28 de novembro de 2014 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Tutorial: móbile de canudos

Confesso a vocês que neste mês eu fiquei meio confusa. Tínhamos o tema movimento e eu só conseguia pensar em coisas que já havíamos pensado lá no comecinho, na edição de tema corpo.

Às vezes eu acho que eu tenho problemas de grandeza e ego inflado, então obrigada a vocês por existirem e por fazerem a Capitolina possível, porque eu sinto que escrever pra vocês acaba me fazendo perceber essas coisas. Talvez eu tenha dado um salto de raciocínio muito grande aí. Mas enfim, o que quero dizer é que com um tema tão amplo quanto movimento, conseguir pensar apenas em “mover-se” é um pouco presunçoso. Afinal, tantas mais coisas (pra não dizer tudo) – no mundo e fora dele – se movem.

Daí eu pensei que em vez de ter uma postura egocêntrica, eu iria tentar me concentrar na minha “pequenisse” e adotar uma postura mais contemplativa. Ficar em silêncio e perceber todo o movimento ao redor.

Eu frequentemente lembro de coisas das minha aulas de física do colégio, e hoje em dia acho que sou mais fascinada por elas do que naquela época. Aí lembrei que luz, som e calor são ondas, e onda é movimento. Ficou cada vez mais claro como tudo se move. John Cage já averiguou a impossibilidade do silêncio, a física até hoje não conseguiu alcançar a temperatura do 0 absoluto e e muitos acreditam que se isso ocorresse, nessa temperatura não existiria tempo. E a escuridão absoluta, num espaço onde quase tudo são estrelas. Acho bem difícil.

Daí eu fiquei confusa, porque era muita coisa. Eu podia falar sobre tudo e fazer qualquer coisa. Receitas nas quais a temperatura certa é crucial, qualquer coisa que tivesse como foco luz e cor, qualquer coisa que emitisse som ou se relacionasse com música.

Daí temos mais noção ainda da nossa “pequenisse”. As ideias ficam muito grandes e a cabeça é pequena. Mas a cabeça também é rápida e faz ligações misteriosas, e talvez do pensar no silencio e associá-lo a John Cage tenha saído um acervo de imagens de arte moderna e uma vozinha lá dentro gritou MÓBILE!

Perfeito! O que melhor pra se fazer um tutorial de, quando o tema é movimento, do que um peça cujo nome quer dizer exatamente isso? As imagens que eu pensei de cara foram daqueles móbiles mais tradicionais, feitos de palito de sorvete, que a gente ajeita em espiral e ele gira com o vento. Depois pensei no trabalho do Alexander Calder. Um era mega simples, com pouca cor, materiais baratos e uma forma meio clichê, e o precisaria de materiais complicados, como chapas de metal e arames e argolas, mas teria uma forma bem mais inusitada e cheia de cor. Daí eu dei uma pesquisada e acho que esse aqui fica num meio termo dos dois. As formas são isusitadas e bonitas, os materiais baratos e simples e a cor ou não cor, fica a critério de vocês. O meu ficou branquinho, mas quem quiser comprar aqueles pacotes de canudos coloridos pode fazer cada prisma de uma cor diferente, ou todos de várias cores.

Enfim, fica a gosto do freguês.

Materiais:
Canudinhos
Tesoura
Fio de Nylon

001MATERIAIS

 

 

 


Primeiro é necessário cortar os canudinhos.

002CORTANDO_GIF

 

 

 

A regra é, se a base do meu prisma tem três lados, preciso de três canudinho iguais de um tamanho e mais seis iguais de outro tamanho, e esse tamanho precisa ser maior que o da base. Se base tem quatro lados, preciso de oito maiores. Base 5, 10 maiores. 

003CAUDOS_CORTADOS

 

 

 

 


Agora, pra montar o prisma, precisamos dos pedacinhos dos canudos e um PEDAÇÃO de fio de nylon. Se você achar que já tá bem grande, pega um pouco mais!

005GRANE_FIO_DE_NYLON

 

 

 

 

Primeiro pegamos todos os canudinhos pequenos, da base, e passamos pelo fio de nylon

006FACA_PRIMEIRO_A_BASE

 

 

 


Depois passamos o fio de nylon mais uma vez dentro deles

007PASSA_DE_NOVO

 

 

 

 


Então puxamos o fio pros canudinhos se fecharem na forma escolhida pra base (3 triângulo, 4 Quadrado, 5 pentágono, 6 hexágono…)

008FECHA_A_BASE

 

 

 

Vá ajeitando a linha pra um lado ficar BEM MAIOR que o outro, mas sobrando um
tantinho pra finalizar com vários nós.

