15 de abril de 2016 | Saúde | Texto: | Ilustração:
Vacinação: a importância de se orientar e manter sua saúde em dia
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No dia 17 de março, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) promoveu um encontro de blogueiras para falar sobre esse assunto que é tão pouco tratado/conhecido entre nós, mas se mostra extremamente importante para a saúde pública. A Capitolina estava lá e pensamos em passar pra vocês todas as informações importantes que foram ouvidas, além de algumas dicas pra se informar melhor a respeito da sua própria vacinação.

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  • O que são as vacinas? Como elas funcionam?

A intenção das vacinas é, basicamente, prevenir doenças que normalmente causam hospitalização, mortes e implicações na saúde da população. Ela tenta garantir tanto a imunização individual (a proteção de cada um), quanto a imunização coletiva (que procura diminuir as formas dos vírus e bactérias circularem, impedindo/diminuindo os portadores).

Existe a vacina atenuada, que são os vírus causadores da doença cultivados em condições ruins pra se desenvolver, o que faz com que eles percam a capacidade de causar a doença, mas, ao serem colocados no corpo acionam o sistema imunológico – que produz anticorpos e passa a combater aquele vírus. E a vacina inativada, em que o vírus é colocado morto – por processos físicos e químicos – no corpo, mas ainda assim provoca uma resposta imunológica. Como o nosso organismo tem a capacidade de “se lembrar” do processo de imunização pelo qual ele passou – memória imunológica – aquela proteção fica guardada.

Além disso, existe a imunização ativa – quando seu próprio organismo produz o anticorpo e, sendo assim, ele tem a tal da memória imunológica – e a imunização passiva – quando os anticorpos vêm de outro organismo, por exemplo, da mãe para o bebê, que no caso não terá a memória, já que o processo de produção própria não ocorreu. Por isso os bebês precisam tomar as vacinas no tempo determinado, mesmo que as mães tenham tomado antes, eles não têm essa imunidade gravada neles.

Existe um tempo de intervalo entre as vacinas e é necessário que ele seja respeitado para que não se diminua a eficácia. Porém, mesmo que você atrase algumas doses, não precisa começar tuuuuudo de novo, você pode continuar de onde parou. Então mesmo que tenha iniciado alguma dose e não tenha terminado – aí bateu aquela “preguiça” de começar novamente -, vale voltar no local que você faz a sua vacinação e continuar tomando. Sempre é bom pedir orientação de cada caso no local que você geralmente se vacina ou até mesmo procurar na internet, atualmente existem bons sites que trazem informações completas sobre o assunto.

 

  • Qual a importância social de se vacinar?

Eu falei um pouquinho sobre a imunização coletiva, no item acima, e é basicamente ela que traz todo um compromisso social de manter sua própria vacinação em dia.

Nenhuma vacina vai ter 100% de eficácia – como tudo na vida! Pequenos fatores desde conservação inadequada, detalhes na própria produção ou a reação no corpo de cada organismo, podem prejudicar os resultados. Em geral, a maior parte das vacinas terá uma eficácia de 95%, o que indica que a cada 100 pessoas que tomam, 95 estão totalmente protegidas. Essas 5 pessoas seriam protegidas como, então? É aí que entra o compromisso social. Se todas as 95 pessoas que estão ao redor dessas 5 tiverem se vacinado (ou até nos casos em que a vacinação é contraindicada, por exemplo, algumas vacinas para grávidas) o vírus/bactéria não teria maneiras de se espalhar – por não ter nenhum portador -, e assim todas as pessoas estariam protegidas direta ou indiretamente. É basicamente assim que funciona o conceito de imunização coletiva. A gente se protege e, se protegendo, vai além da proteção própria e protege os demais.

 

  • Mitos e verdades sobre a vacinação

É bom falar aqui que o controle de qualidade de vacinas é bastante rigoroso. Antes de liberar são realizados estudos, são feitas avaliações por órgãos responsáveis e existe uma fiscalização, depois da liberação, caso haja alguma reação adversa na população. As vacinas da rede privada não são melhores do que as que são oferecidas gratuitamente, podem existir algumas diferenças no reservatório ou em alguns eventos adversos, mas elas são analisadas pelos mesmos processos de qualidade e segurança. O que acontece, infelizmente, é que algumas ainda são exclusivas da rede privada…e sempre vale a nossa luta pra poder tornar a imunização cada vez mais universal e de acesso igualitário.

