixonar, amar e ser amado? Acredito que essa sensação é uma das melhores do mundo, mas quando ter alguém ao seu lado passa a ser um objetivo de vida, é sinal que alguma coisa está fora de ordem.

A ideia de amor romântico surgiu no Ocidente e vislumbra o parceiro(a) como aquele de quem dependemos para ser feliz. Sem ele/ela não há completude ou mágica, logo o medo de perdê-lo nos faz manifestar os mais absurdos sentimentos, como a posse e o ciúme. Outro ingrediente do amor considerado “perfeito” é a idealização do outro, aquele atribuir de características que você gostaria que seu/sua companheiro(a) tivesse. Mas é claro que perseguir um ideal de perfeição que, na verdade, é inatingível só causa frustração, e fica fácil perceber que esse ciclo é profundamente prejudicial para os relacionamentos. Ou seja, a ideia do amor romântico cria mulheres e homens decepcionados com suas relações que não alcançaram a plenitude.

Mas será que é tão difícil assim quebrar esse molde e desapegar desse conceito?

Felizmente essa não é a única forma de amar. Apesar da nossa construção social ainda se basear muito nos ideais do amor romântico, há quem consiga enxergar além e amar a si próprio em primeiro lugar, respeitando suas individualidades e focando em se conhecer antes de pular de cabeça numa relação. Assim a única obrigação que passamos a ter é a de nos fazer feliz, em vez da responsabilidade de satisfazer e suprir as necessidades alheias.

Portanto, se o amor romântico ainda não apareceu na sua vida, relaxe! Entenda que enquanto você não se processar enquanto indivíduo e se perceber como um ser independente, a relação com o outro não será nunca de amor, e sim, de dependência afetiva.

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Júlia Freitas
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Júlia Freitas, jornalista em busca do mestrado perfeito, se interessa por tantas áreas que não sabe por onde começar. Típico de libriana. Militante afrofeminista e dos movimentos sociais, morou em Nova Iorque e lá estudou de tudo um pouco. Mas o dendê corre na veia e ela voltou pra Bahia. Por enquanto.

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