28 de setembro de 2015 | Cinema & TV | Texto: e | Ilustração:
Top 5 das participantes mais incríveis de Survivor
Untitled

No mês dos reality shows aqui em Cinema & TV, nada mais justo do que falar de um dos precursores do formato. Survivor tem 31 temporadas nas costas, mas ainda consegue se pendurar em árvores como um rapaz de 18. Inspirado numa série sueca chamada Expedition Robinson, o reality foi levado para a televisão norte-americana em 2000 e ganhou prestígio, projeção e um nome bem mais cativante. Aprendam a batizar seus programas, suecos. Essa belezura influenciou todos os shows de competição que o sucederiam. Gosta de provas de imunidade, por exemplo? Agradeça Survivor. Prefere disputas que exijam traquejo social e jogo de cintura? Survivor. Sua praia é estratégia e manipulação deliberada? Survivor. Aliás, gosta de praia? SURVIVOR.

Mesmo hoje, o formato ainda é um dos mais completos já vistos. O jogo é democrático e convidativo para os monstros de academia que curtem shake de frango com batata doce e para a galera que passa o dia jogada no sofá vendo Netflix. A regra é clara, porém engenhosa: um grupo de participantes é levado para algum lugar remoto do planeta em que deve permanecer pelos próximos 39 dias. Esse grupo é dividido em tribos que devem competir entre si em provas que testam força, resistência, velocidade, memória, equilíbrio ou habilidade de comer coisas nojentas. A tribo perdedora se reúne e vota para eliminar um de seus membros. Quando restam poucos participantes, as tribos se aglutinam e agora é cada um por si. O vencedor das provas ganha imunidade individual e os outros estão sujeitos ao voto eliminatório.

Quem ganha o prêmio final de um milhão de dólares – o equivalente a uns cinquenta caminhões cheios de reais ­– não é o mais rápido ou o mais inteligente ou o mais bonzinho. A escolha não é da audiência. Quem elege o vencedor são os participantes eliminados por ele. Imagine se todas as pessoas a quem você já prejudicou de alguma forma fossem as responsáveis por decidir se você fica rico ou não. Pois é. Diabólico e delicioso. O formato é sensacional porque não importa ser o mais forte se você não sabe lidar com pessoas. Não importa ser o mais popular se você não é capaz de arquitetar uma estratégia. Não importa ser cheio das artimanhas se você fez vários inimigos rancorosos. Cada pessoa faz um jogo único de acordo com suas forças e fraquezas. Não é bem dramaturgia; de vez em quando, é até melhor.

Essas regras dão origem a uma gama incrivelmente diversificada de participantes e de vencedores. E para te convencer a dar uma chance a esse reality tão subestimado, separamos aqui cinco competidoras que são algumas das melhores “personagens” femininas já vistas na televisão. Sim, em toda a televisão. São mulheres inspiradoras, fortes, brilhantes e terríveis que podem até não ter conquistado um milhão de dólares, mas ganharam o nosso coração.

ATENÇÃO: SPOILERS 

 

 survivor-parvati

Parvati Shallow
“Eu não sou carregada por ninguém, querido.”

Temporadas: Cook Islands, Micronesia e Heroes vs. Villains

Em inglês, o sobrenome de Parvati significa “raso”, “superficial”, e isso é exatamente o que ela faz questão de parecer à primeira vista para seus adversários. A moça jovem e linda brinca com o estereótipo sexista da mulher fútil e tola e o subverte quando você menos espera. Parvati é tão fascinante que já competiu em 3 temporadas diferentes de Survivor, tendo chegado à final duas vezes e vencido uma. Ela aprendeu a usar as expectativas alheias a seu favor: enquanto os rapazes caiam no seu flerte inofensivo e riam de sua suposta estupidez, Parvati reunia as garotas da tribo em uma aliança chamada Brigada das Viúvas Negras para eliminá-los um a um. Quando um homem acreditava que a tinha na palma da mão, ela o destruía com uma piscadela brincalhona. Um dos competidores mais temidos de Survivor foi seu fantoche por semanas — e Parvati o manipulava tão bem que até hoje ele e alguns de seus fãs não sabem disso. Algumas das jogadas mais brilhantes desses 15 anos de Survivor saíram de sua cabeça. Além disso, ela é uma competidora física fantástica e venceu inúmeras provas de resistência e equilíbrio. All hail the queen.