Agora pegue dois dos canudo maiores e passe pelo fio.

009PRIMEIRAS_ARESTAS

 

 

 

 

Ajeite pra cima pra fazer uma ponta e passe o fio pra algum dos vértices opostos da base. De algumas voltinha no fio que passa dentro desse vértice pra prender, mas não precisa dar nó.

010FECHA_NO_VERTICE

 

 

 

 

 


depois passe a linha por dentro de um dos canudos da base pra ela sair em outro vértice.

011ENTRA_E_SAI_NOUTRO_VERTICE

 

 

 

 

 

 

passe um canudo pelo fio, ajeite pra ele formar a ponta e dê umas voltinha no fio lá em cima pra prender.

012POE_OUTRO_CANUDO_E_FECHA

 

 

 

 

 

Dessa passando por dentro de uma das arestas da ponta, e depois passe por dentro de uma das arestas da base pra sair num outro vértice.

013SAI_NOUTRO_VERTICE_DE_NOVO

 

 

 

 

Repita até que todos os vértices da base tenham arestas subindo pra ponta. Dê várias voltinhas, ajeitando a ponta

014REPETE_ATE_FECHAR_E_AJEITA

 

 

 

Desça por dentro de alguma aresta de volta pra base.

015VOLTA_PRA_BESE

 

 

 

Agora, com um dos lados prontos, repita o mesmo processo pra fechar a outra ponta do prisma.

016COMECA_IGUAL_DO_OUTRO_LADO

 

 

 

Se sobrou bastante fio, tente fazer as duas pontas da linha se encontrarem em uma da pontas do prisma, dê vários nós e depois use o fio que sobrou pra pendurar.

017FINITO

 

 

 

 


Se não sobrou tanto, faça as duas pontas se encontrarem naquele vértice inicial onde elas se separaram, dê vários nós e corte a sobra.

Faça quantos prismas quiser e dos tamanhos que quiser. Eu acho que o ideal pro formato de base que eu fiz é 5.

 

 

 

 

Agora façamos a base onde prenderemos os prismas

Separe 5 canudos. 4 iguais e um levemente menor. E um FIOZÃO de nylon.

018PREPARA_PRA_BASE

 

 

 

 

Passe os 4 iguais pelo fio e feche um quadrado, como se fosse ser a base de um novo prisma. Mas tente deixar as duas pontas do fio do mesmo tamanho.

019FECHA_O_QUADRADO

 

 

 

Agora passe as duas pontas pelo canudo um pouco menor e finalize dando vários nós no vértice oposto. A base deve ficar um pouquinho curvada.

020PASSA_O_DO_MEIO_E_FESHOW

 

 

 

Finalize todos os prismas. Naquele em que o fio não ficou com tanta sobra, pegue um novo pedaço de fio e prenda com vários nós em uma das pontas.

021TODOS_OS_PRISMAS_E_BASE

 

 

 

 

Amarre cada prisma em um dos vértice da base e amarre um no meio. O do meio, deixe com uma sobra de fio pra cima, pra usar pra amarrar o móbile onde quiser.

Se você fez mais de 5, pode amarrar um prisma debaixo do outro, ou amarrar alguns nas arestas da base. Vá vendo qual é a melhor configuração e tente manter o peso equilibrado.

Pronto, agora pendure onde quiser e contemple quando quiser. Em locais onde passa corrente de vento é mais legal, porque o vento tira o móbile pra dançar. Onde não tem vento, a gente dá um empurrãozinho 😉

022PENDUROU_TERMINOU

 

 

As fotos deste tutorial foram feitas em colaboração com a fotógrafa Amanda Amaral, quem gostou pode visitar o site dela. E eu termino com um “Obrigada Amanda”!

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Maísa Amarelo
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Ilustradora

21 anos, cursando o primeiro de design. Pras coisas que não gosta de fazer, inventa um monte de regras. Já as que gosta - como cozinhar - faz sem regra nenhuma. É muito ruim com palavras, ainda assim resolveu escrever sobre suas receitas que, em geral, não tem medida alguma.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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