16 de dezembro de 2014 | Estudo, Vestibular e Profissão | Texto: | Ilustração:
A vida é um emaranhado de saberes
Ilustração: Isadora M.

Ilustração: Isadora M.

Desde que nascemos estamos em um incessante processo de aprendizagem. Sabemos tantas coisas que a maioria passa despercebida e é como se sempre soubéssemos, como se fosse uma habilidade natural. Mas é justamente o contrário, o que sabemos diz muito sobre nossas vivências. O que conheço tem influência do lugar que eu moro, das pessoas com quem convivo, minha classe social e gênero. Por exemplo, eu sei falar português, porque nasci no Brasil, sei fazer panqueca, porque minha mãe me ensinou, e depois de muitos anos me borrando toda, aprendi a passar batom vermelho. Ao longo dos anos vamos nos construindo através de novos saberes, não em um progresso linear, mas em uma grande confusão de possibilidades.

Esses conhecimentos estão tão próximos da vida que dificilmente os reconhecemos como saberes. Em geral, saber é algo associado à educação, seja na escola, na universidade ou cursos técnicos. Mas qualquer um que frequentou uma escola já se fez a pergunta: Por que eu tenho que aprender isso? Infelizmente, é raro que a escola ensine conteúdos úteis para nossa realidade. O saber que está em questão nessa educação tem um valor posterior: passar no vestibular e entrar na universidade. Assim, enquanto isso não acontece, a vida parece ser uma eterna preparação.

A ideia desse texto não é desprezar o ensino escolar, porque sem dúvida ele importa, mas alertar para a existência igualmente importante de outros saberes. Porque, no mundo em que vivemos, alguns conhecimentos são mais valorizados do que outros – não é à toa que algumas profissões são consideradas superiores e dignas de maiores salários. Embora isso seja parte de nossa realidade, não significa que o sistema que define esses valores esteja certo. A verdade é que existem saberes que não são produtivos ou lucrativos, mas que de alguma forma nos ajudam a viver melhor. Costumo dizer que uma coisa que eu sei é aproveitar o verão. Isso não me faz mais culta, rica ou bem sucedida que ninguém, mas me faz feliz sem precisar de nenhum tipo de comparação. A ideia desse texto é lembrar que você não é só uma aluna (ou insira aqui sua profissão), você é, sobretudo, uma pessoa. Quem você é e o que você pode não se limita apenas às matérias do colégio. Há inúmeros gestos, atividades e experiências fora desse universo escolar.

Às vezes confundimos viver com crescer. É como se a fragilidade que nós temos, um corpo que vive em um determinado lugar e tempo, seguisse as regras de um caminho linear e bem definido. Nossa tarefa, então, é seguir esse trajeto, adquirindo as habilidades precisas, nos adaptando para sobreviver. De acordo com essa ideia, quem não acompanha esse trajeto não pode passar de fase (ou de ano). Mas a vida é muito mais do que uma linha de produção. Portanto, aprender não é apenas acumular conteúdos, é um ato, uma experiência, que nos expande e revoluciona. Porque se somos constituídos pelo nossos conhecimentos, cada novo saber significa uma nova possibilidade. Aprender a cozinhar é um modo de ganhar mais autonomia, de se cuidar ou deliciar. Escrever, nadar, desenhar, costurar, beijar, jogar (videogame, vôlei, futebol, tarô), fotografar, correr, enfim, todas essas atividades são meios, através delas você pode realizar descobertas, se potencializar, viver um processo de aprendizagem e, enfim, se transformar.

Nós da coluna de EVP acreditamos que saber é poder mais, por isso, nosso projeto verão é investir em outros saberes que não dizem respeito às nossas vivências escolares e profissionais. Queremos aproveitar as férias para nos tornarmos ainda mais poderosas e felizes. E olha que já somos muito.

 

E você? Qual saber te faz mais poderosa?

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Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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