7 de agosto de 2014 | Artes, Música | Texto: | Ilustração:
Trilha sonora da vida: Garbage
Ilustração por Isadora M.

Ilustração por Isadora M.

Antes de começar este artigo, saibam que toda menina/mulher vai se tornar obsessiva pela banda que falarei aqui pelo menos uma vez na sua vida. A minha obsessão começou quando eu tinha 14 ou 15 anos. Nem me lembro direito de qual foi a primeira música que ouvi do Garbage, mas me capturou numa época que estava começando a entender que rock não era apenas Linkin Park e Strokes.

 Claro que a vocalista, Shirley Manson, me ajudou a amar esta banda. Não apenas pelo seu charme e a ruivice, veja bem, mas também pela sua atitude (toda vinda do Riot Girl) e pela sua voz. Sim, sua voz grossa e aveludada me fazia ficar ouvindo o cd Beautiful Garbage repetidamente até arranhar. Ela era o que sempre quis ser.

Quando fui crescendo e entendendo melhor o inglês, vi que Shirley traduzia muito bem algumas situações da vida feminina (e é por isso que a trouxe para cá, para a Capitolina). Em uma das suas músicas mais famosas, “Only Happy When It Rains” (traduzindo: apenas fico feliz quando está chovendo) canta sobre a felicidade de ver tudo dando errado, músicas depressivas que confortam e  como é divertido tudo isso.  Claro, lembrando que é uma espécie de guilty pleasure (prazer culpado, literalmente falando) que algumas meninas nutrem. Outra letra genial é de “I Think I’m Paranoid”. Na letra, Manson se assume paranoica complicada e manipuladora. E isso tudo é uma mensagem para o futuro parceiro que ela quer namorar. Quer algo mais sincero do que isso? “Stupid Girl” conta a história daquelas meninas que fingem que são cool, mas a verdade não é nada daquilo que ela passa para todos. Dá para fazer uma lista de gente assim, não? E ah, a temática é bem antes da Pink fazer praticamente a mesma coisa quase 15 anos depois.

 Garbage possui bastantes letras sexuais e românticas extremamente sinceras. Shirley nunca teve problema em falar abertamente sobre isso até em entrevistas.  “Androgyny” canta sobre a liberdade sexual,  “Run Baby Run” mostra que o amor é completamente aterrorizante e isso pode te causar problemas futuros,  “Push It” é uma canção sobre escada ou estepe (você fica com a pessoa porque está triste e ela serve muito bem para tapar buraco das suas emoções), “Special” é uma música de superação (mas com uma acidez e “direto a ponto” característico de todas as músicas da banda), “Why Do You Love Me” fala sobre a típica insegurança que temos quando um cara bacana nos ama.

 E as músicas que citei são apenas as que têm clipe. Ou seja, as músicas de trabalho. Tenho certeza que quando vocês se aprofundarem na discografia da banda vão ler este post novamente e concordar com tudo que eu falei.

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Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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