24 de janeiro de 2015 | Ano 1, Edição #10 | Texto: | Ilustração: Beatriz Leite
Trans e empoderada: como encontrar poder no seu corpo
Ilustração: Beatriz H.M. Leite

Existem várias formas de empoderamento através do corpo, várias! Vestindo da forma que nos agrada, depilando ou cultivando nossos pelos, fazendo ou deixando de fazer a barba, modificando nossos corpos através de cirurgias, ou por terapia hormonal, colocando um piercing, ou até um simples corte de cabelo.

Você deve achar que sendo coisas tão simples (ou nem tanto), deve ser extremamente simples, para nós, pessoas trans, no empoderarmos, não é? Bem, pois saiba que não é nada fácil! Aliás, não tá fácil pra ninguém, viu?

Vivemos numa sociedade extremamente escrota, cissexista e binarista, que impõe gêneros com base em nossos corpos e que depois atribui nos papéis de gênero aos mesmos, e cuja cobrança pesa muito pra cima de nós. Se não depilar os pelos das pernas (ou das axilas) para uma mulher cis já é uma mão de obra, imagine para uma mulher trans? Mulher cujo gênero é questionado a todo instante; imagine alguém chegando pra você e dizendo que você NÃO É uma mulher por simplesmente cultivar seus pelos, ou por não andar com as pernas fechadas? Bizarro, não é? Mas é uma parte da realidade de muitas mulheres trans, e de pessoas não binárias também! Aliás, é parte da realidade de muitas pessoas trans, independente de qual gênero, binárias ou não.

Como todas as minorias, pessoas trans PRECISAM se empoderar, mesmo que não seja uma tarefa fácil (não é mesmo), e pra isso nós também precisamos estar juntas/es/os, porque as coisas também sempre ficam mais fáceis quando se está com outras pessoas iguais ou semelhantes a nós ou com quem temos alguma afinidade.

Muitas pessoas trans (até eu mesma) já chegaram a fazer coisas contra a sua vontade ou por pressão achando que aquilo iria torná-las “mais trans” ou deixar de fazer coisas por se sentirem “menos trans”. Bom, pode acreditar que não tem essa de ser “mais ou menos trans”.

Então resolvi fazer um LISTA/TUTORIAL PARA AJUDAR NO EMPODERAMENTO.

1. Entenda que a culpa não é sua! Lembre-se que vivemos num mundo cissexista e binarista. Se alguém negar seu gênero por você ter “n” comportamento ou se vestir de “n” formas isso não quer dizer nada. A culpa não é sua. Aliás, NUNCA a culpa será sua pelas opressões de você sofre.

2. Entender que seu gênero não depende das decisões que você faz!

3. Desconstruir a ideia de que existem “corpos certos”. Você não nasceu no corpo errado.
Normalmente acham que pessoas trans nasceram no corpo errado. Bem, você não nasceu no corpo errado, você nasceu no corpo que tinha que nascer. Não tem essa de corpo errado, essa é uma ideia que a sociedade cissexista (e binarista) que não entende nossos corpos colocou na nossa cabecinha, de que existem corpos certos. Por exemplo, eu sou agênero, meu corpo é agênero, meus genitais são agênero. Sacou a lógica? A sociedade estipula que existem só dois gêneros, e que o limite é o que está entre suas pernas. E isso tá errado! Genital não define gênero. (Ah! E eu, particularmente, gosto de enxergar nossos corpos como uma arma de guerra, porque praticamente todos os dias que saímos nas ruas, lutamos por nossa existência.)

4. Entender que você não vai “se tornar” a pessoa que você sabe que é só depois de se adequar de alguma forma. Por exemplo: eu já me identifiquei como homem trans binário por uns anos e acreditava que eu só seria um homem trans depois que começasse terapia hormonal e fizesse outras coisas e tal e, meu, não! Não é assim! Você é um cara trans independe de modificação alguma! Mas pra deixar claro, modificações não são um problema e podem ser uma forma de empoderamento SIM!

5. Lembre-se da frase clichê e super verdadeira e necessária de que: SEU CORPO, SUAS REGRAS. Você faz o que você quiser e achar melhor com ele!

Bom, é isso! Espero que tenha ajudado alguém :)

E agradecimentos às pessoas que ajudaram a escrever esse texto: Ve Máximo, Ju Cipolla e Veve Chutzki.

Isis Naomí
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Ciência & Tecnomania
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Sociedade

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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