6 de agosto de 2014 | Edição #5 | Texto: | Ilustração: Mazô
Um mundo pintado diferente: o daltonismo

Nossa visão pode não ser tão legal quanto a dos camarões, que enxergam doze cores primárias ao invés de três, mas ainda tem complexidades interessantes, como ter dificuldades com a percepção de cores primárias (vermelho, amarelo e azul). Isso se chama daltonismo, em homenagem à John Dalton, quem começou os estudos a respeito da condição.

Estima-se que 8% da população mundial seja daltônica, sendo 7% pessoas que foram designadas como homens e 1% designadas como mulheres. Se levarmos em consideração que o Brasil tem, no momento, aproximadamente 200 milhões de pessoas, isso significa que 14 milhões de pessoas lidas como homens são daltônicas e 2 milhões de pessoas lidas como mulheres também. É gente, né?

A razão pro número de pessoas designadas como homens ser tão superior é a genética. O distúrbio está ligado ao cromossomo X. Ele nasce com XY, e ela com XX. Isso não significa, porém, que a loteria genética é a única maneira de ter daltonismo. Apesar de significantemente menos comum, o daltonismo pode se desenvolver por lesão nos órgãos responsáveis pela visão, ou lesão neurológica.

Daltonismo não tem níveis nem escalas, mas tipos. São três tipos (monocromacia, dicromacia, e tricromacia anômala), cada um focado em um aspecto genético, com subdivisões para cada cegueira de cor primária. Ter problemas para diferenciar cores primárias pode parecer, para pessoas que não sofrem de daltonismo, um conceito tão absurdo que é difícil entender. Por isso, sites como Etre tiveram a iniciativa de abrir os olhos para a visão daltônica. No site, você pode carregar fotos suas e ver como ficam quando vistas por cada tipo de daltônico.

Existe um quarto tipo de daltonismo, mas é tão raro que muitos simplesmente o desconsideram: é a visão acromática, quando a pessoa não possui os cones que fazem a recepção das cores. O resultado? Visão preto-e-branco. “Que nem cachorro”, ilustra uma portadora de visão acromática, tentando explicar como ela vê o mundo.

Se tudo isso confundiu um pouco você, tem um teste na Internet que pode ajudar. Se o teste der uma bagunçada maior na cabeça, é provavelmente a hora de falar com um médico, que pode diagnosticar qual é a situação.

Vale, porém, lembrar que daltônicos(as) podem viver de maneira absolutamente normal, desde que saibam da sua condição. Isso pode ser feito, por exemplo, observando a ordem das luzes do semáforo. Se as cores ficarem confusas, é bom procurar orientação.

Os educadores e escolas precisam manter os olhos abertos a possíveis alunos daltônicos, já que o grupo compõe os sujeitos aos direitos garantidos pela Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra Pessoas Portadoras de Deficiência – ainda que a lei seja pouco objetiva e existam várias profissões que não permitam portadores de daltonismo.

Cabe a todos nós tentarmos promover um ambiente menos confuso para quem tem percepção diferente de cores. É o mesmo mundo sendo enxergado, mas apenas pintado diferente.

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Gabriela Martins
  • Colaboradora de Cinema & TV

Apaixonada por seriados, escrever e dar aula. Estudante de letras, professora de inglês, escritora amadora enquanto um agente literário não se apaixona e diz que ela é tudo que sempre sonhou. Acredita veementemente na capacidade de cada um de salvar o mundo, e tem uma metáfora capa de super-heroína que veste mentalmente em situações difíceis.

  • Erlon

    Muito boa esta matéria, aprendi um pouco mais sobre minha deficiência!
    Parabéns!!!

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