14 de junho de 2016 | Ano 3, Edição #27 | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
TOP 10 casais da ficção (+ os que nunca foram)

Também conhecidos nas comunidades de fã por meio da sigla OTP (one true pairing, algo como “um casal/combinação verdadeiramente perfeito”) ou pelo nome ship (abreviação de relationship, relacionamento; também usado como verbo – eu shipo), são possivelmente uma das partes mais divertidas de acompanhar uma determinada história. As possibilidades dadas por narrativas são tantas que a lista teve que ser transformada em duas: a primeira, para os casais que realmente ficaram juntos (ou na terminologia de fandom, canon) e a segunda, para aqueles que têm potencial na opinião de muitos fãs, mas nunca ficaram juntos de fato (não canon).

1. Elizabeth Bennet x Mr. Darcy (Orgulho e Preconceito)
É bem fácil argumentar que este é o ship mais influente de todos os tempos: basta ver a popularidade, não só de Orgulho e Preconceito, como a de suas releituras (como o Diário de Bridget Jones) até hoje. Um casal daqueles que demora para ficar junto e dá uma vontade louca de torcer para que isso aconteça, Elizabeth x Darcy praticamente fez do percurso “do ódio ao amor” algo recorrente em histórias do gênero.

2. Rony Weasley x Hermione Granger (Harry Potter)
Quem consegue ler ou assistir (principalmente ler) Harry Potter sem shippar esses dois? Primeiro ship de muitas pessoas da minha geração, eles são o típico exemplo da via “de amigos a amantes”, com o “atrativo” extra de serem ambos muito teimosos e explosivos, além de opostos em várias características – Hermione é estudiosa, Rony não liga muito pra escola; ela é perfeccionista e ele, relaxado… Irresistível.

3. Fox Mulder x Dana Scully (Arquivo X)
Seguindo a mesma dinâmica de Rony x Hermione, e talvez sendo seus precursores, Fox Mulder e Dana Scully são os opostos – no caso, o crente (em aliens) e a cética – que se completam e se amam acima de tudo, apesar de adorarem encher o saco um do outro. Também são conhecidos pela sigla MSR (Mulder/Scully romance, em inglês) por terem passado a maior parte de Arquivo X como platônicos.

4. Han Solo x Leia Organa (Star Wars)
Mais uma vez, a dinâmica do ódio ao amor, mas desta vez, no espaço sideral e entre um “bad boy” e uma princesa, literalmente. Um pouco Elizabeth x Darcy e um pouco a Dama e o Vagabundo, Han x Leia é um ship que atravessa gerações e conta com uma química violenta entre os atores.

5. Blair Waldorf x Chuck Bass (Gossip Girl: a garota do blog)
Um ship inventado na adaptação televisiva da série Gossip Girl e que acabou sendo o seu mais forte, Blair x Chuck (ou Chair) têm uma relação turbulenta, repleta – assim como o resto da série – de drama, luxo e decadência. Outro cujo desenvolvimento é lento e cheio de voltas (e entre o “bad boy” e a princesa, metaforicamente) e deixa todo mundo louco para shipar.

6. Sailor Urano x Sailor Netuno (Sailor Moon)
Um dos únicos casais confirmadamente lésbicos da ficção, Sailor Urano e Sailor Netuno são guerreiras que além de lutarem contra o mal e salvarem o dia, mantêm um relacionamento romântico desde o início do desenho. Por ser um desenho infantil, houve muita controvérsia no ocidente, com alguns países – notadamente os EUA – as apresentando como “primas” para evitar retratá-las realmente como namoradas.

7. Mulan x Chang (Mulan)
Um ship mais complicado do que parece – afinal, a maior parte das interações foram feitas enquanto Chang pensava que Mulan era um soldado homem – e talvez o mais empolgante dos filmes da Disney. Incapaz de lidar com expectativas restritivas do papel de uma mulher, Mulan vai à guerra para proteger seu pai ao invés de ir à casamenteira, e acaba com um marido que a conhece (e ama) pelo que realmente é: uma lutadora. Awwwww!

8. Edward/Bella/Jacob (Saga Crepúsculo)
Quem nunca entrou numa batalha Time Edward x Time Jacob alguma vez na vida? Problematizações sobre a saga Crepúsculo à parte, quando uma série (e triângulo amoroso) de filmes fica famosa assim, todo mundo acaba tendo, no fundo, uma preferência – até porque tanto Edward como Jacob eram descritos de forma quase que exageradamente oposta: vampiro/lobisomem, frio/quente, romântico sofredor/amante casual, etc.

9. Peeta/Katniss/Gale (Trilogia Jogos Vorazes)
Mais uma vez, a história do triângulo amoroso que coloca os dois interesses amorosos da protagonista em oposição. A própria Katniss compara o Gale ao fogo (ferocidade, raiva, explosividade), similar ao dela, e Peeta, ao dente de leão (a calma e a “promessa de que a vida pode ser boa novamente”). Gale caça, Peeta assa pães; Gale usa armas, Peeta usa camuflagem. Basicamente, Gale é a masculinidade tradicional e Peeta, a versão dócil dela. Peeta/Katniss é o que temos no final, mas isso não quer dizer que todos tenham se conformado.

