6 de abril de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Heleni Andrade
Trilha Sonora da Vida: Eu e música de tabacaria

 

Meus pais sempre gostaram de ouvir música. Quando eu nasci, em 1990, começava a transição dos LPs para os CDs e logo, logo toda uma geração lentamente trocava a vitrola pelo CD player.

Mas meu pai adotou o CD sem se livrar dos vinis – que eram muitos. Os discos que eu cresci ouvindo eram de rock clássico, rock brasileiro dos anos 1980 e algumas coisas diversas da minha mãe, como Renaissance, Sade e Carly Simon. Por algum tempo, eu estava buscando algum outro tipo de som, que eu não sabia o nome, mas eu chamava de “música de tabacaria” (eu nunca tinha frequentado tabacarias, mas sabia que, ao passar em frente a alguma, o ambiente pedia por um outro tipo de som). Algo que já tinha ouvido em filmes, mas nunca soubera o nome: jazz.

Tudo mudou quando, no começo da minha adolescência, meu pai recebeu uma doação de uns 500 vinis. E arrumando tudo à nossa já existente coleção (não somos nenhum Ed Motta, mas aqui em casa tem bastante disco) começamos a ouvir todas as novidades. Alguns LPs nós já tínhamos e foram passados adiante. Mas um disco se destacou e foi tão ouvido aqui em casa que me apaixonei instantaneamente: Duke Ellington & John Coltrane. A vibe do disco é tão boa. Escuto de luz baixa, com velas, criando um clima íntimo. Ele me abriu portas para um som completamente novo e que eu sempre quis, mas nunca me entenderam quando eu tentava nomeá-lo.

Outros discos de jazz doados também estão na lista dos mais ouvidos quando quero um sonzinho mais calmo, como alguns do Stéphane Grappelli. Ouvir isso no começo da minha adolescência me abriu portas para ouvir coisas mais novas também, como o Jamie Cullum e a Diana Krall.

Anos depois, eu vi Whiplash (2014) e a emoção que eu senti nesse filme e o êxtase que eu senti ao ouvir aquelas músicas também foram frutos dessa relação estabelecida com o jazz no começo da adolescência. Só melhorou o filme para mim.

Aqui vai a playlist com o disco mencionado.

Georgia Santana
  • Coordenadora de Revisão
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

25 anos, do Rio de Janeiro, mas passou a primeira infância em Natal - RN. Estuda Biblioteconomia na UFRJ. Assiste a qualquer tipo de competição esportiva e lê muitas biografias / autobiografias e já chorou de emoção ao comer caldinho de sururu. Odeia barulhos, luz artificial e frio. 90% lufa-lufa, 10% sonserina.

  • Bruna C

    Primeiro texto que leio do Capitolina… e começando muito bem! Adooooro Whiplash, e anotei os álbuns aqui citados pra poder ouvir depois. Vou aproveitar e deixar aqui o link de uma playlist que fiz no 8tracks; não é bem jazz, como o de Whiplash, está mais pra blues, mas ainda assim é minha menina dos olhos, amo todas as músicas que estão nela. No mais, curti muito a revista, vou continuar lendo outros textos, vocês são demais! ?

    http://8tracks.com/brubrubruna/all-about-that-jazz

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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