 

ciriesurvivor1

Cirie Fields
“Eu sou uma gângster vestida de Oprah.”

Temporadas: Panama, Micronesia e Heroes vs. Villains

De todas as personagens incríveis aqui citadas, Cirie é a que mais se transformou ao longo das três temporadas das quais participou. Quem a vê nos momentos iniciais de Panama — sua primeira participação no reality — dizendo que tem medo de folhas e se mostrando completamente despreparada para viver em meio à natureza tem uma bela surpresa ao ver nascer uma mulher inteligente, estrategista, manipuladora e, ao mesmo tempo, extremamente carismática. Provas físicas não são lá seu forte — de todas as vezes que participou, não venceu nenhum desafio individual —, mas Cirie tem a capacidade de enxergar o jogo como se fosse um tabuleiro, sabendo exatamente para onde cada peça deve se locomover. Foi essa característica que a levou tão longe, mas foi também sua maldição: na última temporada da qual fez parte, ela foi precocemente eliminada pois os demais participantes temiam os planos por trás de seus sorrisos fofos e seu jeito maternal. Integrante da Brigada das Viúvas Negras junto com Parvati, Cirie é o gênio por trás de um dos blindsides mais famosos da história de Survivor: convencer um participante a doar seu colar de imunidade para uma das aliadas. É uma jogada maquiavélica e com chances muito improváveis de sucesso, mas elaborada com tanta graciosidade que é capaz de convencer sua aliança a levá-la adiante.

 

maxresdefault (1)

Courtney Yates
“Eu ainda estou aqui, diferente de vários caras fortes, então seja com tornozelo torcido, seja sendo magricela, tanto faz, eu sou uma vadia determinada e vou aguentar o que vier pra chegar até o fim. “

Temporadas: China e Heroes vs. Villains

Courtney é uma garota minúscula que parece estar prestes a ser carregada por qualquer ventinho mais forte. Sempre em desvantagem nas provas físicas por mal conseguir levantar uma machadinha, a garçonete era constantemente subestimada e ridicularizada pelos outros competidores. A própria sobrevivência na mata gelada e chuvosa era um desafio muito maior para a menina com o físico de um passarinho. Mas ela persistia. Como sua aparência não inspirava ameaça, a moça sobrevivia a cada eliminação mantendo sua aliança unida e sua atenção ligada. Caras imensos caiam à sua direita, caras imensos caiam à sua esquerda, e ela permanecia intacta com um sorriso no rosto e um comentário hilário na ponta da língua. E assim, chegou até a final e foi chamada para competir em duas temporadas. O humor ferino de Courtney não poupava ninguém, embora por vezes ela reconhecesse que foi longe demais. Sua miudeza e sua acidez a tornaram memoráveis, mas poucos se lembram de outra característica pouquíssimo celebrada: lealdade. A moça preferiu ser eliminada a prejudicar a amiga e maior aliada, Sandra Diaz, que também está nessa lista.

 

00032533

Sandra Diaz-Twine
“Eu também sei falar alto, porra!”

