17 de novembro de 2014 | Ano 1, Edição #8 | Texto: | Ilustração:
Um corpo que se mexe… sozinho?
Ilustração: Dora Leroy.

Ilustração: Dora Leroy.

O corpo humano é uma coisa meio louca. Pode ser treinado para tarefas absurdas, tipo escalar montanhas e correr maratonas. Mas já parou para refletir que não precisamos pensar em tudo que acontece com nosso organismo para que ele funcione?

O seu coração bombeando o sangue em suas veias, seus pulmões se enchendo e esvaziando com o movimento do diafragma, suas pálpebras se fechando e abrindo regularmente para manter seus olhos bem lubrificados, seu esôfago se comprimindo e se expandindo ao longo de seu comprimento com uma força tão grande que faria com que o alimento que você engoliu chegasse ao estômago mesmo se você estivesse de cabeça para baixo. Imagine ter que controlar tudo isso? Já é bastante coisa ter que se preocupar com os movimentos de seus membros, com direção para a qual você está olhando ou com sua mastigação enquanto come.

É por isso que seu organismo cuida de tudo isso para você. Certamente não seria legal esquecer de respirar por alguns minutos quando sua concentração estivesse muito focada em outra coisa, ou seu coração não aumentasse a quantidade de batimentos por minuto quando você estivesse no meio da aula de educação física na escola. Esses são os chamados movimentos involuntários e são super importantes para a manutenção da vida.

Existe também uma parte do nosso sistema nervoso que se chama sistema nervoso autônomo, e pode ser simpática ou parassimpática. Esse sistema é responsável por preparar nosso corpo para situações de estresse e “desarmá-lo” quando a situação passa. Por exemplo: quando você está na rua sozinha e vê alguém te seguindo. Seu coração vai bater mais rápido, para bombear mais sangue para o resto do corpo e te deixar pronta para brigar ou correr se for preciso, deixando seus músculos tensos. Suas pupilas dilatam e o cérebro deixa de se concentrar em situações irrelevantes no momento, como controlar o que fica ou sai da sua bexiga. Esse é o papel do sistema nervoso autônomo simpático.

Aí você olha para trás e percebe que é só uma senhorinha tentando te devolver as chaves que você deixou cair. Toda a preparação que seu corpo tinha feito para se defender é desfeita pelo sistema nervoso autônomo parassimpático.

A parte legal disso tudo é que essas ações defensivas se passam em uma fração de segundo, sem que você nem tenha que pensar a respeito. E, de novo, isso te livra do peso de possivelmente esquecer alguma parte do processo.

Podemos achar que o nosso organismo está aí, quietinho, de boas, mas seu movimento é contínuo, constante e completamente independente do nosso controlo. Agradeça a ele da próxima vez que fizer seu coração disparar! Ele só quer te proteger.

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

  • Paola Rodrigues

    Nosso corpo é um universo!
    Adorei o texto.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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