25 de julho de 2014 | Ano 1, Edição #4 | Texto: | Ilustração:
Um mundo inteiro no metrô: histórias de transporte público
Ilustração: Helena Zelic.
Ilustração: Helena Zelic.

Ilustração: Helena Zelic.

Moro (até semana que vem!) em São Bernardo do Campo, que fica fora da cidade de São Paulo, mas estudo e trabalho na capital há quase 5 anos. Passo muito tempo em ônibus, ponto de ônibus e metrô.

Quem utiliza transporte público, em qualquer cidade, sabe: tem de tudo. Tem meninas como a gente, indo para o trabalho, escola ou faculdade, sozinhas ou em grupos. Tem idosos que andam bem devagar, jovens que não respeitam os idosos, mamães e papais empurrando carrinhos com nenéns. É uma bagunça e eu acho maravilhoso.

Aqui estão alguns dos meus tipos favoritos de usuário de transporte público:

1 – Marmiteira: Todo mundo já entrou no ônibus e foi bombardeado com o cheirinho de salgadinho de bacon, milho cozido, cup noodles (um fenômeno incrível em São Paulo). É desagradável, até o momento que a gente está com fome e não tem o que fazer senão comprar o bendito salgadinho fedido. Pior é quando tem uma criança espalhando farofa de biscoito para todo o lado – pior ainda se você está sentada do lado dessa criança e é batizada com uma mistura de farelo e Toddy no caminho da escola!

Uma vez, andando no metrô de Madrid, na Espanha, vi uma família inteira comendo marmita. Marmita mesmo! Cada um com seu tupperware e garfinho. Imagina se vira mania?

2 – Game of Thrones: Briga dentro do transporte público é um sufoco e normalmente o motivo da briga acaba sendo um lugar para sentar. Entrar e sair do metrô já é um caos – tem apressados que empurram quem quer sair de volta para o trem só pela possibilidade de talvez ter um lugar vazio para sentar, tem os espertinhos que sentam nos lugares preferenciais e já caem no sono profundo, as pessoas que evitam sentar na janela para não pegar o sol forte e reclamam quando você pede para sentar ao lado delas e os folgados que sentam com as pernas bem abertas ocupando todo o espaço.

3 – Fazendo mudança: No metrô de São Paulo é comum ver pessoas carregando caixas imensas em carrinhos de mão pelas estações. Até dá para entender, quando a gente precisa levar alguma coisa para algum lugar e não tem outro jeito – mas que é engraçado, é. Já vi pessoas carregando desde sofás até caixas de cerveja (para uma festa de faculdade). Melhor mesmo é quando tem pessoas levando seus bichinhos para o veterinário. Não reclamo nada de ver pessoas transportando gatinhos fofos no metrô. :)

Gatinhos fofos… e pássaros também. Na estação da Sé uns anos atrás, vi uma senhora transportando seu papagaio falante no ombro, batendo o maior papo, feliz da vida. Ainda bem que ele era comportado e não voou pelo vagão, imagina?

4 – Start your engines: Dessa categoria, sou culpada. É no metrô no caminho do trabalho que me arrumo. Passo maquiagem, prendo o cabelo e se tivesse coordenação motora o suficiente, passaria esmalte (o que já vi muita gente fazendo!). Mas o que me dá mais aflição, me causa fúria e me faz reclamar no twitter são pessoas cortando a unha. Ai! Só de ouvir o barulho já fico arrepiada, mas e quando um senhor cortava as unhas na minha frente e um pedacinho caiu em mim? Fiz a fresca e fiquei furiosa. Antes as unhas da mão do que do pé – avistei de longe uma vez um senhor cortando as unhas do pé, mas me preveni e sentei do outro lado do vagão.

5 – Novela das 7: Acho um barato sentar ao lado de pessoas que abrem o coração no caminho para casa. Tento sempre conversar nesses casos porque tenho a impressão de que as pessoas são muito solitárias nas cidades grandes e sempre acabo aprendendo alguma coisa – todo mundo tem uma história para contar. No fim, já até fiz amizades jogando conversa fora no caminho de casa com pessoas que acabo encontrando sempre.

Agora, quando tem um sujeito gritando no celular contando causos é outra coisa…

Quais são os personagens do transporte público na tua cidade? Já passou algum aperto no metrô? Conta para a gente!

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Rebecca Raia tem 25 anos, é formada em Relações Internacionais e cursa pós-graduação em Museologia. O emprego dos sonhos da Rebecca seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis - mas ela não dispensa noites preguiçosas em casa assistindo a séries e filmes enquanto come panquecas no jantar. Ela também gosta de roupas floridas e aconselhar desconhecidos sobre relacionamentos afetivos.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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