Temporadas: Pearl Islands e Heroes vs. Villains

É impossível escrever qualquer lista de melhores participantes de Survivor, mulheres ou não, sem citar Sandra, já que, sozinha, ela ocupa um patamar na história do programa que é difícil imaginar algum outro jogador alcançando. Em suas duas participações, Pearl Islands e Heroes vs. Villains, a americana de sangue latino reuniu centenas de situações memoráveis. Desde seus primeiros momentos, usando o espanhol para negociar vantagens para sua tribo em uma aldeia panamenha, até os seus últimos, quando assume sua pose de rainha e manda pra fogueira o chapéu de um dos participantes mais irritantes que Survivor já viu, sua personalidade nunca deixa de ser deliciosa de se assistir. Seu estilo de jogo, baseado na premissa do “contanto que eu não seja eliminada”, é tão eficiente que é inacreditável não vê-lo sendo copiado por mais participantes. Na verdade, não é qualquer um que consegue fazer igual. A estratégia de Sandra funciona porque seu jogo social está sempre afiado e em primeiro plano. Ela faz questão de conhecer cada pessoa da tribo e tem uma habilidade enorme para definir em quem pode depositar sua confiança e quem pode achar que tem a dela. Essa é uma característica tão nítida e presente em seu repertório que Sandra acaba tendo o direito de ser um pequeno desastre em todo tipo de desafio, nunca tendo vencido uma única imunidade individual. O que, por sua vez, comprova: além das aparências superficiais de competições e desgastes físicos, Survivor é um jogo que favorece muito mais aqueles que conseguem deter o domínio social. E Sandra é talvez o exemplo mais claro que já tivemos o prazer de acompanhar.

 

shirin

Shirin Oskooi
“Na verdade, é superconveniente ficar nua o tempo inteiro.”

Temporada: Worlds Apart e Cambodia

Vítima de uma série de ataques pessoais, covardes e cruéis por parte de um dos participantes de sua temporada original, o que imediatamente tornou Shirin incrível foi a forma como ela se posicionou diante deles, usando-os para dar voz a uma discussão muito relevante sobre violência doméstica, bullying, misoginia e a enorme importância de não nos acomodarmos de forma passiva quando presenciamos algo de errado. É preciso apontar o dedo, tentar conversar quando alguém está sendo injusto, não só com você mesma, mas com os outros também. E mesmo que isso já seja suficiente para se destacar em Survivor, a presença de Shirin é acentuada por uma série de outros fatores: ela é a única participante de ascendência iraniana em todo o programa; é uma enciclopédia viva sobre o jogo, conhecendo cada detalhe de cada participante de cada temporada; é uma mulher que não se encaixa no padrão de beleza tradicional de Survivor e não tem nenhuma vergonha disso; é uma jogadora extremamente inteligente e carismática, que estreou semana passada sua segunda participação consecutiva e já começou a temporada no controle de sua tribo. You go, girl!

Lorena Piñeiro
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Lorena tem 26 anos e mora no Rio, embora tenha crescido nos subúrbios da Internet. Trabalha com análise de roteiros televisivos, avalia manuscritos literários, traduz e revisa obras em inglês e escreve por aí. É igualmente fascinada pelo gracioso e pelo grotesco. Adora filmes de terror, livros de fantasia, arte surrealista e qualquer coisa que não carregue o mínimo semblante de realidade. Tem empatia até por objetos inanimados e queria ser um urso ?•?•?

Isabela Sampaio
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Revisora

Isabela (ou Isa, ou Bela) tem 26 anos e aos 18 desceu a serra para viver no Rio. É formada em Produção Editorial e ama trabalhar no mundo dos livros, mas tem uma grande queda pela TV e passa boa parte de seu tempo livre assistindo a milhares de séries — seus objetivos de vida são se tornar uma participante de Survivor (e vencer, claro) e ser BFF da Amy Poehler, Tina Fey, Mindy Kaling e Julia Louis-Dreyfus.

  • http://www.naoseilidar.com.br Felipe Fagundes

    Só li a parte sobre a Shirin (<3), porque as outras participaram da tão falada Heroes Vs Villains (que ainda não assisti), mas concordo totalmente com a lista! A Courtney então, que tinha tudo para ser eliminada desde o começo da China (a fisicamente mais fraca, totalmente subestimada pelos outros), tem lugar cativo no meu coração por chegar tão longe. É um dos tipos de jogadores que mais admiro em Survivor.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos