15 de fevereiro de 2017 | Poéticas | Texto: | Ilustração:
Tem idade para começar a desenhar? – Relato de um recomeço

Tem uma porção de conhecimentos e fazeres que associamos a idades específicas e que, se não estamos em determinada fase, simplesmente não são possíveis. Por exemplo, tem gente que acha que aprender a andar de bicicleta e a subir em árvore só pode acontecer na infância. Ou que bordar e fazer uma blusa de lã é brega se você tem menos de 62 anos. Parece que se fugir desses estereótipos, o corpo não processa e que há um impedimento quase místico pairando ao redor da gente.

A pessoa pode nunca ter sentido vontade de experimentar um ou outro – e tudo bem, ninguém é obrigada. Mas e quando se quer, existe uma certa curiosidade e a coisa parece realmente divertida e interessante? Aqui na nossa coluna de Poéticas iremos propor muitas reflexões e exercícios para que, uma vez tendo disposição, a gente tire as travinhas que nos impedem de experimentar as atividades disponíveis nesse mundão aí.

Agora vou compartilhar minha história pessoal: eu parei completamente de desenhar por volta dos 12 anos (e isso há mais de dez anos). Então, nas tediosas férias de janeiro do ano passado, li esse maravilhoso texto da Gabriela Sakata com dicas para continuar desenhando. Pensei: por que não, não é mesmo? E comecei! Escolhi um dos cadernos encostados que tinha na gaveta, o de menor apego, e fui rabiscando objetos de casa, fotos que via no Instagram, experimentando caneta, lápis, giz, canetinha…

garfo

hospital

lina

mão

omeprazol

aceitunas

Já faz um ano desde que comecei e, apesar de sempre sentir que podia desenhar mais vezes, fico satisfeita pelo processo que estou passando. Foi tão potente descobrir que posso, sim, me arriscar em uma área que para mim estava abandonada! E que é uma forma também de lidar com meu perfeccionismo e ver que tudo bem ser torto, tudo bem não sair como o planejado, tudo bem não achar o resultado maravilhoso. Isso porque o desenho se tornou uma ferramenta de me forçar a parar e sentar, a olhar mais atentamente, a compreender os espaços e as formas que me cercam e principalmente a experimentar texturas, cores e composições. Além de ser um ótimo entretenimento enquanto espera sua amiga que se atrasou para te encontrar.

Buscar formas de se expressar não deve ter “idade certa”. E sim, a gente pode até perder o hábito e esquecer – mas vale a tentativa de um recomeço.

 

Yasmin Lopes
  • Coordenadora de Poéticas
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Sociedade

Yasmin, se divide entre a graduação de Terapia Ocupacional e as ~artes~. Nasceu e vive em São Paulo, porém sonha com o mar. Não moraria em uma casa sem plantas, faz dancinhas ridículas no quarto e mantém um caderno quase-secreto de colagens e textos. Se estiver com sua câmera na mão, se basta assim - a sua única possível metade da laranja.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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