1 de junho de 2017 | Ano 4, Edição #34 | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Uma autobiografia
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Pensa aí: qual foi sua última postagem numa rede social? O café da manhã? Aquele prato lindamente montado do almoço? Um podrão? Uma selfie com uma legenda de ‘auto exaltação’? Um repost de uma frase? O último vídeo fofíneo de um gatíneo ou catiorro? As possibilidades são infinitas, até porque talvez a sua postagem nem esteja listada aqui em cima. Já parou para pensar que cada coisa dessa que espalhamos no mundo virtual é um capítulo da nossa história, que se abre para quem nos acompanha, curte e compartilha, claro. Pensando por esse lado, cada um de nós já começou a escrever uma autobiografia.

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E não é que rolou, gente!

Esse caráter documental da parada está dentro de uma história sobre nós que queremos contar e repassar. Afinal, enquanto eu escolhia postar a foto da minha primeira fornada de pãezinhos (sim, eu estava muito orgulhosa!), várias outras opções eu descartava porque, naquele momento, queria falar sobre meu gosto pela cozinha.

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Nessa época, eu estava empenhada: teve pão, arroz cremoso, clara em neve batida na mão…

Compartilhar é isso, né?! Para cada foto que fazemos o upload, quantas outras ficaram para trás, no limbo do nosso rolo de câmera? Eu tive a fase das selfies (mas acredita que nunca uma selfie no espelho? E sim, eu tenho selfies no espelho), das paisagens, das frases motivacionais, da comida, dos filmes, do recordar é viver… Ixiii, são fases para serem compiladas em volumes. A minha atual fase, entretanto, seria uma página em branco nos meus livros com essas memórias compartilhadas.

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Não disse que tinha de tudo um pouco!

Fui tomada por uma crise de consciência e ansiedade. Veja bem, já ouvi de uma amiga: “ninguém conta derrota nas redes sociais”. E é meio que verdade, né!? Eu, então, parei para pensar sobre esse recorte que fazemos das nossas vidas nas redes, especialmente sobre o que eu estava fazendo. Quase sempre, de uns tempos para cá, quando estou perto de apertar o publicar ou compartilhar, pergunto-me: “qual a razão de eu estar compartilhando isso?”. A resposta não vem. Então, apago o post antes de ele chegar às timelines amigas. Talvez seja isso: quais histórias quero contar agora?

O uso espontâneo das redes já foi para as cucuias faz tempo. A gente repete os cliques até achar a melhor luz, o melhor ângulo, a melhor pose, o cabelo estar com o penteado ideal, maquiagem retocada… Depois, tem que colocar uma legenda que chame a atenção; nem muito longa nem muito curta; que tenha humor… Pensando que empresas usam nossas redes sociais para avaliarem como a gente se comporta, podemos ficar travados para escolher bem a foto ou para comentar qualquer assunto que venha na telha. Já vi até quem use uma regrinhas mais comerciais para postar: dá intervalo entre as fotos, não posta no mesmo cenário. Confesso, fiquei chocada.

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Para que esse fosse compartilhada, algumas (muitas) outras foram feitas e descartadas. Quase um ensaio! :O

Nenhum choque suficiente, entretanto, para deixar de lado o vício de ver e ser vista. Mas, como falei ali em cima, estou num momento de crise com minha imagem virtual, e com minha atuação nas redes. Percebi que ficar ali observando a vida alheia, ou melhor, a história que cada um conta nas redes, estava me deixando cada vez mais ansiosa. Isso era ruim porque eu estava num momento de muita ansiedade. Talvez veio daí a minha dúvida sobre o que postar nos próximos capítulos, já que isso também contribuía para eu ficar ansiosa: quem vai ver, quem vai curtir, por que fulano não curtiu, o que vão comentar… Eram muitas expectativas que eu criava e não sabia administrar. Sei que não estou sozinha, como você pode ler aqui. Então, dei um tempo. Por enquanto. Divirtam-se na minha “ausência” e logo nos vemos por aí de novo!


@Aline Bonatto

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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