16 de abril de 2015 | Ano 2, Edição #13 | Texto: and | Ilustração: Isadora M.
Viagem no tempo: um sonho impossível?

Quem nunca pensou em voltar no tempo que atire a primeira pedra. Sabe quando você faz aquela prova e se arrepende de não ter estudado nadinha de nada; ou quando briga com alguém por uma coisa boba e acaba saindo da boca uns absurdos que você nunca falaria se não fosse a tensão do momento; ou quando você quebra aquela jarra preferida da sua mãe que passou de mão em mão por gerações? A vontade de ter um botãozinho para clicar e consertar todos os nossos erros é gigante. Viajar no tempo poderia resolver muitos problemas. Se isso fosse possível, acidentes não aconteceriam mais. Tudo o que fizéssemos na nossa vida seria teoricamente o caminho certo; poderíamos testar vários trajetos e analisar qual faria mais sentido naquele momento. E, se um dia aquele caminho não fizesse mais sentido, relaxa amiga, nada de estresse, voltamos atrás e resolvemos isso! Mas esses são só alguns exemplos mais banais do que uma máquina do tempo poderia resolver. Imagine poder salvar vidas, corrigir catástrofes, evitar guerras, etc.!

Uma máquina do tempo ainda está longe de ser construída, se é que seremos capazes de construir algo assim. Mas isso não impede o ser humano de sonhar alto. Livros, filmes, séries, vídeo games já foram criados com essa temática.

Para mim, Dora, ao pensar em entretenimento e viagem no tempo, instantaneamente acende uma luzinha na minha cabeça gritando Doctor Who. Embora poucas pessoas saibam, Doctor Who é uma série bem antiga. A primeira temporada saiu lá em 1963 e, recentemente, após uma pausa de dezesseis anos, ela voltou com tudo em 2005. Nesse caso, a viagem no tempo ocorre através de uma nave em formato de cabine policial britânica. O piloto dessa nave espacial é o nosso querido Doctor, o último individuo de uma espécie alienígena, os tais Senhores do Tempo. Doctor viaja do passado para o futuro, para o nosso presente (que teoricamente não existe se você é um senhor do tempo, não é mesmo?). Em Doctor Who, o tempo é composto por camadas que podem se entrelaçar e ser alteradas, apesar de existirem alguns pontos fixos nesse diagrama maluco temporal que são impossíveis de mudar. Nas palavras do próprio Doctor: “As pessoas presumem que o tempo é uma rígida progressão de causa para efeito, mas na verdade, de um ponto de vista não linear e não relativo, ele é mais como uma grande bola de um barato muito doido de espaço-tempo… coisado”. Os cientistas (maravilhosos cientistas que fazem tudo virar realidade) criaram uma teoria da viagem no tempo tendo o voo da TARDIS como exemplo; se você quiser ler um pouquinho mais sobre isso clique aqui (infelizmente está em inglês).

O segundo colocado da minha listinha é Donnie Darko. É bastante difícil descrever o filme sem dar muitos spoilers — se você ainda não viu Donnie Darko, pule para o próximo parágrafo!!! Fui viciada no filme por um bom tempo e acho que o assisti pelo menos umas cinco vezes durante a minha adolescência. Aprendi a tocar “Mad World” no piano por causa dele e achava o Jake Gyllenhaal mega gato. A teoria sobre a viagem no tempo em que o filme se baseia é de uma moça chamada Roberta Sparrow, que não existe de verdade, ela é um personagem dentro do filme. Segundo ela, quando a quarta dimensão (o tempo) entra em colapso, um universo tangente idêntico ao nosso é criado. Durante a cópia do nosso universo em um universo tangencial, pode ocorrer um glitch e algum objeto é duplicado. Esse objeto deixa o universo tangencial bastante instável, tornando possível a aparição de um buraco negro que poderá destruir toda a existência do nosso universo. Se esse objeto duplicado se destruir, o universo tangente se autodestruirá de maneira estável (e segura). O papel de Donnie é justamente destruir esse objeto, e é aí que entram o famoso buraco de minhoca, voltas no tempo e pulos de universo para universo. É confuso? É! Mas é um filme incrível e vale muito a pena ver.

