12 de janeiro de 2015 | Cinema & TV, Música | Texto: | Ilustração: Bia Quadros
Valesca Popozuda

“Só comecei a entender que minha música poderia ser usada como um discurso quando as próprias mulheres chegavam para mim e diziam que o que eu cantava dava força para elas fazerem o que queriam e que eu falava muitas coisas que elas tinham vontade de falar.”

”Feminismo é lutar pela mulher.”

Esses são uns dos muitos discursos de Valesca Popozuda, a mulher que veio da periferia e que leva suas músicas de empoderamento e liberdade sexual para mulheres de toda as classes, principalmente para as da periferia.

Valesca dos Santos nasceu em Irajá, no Rio de Janeiro e trabalhava como frentista quando foi convidada para liderar um grupo feminino de funk carioca chamado Gaiola da Popozudas por 13 anos.

Valesca canta sobre uma sexualidade e desejo feminino que a todo o momento são reprimidos pela sociedade patriarcal, que a julgam como suja e imprópria. E para aqueles que a criticam e tentam retirar sua carteirinha feminista, é sempre bom relembrar que a autonomia do corpo feminino também é uma bandeira feminista.

Ter uma mulher falando sobre seu próprio corpo e incentivando as outras a fazerem o mesmo incomoda. Ouvi-la cantar que ”tá pra nascer homem que manda em mim” e incentivando as mulheres a irem atrás de sua autonomia e empoderamento é um marco.

Valesca dá voz às mulheres periféricas, mulheres que não costumam ser escutadas e que vivem uma realidade diferente daquelas pessoas que costumam analisar sua postura e música. As letras explícitas podem por vezes assustar, mas é necessário ter em mente que uma mulher cantar sobre si de maneira livre é empoderador. Termos que possam parecer chulos pra uma sociedade conservadora e de aparências, são reconstruídos e ressignificados em suas letras, para que representem a autonomia feminina.

Outra crítica bastante utilizada em relação a Valesca, é a afirmativa de que ela objetifica o corpo feminino. Mas o caso é: ela o possui, ela é dona de si própria, assim como as outras mulheres. Então por que não exibi-lo? Por que não exaltá-lo? Por exemplo, uma importante característica do universo do funk é um corpo feminino bem mais definido e malhado, o que contrasta com a imagem clássica e machista que classifica mulheres como seres pequenos, frágeis e que necessitam da força e cuidado masculino.

Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

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  • Julia Ornellas

    Não discordo de nada apresentado no artigo, mas me incomoda muito o fato das músicas da Valesca incitarem uma certa rixa/disputa entre mulheres. Não precisamos de coisas como “desejo a todas inimigas vida longa…do camarote não consigo nem te ver…o meu sensor de piriguete explodiu…” quem são nossas inimigas? outras mulheres iguais a nós?
    Na minha visão, isso foge um pouco de um discurso feminista sadio. Não adianta ela se empoderar e ao mesmo tempo criar rixas entre mulheres. Trabalho em projetos sociais com jovens no Rio de Janeiro, e muitas meninas aprendem esse discurso, de que outras mulheres são inimigas, recalcadas, e vários são os motivos. Quando a Valesca, que é uma referência para muitas, vem com um discurso desses, elas só se inflam mais de um discurso completamente baixo, mesquinho e separatista.
    “Beijinho no ombro só pras invejosas de plantão”, não é legal.
    Mas essa é a minha opinião 🙂

    • Izabele Renata

      Tenho a mesma opinião em relação ao que a Valesca fala das músicas. Recalque, inimigas, periguete … e “todas” aquelas palavras que foram ensinadas à nós para odiarmos a outra estão presentes na música. Iria comentar a mesma coisa. Acho que ela sabe meia verdade sobre o feminismo. De um lado ela tenta empoderar mulheres e em outro cultiva a rixa de que a outra é rival. Não faz sentido. Não sou vidente, mas acredito que ela ouviu falar do feminismo e gostou, mas não se aprofundou em saber mais porque achou que sabia de “tudo”. A parte do feminismo que teve contato, mudou as suas ideias e a outra parte (da sonoridade, da outra não ser a inimiga..) ela não teve contato e as opiniões machistas continuaram. Ela é uma pessoas da mídia que pelo menos fala do feminismo, pontos para ela, mesmo que seja um feminismo em partes machistas, que – por favor – vão ser mudados.

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