22 de maio de 2015 | Ano 2, Edição #14 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Top 10: Extraterrestres

10. Shrimps do Distrito 9
Distrito 9 é um sci-fi contemporâneo e não norte-americano cheio de problematizações políticas, tem que ver! Alienígenas que não querem (só) dominar a Terra ou extinguir a raça humana, mas que interagem conosco, têm filhos, comem, dormem e esboçam sentimentos por baixo dessa carapaça de camarão.

Distrito 9.

Distrito 9.

9. Etevaldo do Castelo Rá-Tim-Bum
“Etevaldo, um turista espacial; Etevaldo, um cara legal”.
É isso, Etevaldo é um fofo, todo colorido, animadão, gente boa. Um outro ET sociável, podia ser amigo dos shrimps. Obs.: não tinha essa pira de Romero Britto nessa época, nem vem.

O simpático Etevaldo.

O simpático Etevaldo.

8. Florzinha deo Os invasores de corpos
Representante da flora alienígena, essa florzinha substitui seres humanos por clones idênticos (que meio que nascem de um repolho extraterrestre) mas sem sentimento nenhum. A mesma história é contada no original Vampiros de Almas, de 1956 (tem no Netflix e tem o Leonard Nimoy interpretando outro alien que não o Spock), e Invasores, de 2007.

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7. Gethenianes de A mão esquerda da escuridão
O povo do planeta Gethen (ou Inverno, como é conhecido pelos estrangeiros) é uma das mais fantásticas explorações acerca de políticas sexuais e de gênero no sci-fi. Eles são humanoides andróginos sem sexualidade, gênero ou genitais definidos. Essas características são sazonais e só se manifestam durante o kemmer, algo como um período fértil exclusivamente dedicado à reprodução. A mão esquerda da escuridão é uma obra de Ursula K. Le Guin, tida como antropóloga da ficção científica e umas das precursoras do sci-fi feminista.

Como livro não tem ilustração, aqui uma foto da Ursula com um gatinho.

Como livro não tem ilustração, aqui uma foto da Ursula com um gatinho.

6. Arquivo X
São 9 nove (no-ve!) temporadas de ETs, completando dez no ano que vem! Desnecessário dizer que renderia um TOP 10 só deles. Dito isso, eu assumo que meus favoritos são os alienígenas frutos do baixo orçamento, aqueles que nunca aparecem e são só uma luz branca na fresta da porta, ou os clássicos homenzinhos verdes. Aliás, acho que ninguém fez jus a eles como o Arquivo X fez.

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5. Alienígena do The Dig
The Dig é um jogo adventure point and click da genial LucasArts. A historinha é aquela meio batida: um asteroide vem em rota de colisão com a Terra, uma equipe vai até ele tentar resolver a questão e esbarra em outras formas de vida, tipo esse bicho pixelado, bípede e alado muito maluco. Joguem! The Dig é um clássicão com protagonistas femininas e várias piadinhas abordando sexismo no espaço.

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4. Solaris do Solaris, do Tarkovsky
Agora sim o negócio começa a ficar sério (e ganhar gifs!). Solaris é uma ficção russa de 1972 (muito infelizmente revisitada em 2002 pelo Soderbergh com o George Clooney) na qual um psicólogo é enviado a uma base espacial que orbita o planeta Solaris para descobrir o que é que está acontecendo com sua tripulação. E o que ocorre é que o planeta parece ser um organismo vivo e consciente que provoca alucinações “daquilo que você mais deseja” ou coisa parecida. Nada de humanoides, a piração aqui vai muito além. Assistam!

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3. Pessoal dos monolitos do 2001: uma odisseia no espaço
Os monolitos são máquinas super avançadas (na forma de paralelepípedos pretos na proporção de 1:4:9) concebidas por extraterrestres misteriosos. Eu não tenho muito mais o que dizer sobre eles, mas, poxa, os monolitos são parte crucial da nossa evolução, logo seus criadores também – nós devemos uma posição a eles por isso. 2001 é a melhor expressão cinematográfica da ficção científica, assistam e, se gostarem, leiam também.

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2. Alien do Alien
Alienígena por excelência, o Alien é uma criatura complexa com vários estágios evolutivos: do ovo eclode o facehugger, que por sua vez coloca um segundo ovo no sistema respiratório de um ser humano hospedeiro que muito em breve vai virar do avesso e dar vida ao chestbuster, que enfim cresce até a forma final de besta fálica de sangue frio. H. R. Giger, o ilustrador responsável por sua concepção, é conhecido pelo teor sexual sobre o qual não por acaso nós já comentamos aqui.

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1. Eraserhead do Eraserhead
Qualquer semelhança com o chestbuster não é mera coincidência. Alien foi lançado em 1979, Eraserhead em 1977 (e demorou cinco anos até ficar pronto) e desde essa similaridade toda é motivo de fofoca. Eraserhead é um filme bem estranho do notavelmente estranho diretor David Lynch, no qual uma família desestruturada tenta lidar com seu bebê recém-nascido. O filme e o Lynch fazem questão de não nos dizer se a criança se trata “só” de um bebê mutante (rebento de uma cidade industrial) ou se ele realmente é um extraterrestre. Para o precursor do Alien, a honra do nosso primeiro lugar.

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Menção honrosa: geral do Duna, do Jodorowski
Duna é um clássico absoluto da ficção científica, dizem por aí que se compara ao universo do Senhor dos anéis anéis em complexidade. No começo da década de 1970, o Jodô (para os íntimos) encasquetou com a ideia de transportar a obra para o cinema e montou uma super produção com direito a Salvador Dalí, Pink Floyd, Orson Welles e outros escândalos. Quem conhece a obra de Jodorowski sabe que seu trabalho não é nada ortodoxo e logo imagina os e$critórios hollywoodianos vetando o que veio a ser o maior (e melhor) filme que nunca aconteceu. Essa história virou um documentário lindíssimo que nos faz ter certeza de que o rumo da ficção científica, e consequentemente dessa lista, seria outro caso o projeto tivesse sido realizado. Em 1984, Duna enfim virou um filme horrível dirigido pelo Lynch (nem ele gosta do filme) e estrelado pelo seu protegido, Kyle MacLachlan.

Jodô, um Sardaukar e Moebius.

Jodô, um Sardaukar e Moebius.

E menção desonrosa para o Alien do Spring Breakers:

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Carolina Stary
  • Ex-colaboradora de Tech & Games

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