Por fim, temos a série de filmes De volta para o futuro! Ao assistir aos filmes, nós acompanhamos Marty McFly e suas aventuras no tempo através de uma máquina criada por Doctor Brown, um cientista local. A viagem no tempo retratada no filme segue aquele pressuposto um pouco mais linear de tempo. Nessa lógica, ao voltar para o passado, você pode alterar algo no futuro e mudar o rumo do presente (em que a viagem ocorreu), criando um paradoxo. Afinal, se você alterar algo no passado, você tem o risco de sequer existir no futuro, impossibilitando a sua viagem no tempo.

Viagem no tempo não é um assunto muito fácil de se entender, envolve muita física pesada e anos de estudos. Mas tem cientista por aí rachando a cabeça buscando uma resposta para essa questão.

Mas as viagens no tempo não são só essa belezura toda. Viajar no tempo engloba milhões de problemas – desde questões mais básicas (como aprender a lidar com seu próprio erro) até teorias complexas da física envolvendo a teoria do caos. Para mim, Clara, uma das questões mais interessantes (e por isso mesmo que quis escrever essa pauta) é como não criar um paradoxo temporal ao viajar no tempo. Porque o que geralmente acontece é que pensamos: “Nossa, como seria incrível poder voltar e mudar isso ou aquilo!” ou mesmo: “Cara, adoraria voltar para [insira aqui algo que você queria ter vivido mas não viveu]”. Porém, acabamos esquecendo das consequências que podem afetar a nossa linha temporal.

Peguemos um exemplo simples: quebrei o vaso de minha mãe. Com uma máquina do tempo, poderia voltar momentos antes do acontecimento e mudar a ordem das coisas, de forma que o vaso não fosse quebrado. Assim, quando eu voltasse ao presente, tudo estaria em ordem, certo? Errado. Se eu voltasse no tempo e impedisse de quebrar o vaso, o vaso nunca teria sido quebrado para início de conversa. Dessa forma, meu (novo) eu presente nunca teria que voltar no tempo para impedir que o vaso se quebrasse. Mas se eu não voltasse no tempo para impedir o vaso de quebrar, não haveria minha interferência e eu o quebraria, como aconteceu da primeira vez. E, se ele quebrasse, eu voltaria no tempo para impedir a quebra, mas aí voltaria ao presente e nada teria acontecido e essa sequência se repetiria eternamente. Eu acabaria presa em um ciclo vicioso do tempo e nunca conseguiria avançar para o futuro.

Com isso, entendemos que jamais poderíamos influenciar – pelo menos conscientemente – nada que desejamos, porque acabaríamos presas nessa roda temporal. Mas, poxa, não posso nem ir para uma época distante? Sem falar com ninguém, tocar em nada? Prometo só observar! Pois bem, o que as pessoas que pararam para teorizar sobre viagens no tempo imaginam é que, mesmo se você não for agente ao voltar no tempo, só o fato de você estar lá muda o rumo das coisas. Pense bem: você ocupará um espaço na rua, fará alguém desviar de você, poderá esbarrar em alguém ou algo, alguém poderá interagir com você. E por menores que essas coisas sejam, isso pode interferir bastante no curso do tempo. Quantas vezes você mesma não pensou que, chegando cinco minutos antes ou depois, tudo poderia ser diferente? Pois é. Uma pessoa estar no lugar que não estava a primeira vez que as coisas aconteceram poderia causar exatamente esse efeito. É o clássico efeito borboleta: o bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo. Então, imagina o que uma pessoa, mesmo que parada, não pode fazer!

Além do mais, se a viagem no tempo fosse realmente popularizada, não estaríamos falando de uma pessoa voltando para o passado ou indo para o futuro, mas sim de milhões de pessoas fazendo isso! E aí é que o bicho ia pegar de verdade. Seriam tantas mudanças constantes que seria impossível seguir um curso linear. Talvez chegasse a um ponto em que nada é real, vai saber.

Mas enquanto a viagem no tempo não existe para que saibamos suas consequências, o que nos resta é sonhar, não é mesmo?

Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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