14 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: | Ilustração: Marina Sader
Tudo ao mesmo tempo agora sugando nossas energias

Às vezes, parece que todas as coisas importantes decidem ter data marcada para a mesma semana. É nesse pequeno e específico período de tempo que sua escola marca as provas finais, que sua mãe te pede aquelas várias ajudas, que sua melhor amiga briga com o/a namorado/a e precisa conversar com você… Em meio a isso tudo, as 24 horas do dia não parecem ser suficientes e sua garganta já começa a apresentar os primeiros sinais de infecção, culpa de todo esse estresse.

Acontece que viver exige um pouco que a gente se movimente e tente botar no lugar (ou mudar de lugar!) aquilo que achamos necessário. Isso não significa, porém, que tudo tenha que ser resolvido por nós sozinhas, e muito menos que precise ser naquela hora exata. A pressão pode ser grande, mas o equilíbrio é crucial para evitar as cobranças exageradas que, muitas vezes, partem de nós mesmas.

Todo mundo precisa de umas boas horas de sono e de um tempinho pra relaxar sem pensar em muita coisa. Mas isso fica mais difícil quando a cobrança resulta em culpa por não conseguir fazer tudo o tempo todo. Isso não é, necessariamente, culpa de alguém. Muito menos de nós mesmas. Se, ao estudar para a prova de química, por exemplo, a garota não soube resolver um exercício específico, a paciência e o autocuidado precisam ficar em primeiro lugar. Não adianta chorar porque não conseguiu ainda, se sentir incapaz, deixar que todas as próprias energias sejam sugadas por uma pressão que é externa.

Nem tudo precisa ser motivo de bads se a gente se permitir demorar mais um pouquinho, aceitar nossos tempos, deixar de lado essa autocrítica tão ferrenha e que não ajuda a gente mesma a se desenvolver e se entender. É importante sim se desafiar nas questões do cotidiano, nas várias esferas da vida. Viver é, a grosso modo, se desafiar. Deixar-se estagnar por muito tempo não é uma boa ideia porque não pisamos os passos que precisamos pra continuar. Só não vale largar mão de cuidar de si mesma.

Helena Zelic
  • Coordenadora de Literatura
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Helena tem 20 anos e mora em São Paulo. É estudante de Letras, comunicadora, ilustradora, escritora e militante feminista. Na Capitolina, coordena a coluna de Literatura. Gosta de ver caixas de fotografias antigas e de fazer bolos de aniversário fora de época. Não gosta de chuva, nem de balada e nem do Michel Temer (ugh).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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