12 de novembro de 2015 | Ano 2, Edição #20 | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Um guia (quase) completo para descobrir novas músicas

Sempre penso como tudo funcionava antes de existir a internet. Uma coisa que mudou bastante desde que ela surgiu foi a maneira como as pessoas descobrem músicas. Antigamente isso era feito principalmente através do rádio e programas de videoclipes na TV, o Spotify e YouTube da época. Agora, com estas ferramentas e outras, tudo ficou muito mais simples. E, talvez, essa facilidade fez com que descobrir músicas se tornasse um dos meus passatempos favoritos. Já perdi a conta de quantas horas procrastinei na internet procurando músicas e criando playlists. Sério. Passo tanto tempo fazendo isso, que coloquei até na minha bio aqui da Capitolina. Às vezes não me orgulho, mas, felizmente, toda essa habilidade adquirida ao longo de anos vai poder ser usada para o bem! Sim, estou muito feliz em dividir minhas táticas de procrastinação com o mundo. Só recomendo cautela.

Então, bora lá. Vamos começar pelo básico: você conversa sobre música com suas amigas e amigos? Seus gostos são parecidos? Se sim, já pensou em pedir algumas recomendações? É algo bem básico e, às vezes, nem precisa de internet, mas é bem legal receber dicas musicais de alguém que nos conhece e sabe de nossas preferências. Se o assunto não é muito presente nas conversas do seu ciclo social, existem diversos sites que podem ser úteis em recomendações bacanas. Entre alguns sites nacionais que falam um pouco sobre o cenário musical atual estão o Fita Bruta, Monkeybuzz e o NOIZE.

Mas se você não tem muita paciência pra ler sobre o assunto (confesso que não tenho!), outro jeito bacana e bem simples de descobrir novas músicas é ouvindo trilhas sonoras e playlists. As trilhas sonoras são parte importante principalmente de filmes, e já foram assunto aqui na Capitolina. Antigamente era comum encontrar vinis e CDs com trilhas, mas hoje em dia tudo ficou mais fácil. Normalmente é só procurar “nome do filme” + “trilha sonora” (ou “soundtrack“) que a lista das músicas aparecerá, às vezes na própria ferramenta de pesquisa do Google. Já as playlists são listinhas de músicas que normalmente possuem um tema. O site mais famoso usado para criar e compartilhar playlists é o 8tracks – usado inclusive para criar nossas playlists mensais e temáticas. Nele você pode procurar por playlists através de artistas/bandas ou pelo seu humor. A parte ruim é que o site está em inglês e temos que procurar nesta língua. Para estudar, por exemplo, procuramos por study, e por aí vai. O 8tracks está disponível também em apps para celulares.

Se você quer se aventurar sozinha – com a ajuda de algoritmos utilizados na interweb e comentados pela Vanessa aqui – há vários sites que às vezes acertam nas recomendações. Os mais simples são aqueles em que você joga o nome de artistas ou bandas e recebe diversas sugestões de artistas/bandas semelhantes. Conheço dois, que estão em inglês, mas são bem intuitivos. Tem o Music Map, em que você digita o nome de artistas/bandas e visualiza um mapa em que os nomes mais próximos têm alta similaridade, que vai diminuindo com a distância. E tem também o Music Roamer, em que você digita o nome de artistas/bandas e é feita uma conexão com oito artistas semelhantes. Com um clique duplo, dá para ouvir trinta segundos de algumas músicas desses artistas para ver se você gosta. Com um único clique em alguma dessas opções, dá para gerar uma nova rede de artistas semelhantes, indo em “More similar artists”.

Agora, falando sério, eu não poderia escrever um guia para descobrir músicas na internet sem citar a Last.fm. Ela é como uma rede social da música que entrou na minha vida antes do Facebook, em 2008. Fazia muito tempo que não usava o site e quando entrei lá para fazer esse texto levei um susto, tá tudo diferente! Algumas coisas foram preservadas, como a rádio, mas entre o que foi mantido e continua sendo 10/10 são as recomendações. Conforme você vai ouvindo músicas e aumentando seus ~scrobbles~ (o número de execuções) o site te dá recomendações de artistas, álbuns e eventos relacionados ao seu gosto musical. E, pelo menos para mim, costuma acertar bastante. Para aumentar sua biblioteca dá para baixar o aplicativo para computador ou celular, ou então conectar a Last.fm ao Spotify.

Há também vários sites de compartilhamento e streaming que podem virar seus melhores amigos. O mais famoso deles é o Spotify, um site/aplicativo que reúne de tudo um pouco do que foi falado até agora. No aplicativo para computador você pode ver o que seus amigos estão ouvindo, ouvir playlists, ver artistas semelhantes e também receber recomendações de álbuns. Mas, comparado às recomendações da Last.fm, as do Spotify são bem fracas, pois levam em conta somente suas execuções recentes. O mais legal dele é o recurso de rádio. Normalmente escolho um artista ou uma playlist e os algoritmos (lembra deles?) escolhem músicas relacionadas – e às vezes acertam em cheio! Também dá para usá-lo pelo navegador ou pelo celular, com a desvantagem de ter de pagar para não ficar sempre no modo aleatório.

Uma ferramenta de recomendação que às vezes funciona – eu disse ÀS VEZES – é a do YouTube. Além de vídeos fofos de gatinho (adoro), o YouTube também tem diversas músicas postadas, pois serve para compartilhamento e divulgação de material musical. E em todos os vídeos há varias recomendações. É bem fácil de usar, caso tenha familiaridade com o YouTube e dificuldade com outros sites. E você sempre pode cair em um vídeo de gatinho (essa batalha você perdeu, Spotify).

Há também outros sites usados por artistas para a divulgação de material, como o Soundcloud e o Bandcamp. O SoundCloud é utilizado por alguns artistas conhecidos e também por algumas gravadoras. Também é utilizado por artistas mais independentes, como a Juçara Marçal (a Bia falou dela aqui recentemente), Alessandra Leão e Siba. Já o Bandcamp é um pouco mais alternativo. É usado somente por artistas independentes para a venda e divulgação de material. Além de comprar músicas digitais ou CDs – até mesmo vinis – também é possível fazer streaming de álbuns completos. Dá para navegar pelas tags e conferir álbuns por estilos musicais ou países.

É bem provável que muita coisa tenha ficado de fora desse guia. Você descobre suas músicas de um jeito diferente? Comenta aí pra gente saber!

Heleni Andrade
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Minhas amigas me chamam de Leni. Estudo Artes Visuais mas tenho um pézinho no design. Gosto de navegar na internet, fotografar o mundão, cozinhar, descobrir músicas legais e fazer playlists.

  • Anne

    porque as vezes eu não consigo ouvir todas as músicas de uma playlist no 8tracks? aparece um recado de que as faixas são protegidas por lei, ou algo assim.

    • Heleni Andrade

      é que acho que o 8tracks usa musicas upadas em outros sites, tipo youtube ou soundcloud (não sei se tem a opção de upar a musica direto do pc) e esses sites às vezes tem coisas que são apagadas pelos usuários, ou que são protegidas mesmo, tipo quando a gente vai num video do youtube e aparece aquele recado “conteúdo não disponível no seu país”

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos