26 de novembro de 2014 | Ano 1, Edição #8 | Texto: | Ilustração:
Teatro: movimentando sua arte
Ilustração: Marina Sader.

Ilustração: Marina Sader.

“O corpo mexe-se como um copo quente, quente é o corpo que não se esquece, que vai lá e se aquece, ao movimentar-se em cima do palco, e cima muito alto, ao vasto vazio da platéia, uma plena multidão da solidão, é o movimento sólido que me move, são os movimentos constante que nos constroem…”

Eu poderia dar ~aulas~ de como desenvolver melhor seu movimento no palco, como se soltar, como evoluir na sua projeção, técnicas, dicas, uhul, coisas incríveis. Porém não o farei, e não por ser egoísta e querer guardar essas coisas pra mim, mas sim porque eu simplesmente não sei mesmo.

Não sei porque talvez, pra mim, não exista (ok, existe, mas não é esse o caso).

Digo que não existe porque não deveria existir mesmo. Na minha concepção vaga e rala de teatro, muito se inclui de uma libertação física e um autoconhecimento do seu corpo.
É importantíssimo ter técnica, ter postura, fala bem projetada, e todos esses afins, mas quando se falta o movimento, e muito mais que o movimento físico, o movimento interno, um movimento sincero teu, aí fica um tanto quando muito mais complicado.

Vejo movimento em tudo que toco dentro da companhia onde estudo, me movimento desde o momento em que acordo e penso com meu coração, saltitando dentro que mim, que sim, finalmente o dia chegou.

Vou andando movimentando os dedos de maneira agitada no ritmo da música que estou escutando no momento, ando pelos dois lados da rua enquanto vejo o trânsito passar.
Assisto os sorrisos e os olhares rápidos a se desviar.

Tudo é muito constante, contínuo e assustado. Estamos sempre fugindo dos outros e de nós mesmo. Chegando em me movimento pra juntar corpos e corações num abraço apertado, e então começa aí o que movimenta minha alma.

Desculpa repetir tanto a palavra ~ movimento ~, mas é justo ela que representa uma parte importantíssima da nossa vida e existência, é com ela que levantamos, sacudimos a poeira e saímos pra criar tudo o que quisermos nesse mundo. Talvez eu tenha fugido um pouco do propósito do texto, mas assim como o movimento está em tudo, o teatro também, e mesmo que você não faça, ele está sempre presente na nossa vida. Teatro é mais que encenar, é se reproduzir, e ver outras vertentes de você mesmo e assim conseguir se enxergar.

Espero que isso te dê vontade de se movimentar também, sair um pouquinho do nosso tão amado plano das ideias. Há tanta coisa que podemos criar.

Eu converso com muita gente que sempre me diz que queria poder fazer teatro, algo com o corpo, se movimentar, mas não sabe como, não sabe o quê, ou por onde começar.

Vai parecer muito bobo o que vou dizer, mas a verdade é, não tem um jeito certo mesmo não, não tem, o jeito é simples unicamente, fazer! Faça qualquer coisa que seu corpo pedir, deixe que ele o comande, que ele o direcione, crie uma peça de rua com os amigos, deite em uma cartolina e faça um desenho de você mesma bem grandão, fantoches com meias, pintura na pele, dance sem música, tudo e qualquer coisa que pode parecer banal, mas que vai te ajudar a se intender, a se libertar, e vai te ajudar a criar personagens, a conviver melhor com as pessoas, nos meios onde vive e consigo mesma.

Deixe que seu corpo fale mais alto, deixe ele se movimentar como se fosse um grito da alma, e deixe seu corpo e sua alma serem a mesma coisa, e não tem coisa mais teatro que o seu interior no palco.

E como meu diretor sempre diz: Quando você se diverte aí no palco, nós aqui da platéia nos divertimos mais ainda.

Paula Gomes
  • Colaboradora de Artes

Um dia quase Luisa, agora e para sempre Paula Gomes, só Paula, 18 anos, uma criançona, sabe nada da vida. Ah, sou de Sampa, Sampa da fria garoa, das ruas coloridas e da gente boa. Me arrasto pelos palcos e pelas bibliotecas, só finjo saber algumas coisas. Só não perco a cabeça porque fotografei ou escrevi e às vezes brinco de ser qualquer coisa. Tem números? Não sei! Como é isso em palavras? Dá pra soletrar? Seria até melhor se desenhasse, viu. Mas no final a gente resolve tudo com um sorriso e um abraço (só um não, né). :)

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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