Pegar a doença é melhor que vacinar? Não. Além de ser arriscado pra cada um, ter a doença não é sempre uma garantia de que você vai ficar imune a ela, você pode infectar outras pessoas e acaba tendo gastos maiores (a prevenção custa menos tanto a você, quanto à saúde pública).

A vacina da gripe causa gripe? Não. Ela não possui o vírus vivo. O que acontece é que geralmente existem vários vírus respiratórios que podem causar diferentes doenças – gripes, resfriados, outras – e a vacina não previne todos. Ou, em muitos casos, a pessoa já tem o vírus incubado antes de receber a vacina.

E a HPV, realmente está ligada a outras doenças e reações fortes? Não existe nada que comprove isso. O Brasil já aplicou um número suficiente de doses para identificar que a vacina é segura. As reações são pouco frequentes (geralmente ocorrem em 10-20%) e, normalmente, são leves: vermelhidão, dor, edemas próximas ao local de injeção, febre e dor de cabeça, que podem ser analisadas como efeitos adversos naquele organismo, que não necessariamente foram causadas pela vacina em si – pode ter sido a aplicação, o reservatório, ou o encontro daquele organismo com a vacina -. Normalmente os casos não costumam demonstrar ligação com a vacina – apenas ocorrem ao mesmo tempo, o que pode ser simples coincidência – e são tão poucos que não comprova nada a respeito da vacina.

Se eu estiver doente, eu posso ser vacinada? Não existe uma contraindicação pra isso, então sim…mas existe uma orientação para, em casos de doenças febris graves e moderadas, ter um certo cuidado, pra não prejudicar o diagnóstico da doença. Nesses casos, o melhor a se fazer é consultar seu médico ou o posto de saúde.

Tenho que esperar 1 mês pra tomar doses de vacinas diferentes? Com as vacinas vivas injetáveis sim. Ou você aplica no mesmo dia, ou com intervalo de um mês, porque a reação imunológica do seu corpo pode interferir na vacina que você tomará depois.

 

  • Dicas sobre como consultar (sites/calendários)

Finalizando, é bom pensar o quanto não se deve abandonar a vacinação, tanto por sua saúde pessoal, quanto pelo combate à várias doenças, impedindo a circulação dos vírus e bactérias. Nem todas as doenças dependem dos seres humanos para serem transmitidas, então também é importante estar sempre atento e se proteger.

Caso vocês queiram se informar melhor, existem sites que podem facilitar a busca. Lá vocês podem encontrar todas as informações completas a respeito da vacinação e do processo de imunização, além de outras questões envolvendo a saúde pessoal e pública, calendários de vacinação pra pacientes homens, mulheres, adolescentes, crianças e com alguma especificação, ebook de imunizações, entre outras informações.

SBIm: o site da Sociedade Brasileira de Imunizações

Família SBIm: é um canal do site da SBIm que logo na página inicial já mostra as proteções necessárias pra cada faixa etária.

Imunização: Tudo o que você sempre quis saber: é um ebook a respeito da vacinação. Ele é gratuito, você só precisa fazer um cadastro (bem rápido) colocando algumas informações iniciais e pronto pra baixar.

Blog da Saúde: cês sabiam que o Ministério da Saúde tem um blog? O que significa linguagem mais dinâmica, acessível pra quem é mais ligado em internet, né?

Karoline Siqueira
    Colaboradora de Saúde

Karol com K, tem 21 anos, é estudante de Psicologia e mora em Ribeirão Preto. Apaixonada pela subjetividade de todas as coisas e altamente reflexiva. É atrapalhada e tem noção espacial zero, derrubando tudo por onde passa; manter o equilíbrio é sempre um desafio. Gosta de dançar (e olha que essa é a única coisa que seu lado atrapalhado resolve dar um tempo e deixar ela fazer bem), ler e escrever, adora tudo relacionado ao feminismo (e não sabe muito bem escolher uma vertente só) e ama criar coisas novas – apesar de considerar que a criatividade não é seu forte. Ama vídeos de porquinhos fofos que fazem aquele barulhinho que ela nem sabe o nome, Taylor Swift, Beyoncé e comida. É fofa. Apesar de não querer assumir isso, sabe que é pelo tanto que ouviu essa descrição de si por aí. Mas aprende a gostar de ser fofa assim a cada dia mais. Seu grande objetivo é, dentre todas as mudanças que lhe virão, manter sua sensibilidade com os outros e consigo intacta.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.