10. Lorelai Gilmore x Luke Danes (Gilmore Girls)
Outro ship de opostos que demora horrores para realmente ficar junto – e é engraçadíssimo e adorável em todo processo – Luke e Lorelai são, apesar do foco geral nos relacionamentos da Lorelai filha, o casal mais sólido de Gilmore Girls (Tal mãe, tal filha). Poderíamos transformar esse ship em outro triângulo, adicionando o Christopher (pai da Rory), mas a pessoa que vos fala acha esses dois casais incomparáveis – mas é, novamente, a questão da Dama e do Vagabundo: Luke é dono de uma lanchonete e Christopher é de origem endinheirada, assim como Lorelai. E essa é a origem da maior parte dos atritos.

Como deu pra perceber, os maiores ships canon são dominados por relacionamentos heterossexuais, e não podia ser diferente, dada a lamentável falta de representação de personagens LGBT na cultura pop. Percebe-se que, na próxima lista, não existe um hétero sequer – taí a prática de shipar como ato desafiador e reflexivo, uma resposta a uma ausência (e apagamento, como no caso de Sailor Moon) vergonhosa. E aí que entra a imaginação – ou, na maioria das vezes, só uma leitura não filtrada por lentes heteronormativas – dos fãs.

1. John Watson x Sherlock Holmes (Johnlock)
Definitivamente o ship gay (ou slash, na terminologia inglesa do fandom, novamente) mais antigo – e possivelmente o mais popular – Watson e Holmes também são opostos, e mesmo assim, companheiros inabaláveis que realmente não sabem lidar com a ausência do outro. Recriados tantas vezes quanto Elizabeth x Darcy – Sherlock da BBC, Elementary, House M.D. – eles são os pais do shipping gay e inspiram paixões (e muita, mais muita fanfic) até hoje.

2. Kirk x Spock
Se a trilogia original de Star Wars não conta com grandes ships gays, é porque Star Trek já supriu toda e qualquer necessidade de toda uma geração. Outro casal de amigos (ao menos no canon) inseparáveis que se amam horrores, Kirk x Spock foi um fator importantíssimo no início do fandom como o conhecemos hoje. O fato do texto base ser uma série de histórias isoladas – ou seja, com muitas lacunas a preencher – só tornou o terreno ainda mais propício.

3. Remo Lupin x Sirius Black (Wolfstar)
E, finalmente, adentrando o terreno Harry Potter: existe toda uma seção do fandom que é particularmente obcecada pela história dos Marotos. O centro emocional de tudo é, sem dúvidas, o relacionamento entre Lupin e Sirius. Existe muita controvérsia cercando esse ship, pois muitos – inclusive o ator que interpretou Lupin, David Thewlis – acreditam que existe um subtexto romântico muito claro nos primeiros livros, antes de Lupin e Tonks serem um casal.

4. Harry Potter x Draco Malfoy (Drarry)
Wolfstar e Drarry competem em quesito de popularidade quando se trata de Harry Potter. O foco constante em Draco por parte de Harry, principalmente no sexto livro da série, e as provocações incessantes de ambos os lados criaram uma situação extremamente fértil para um relacionamento nos moldes “de inimigos a amantes”.

5. Will Graham x Hannibal Lecter (Hannigram)
Um ship que ganhou força com a adaptação de Bryan Fuller de Hannibal (2013-2015), cujo enredo foca nos dias que antecedem a prisão de Hannibal e no seu relacionamento com Will, e conta com muito, mais muito subtexto homoerótico. Além da aura de “relacionamento proibido” (afinal, Hannibal é um canibal, vive assassinando pessoas próximas a Will e é, no final, uma ameaça a ele), Hannigram tem a codependência necessária entre as personagens para fazer dele um grande ship.

6. Finn x Poe Dameron (Stormpilot)
O OTP responsável por “revelar” o funcionamento dos ships não canon ao mundo (e escandalizar várias pessoas no processo), Stormpilot é imensamente popular no fandom de Star Wars, talvez até mesmo mais popular do que o provável ship canon – Finn x Rey – que foi “montado” no primeiro filme da nova trilogia. Ajudado pelo magnetismo de Poe Dameron e pela decisão consciente por parte de Oscar Isaac de interpretá-lo como afim de Finn, ele tem diversos shippers.

7. Capitão América x Bucky Barnes
Um par amplamente shipado desde Capitão América: Soldado Invernal, foi, junto a Stormpilot, responsável pelo aumento da percepção popular do sucesso de ships homossexuais nos fandoms afora. E não falta material para tal implicação: uma tensão óbvia entre os dois, momentos em que um arrisca a vida pelo outro, contato físico… Enfim, aquele bando de coisas que seria lida como romântica caso fosse um homem e uma mulher.

8. Charles Xavier x Magneto
Um relacionamento que, apesar de sempre ter existido, ganhou força inédita com os novos filmes estrelados por James McAvoy e Michael Fassbender; Cherik, como geralmente são chamados, rende muita, mais muita fanfic e fanart ao redor da internet – algumas que, inclusive, já foram mostradas aos seus atores. Opostos que se atraem, inseparáveis, teimosos, que não desistem um do outro… Um ship feito para tal.

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Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

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