23 de setembro de 2017 | Ano 4, Sociedade | Texto: e | Ilustração: Bruna Morgan
Visibilidade Bissexual
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Dia 23 de setembro é do Dia da Visibilidade Bissexual, mas comemoramos a data durante todo o mês de setembro.  O dia da Visibilidade Bissexual foi criado em 1999 por três ativistas norte-americanos bissexuais, Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Wilbur, pois as demandas da população bissexual não eram ouvidas pela sociedade. O movimento LGBTQIA ( Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Queer, Intersexo e Assexual) é muito plural e diverso, por isso cada grupo da sigla tem especificidades diferentes que devem ser conhecidas. 
Os bissexuais são pessoas que sentem atração sexual e romântica por mais de um gênero ou por todos os gêneros. Isso inclui as pessoas do mesmo gênero, do gênero oposto ou aquelas que não se identificam com a binaridade.

 

Só nos anos 2000, as pessoas bissexuais passaram a se organizar na militância de maneira mais ativa e a fazer parte do movimento LGBTQIA no Brasil, que antes era protagonizado majoritariamente por homens gays, lésbicas e pessoas trans.

 

Apesar das pessoas bissexuais sempre terem existido, até hoje há um preconceito muito grande contra esse grupo e a crença de que não é uma orientação sexual verdadeira. Bissexuais não são pessoas indecisas, nem metade gay ou hétero. É uma sexualidade válida e completa.

 

Uma pesquisa  realizada no Reino Unido pela LGBTI Equality Network, revelou que 85% das pessoas bissexuais entrevistadas se sentiam “apenas um pouco” ou “nem um pouco” parte de uma “comunidade bissexual. 66% afirmaram que se sentiam “apenas um pouco” ou “nem um pouco” parte da comunidade LGBT, e 69% disseram que se sentiam “apenas um pouco” ou “nem um pouco” parte da comunidade heterossexual.

 

O não – lugar das pessoas bissexuais se deve a todo esse preconceito que enfrentamos constantemente.  Não somos aceitos completamente por pessoas homossexuais e nem por heterossexuais, o que faz com que seja ainda mais difícil nos organizamos e fazermos parte do movimento LGBTQIA. Além de interferir na nossa própria sexualidade, já que achamos que temos que esconder que somos bissexuais das pessoas com medo de como elas podem reagir.

 

Nos Estados Unidos, o BiNetUSA, Bisexual Resource Center e Movement Advancement Project (MAP) revelou que pessoas bissexuais têm até seis vezes mais chance de esconder sua orientação sexual em relação a gays e lésbicas. E apenas 28% das e dos bissexuais afirmaram que as pessoas mais próximas sabiam sobre sua orientação sexual. em comparação com 77% para homens gays e 71% para lésbicas.

 

Vivenciamos também uma falta de representatividade nos meios de comunicação, filmes e séries. Quando uma mulher bissexual está em um relacionamento, por exemplo, sua sexualidade é apagada e ela é considerada lésbica ou hétero. Essa representatividade é importante para fortalecer a luta de estabelecer a identidade bissexual como válida e visível.

 

Um relatório anual feito por uma ONG americana dedicada ao monitoramento das representações LGBT na mídia, chamada “The Where We Are on TV” (“Onde nós estamos na TV?” em português), traz análises quantitativas sobre os personagens dessa categoria em séries dos Estados Unidos. Segundo essa instituição, no período 2015-2016, dentre os personagens LGBT, 12 são mulheres bissexuais (17%) e apenas 2 são homens bissexuais (3%). Além disso, apenas 4% (35 no total) dos personagens recorrentes das produções seriadas dos EUA se identificaram como gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros.

 

Ou seja, os bissexuais, mesmo dentro da lógica LGBT, são pouco representados e muitas vezes criados com bases em estereótipos nocivos e preconceituosos, com caráter bifóbico.

 

A bifobia é a opressão que pessoas bissexuais sofrem por conta da sua sexualidade. Ela se reflete através do medo e ódio relação às pessoas bissexuais e pode ser observada através de diversas situações recorrentes, como:

 

  • A luta dos bissexuais para ter sua sexualidade reconhecida
  • Somos fetichizadas por homens e preteridas por muitas mulheres por conta da nossa sexualidade
  • Somos vistas como promíscuas, indecisas, infiéis ou em uma fase
  • Sofremos violência física e emocional por conta da nossa sexualidade
  • São poucos os dados oficiais e de políticas públicas dirigidas especificamente para esta população

 

É por todos esses motivos que termos um mês de celebração da bissexualidade é tão importante, precisamos mostrar que existimos e nos fazer visíveis.

 

Somos bissexuais e temos muito orgulho <3

Vicky Régia
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
  • Coordenadora de Esportes
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 21 anos, estuda jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. Adora conhecer diferentes culturas e é apaixonada pela arte de contar histórias. Dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT e acorda todos os dias pensando em como mudar o mundo.

Daniela Matos
    Colaboradora de Sociedade

Um pouco de tudo: muito comunicativa, meio programadora, bastante feminista, quase internacionalista e uma futura viajante. Escrevo o roteiro da série sobre a minha vida dentro da minha cabeça (é por isso que as vezes eu rio sozinha) e gosto muito de batatas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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