16 de agosto de 2016 | Fala Mais, Sem categoria | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
Visibilidade lésbica
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Dia 29 de agosto é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e, durante o mês todo, vão rolar atividades para nos dar mais voz no movimento LGBT. Mas o que é, afinal, ser invisível? Pra que existir um mês inteiro com essas atividades voltadas ao público lésbico?

O primeiro exemplo que me vem à mente é apresentar a namorada para família e conhecidos como sendo sua “amiga”. Muitas meninas e mulheres não podem compartilhar com a família sua sexualidade. Por medo de serem agredidas, expulsas de casa, ou mesmo julgadas por familiares que deveriam nos apoiar incondicionalmente, acabamos escondendo quem somos de verdade. E isso nunca acontece sem algum (ou muito) sofrimento.

Mas ser invisível não é apenas o esforço diário de passar despercebida diante dos olhos julgadores da sociedade. A luta da mulher lésbica vai muito além disso, e é necessária mesmo em espaços que deveriam ser seguros para nós, como dentro do próprio movimento LGBT.

Infelizmente, o machismo está presente no nosso dia a dia e acontece mesmo em ambientes mais “abertos” a nos aceitar, né? A lesbofobia, que é o preconceito voltado às mulheres homossexuais, é em certa medida mais intensa que a homofobia, pois ela envolve também o machismo e a violência contra a mulher.

Além de não nos encaixarmos no padrão esperado pela sociedade (que supõe que todas nós nascemos gostando de homens, isto é, que somos heterossexuais), somos meninas e, portanto, valemos menos aos olhos da sociedade. Sujeitas ao machismo, feminicídio (assassinato de mulheres), estupros corretivos, dificuldade no acesso ao aborto e outras formas de violência, a mulher lésbica tem um lugar ainda inferior ao da mulher heterossexual na sociedade. Quando a mulher lésbica é negra e/ou periférica, a vulnerabilidade é ainda maior.

Dentro dessa lógica que serve ao masculino, nos colocamos fora da zona de alcance dos homens heterossexuais – e isso incomoda muito. Para alguns, viramos objeto de desejo. Para outros, objeto de repulsa. Alguns irão fantasiar nossa sexualidade, outros desejarão nos assassinar pelo simples fato de amarmos mulheres.

Para muitos homens, não deve ser fácil entender que o mundo não vira ao redor daquilo que há entre as pernas deles, né? Não existir para servir ao prazer masculino, abraçar nossa própria sexualidade e nosso próprio prazer não são atitudes vistas com bons olhos pela sociedade conservadora na qual vivemos.

Com uma medicina voltada à concepção, temos nossa saúde negligenciada. Faltam políticas públicas voltadas à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis entre mulheres, falta acesso a exames, tratamentos. Alguns médicos e médicas mais conservadores podem nos enxergar com maus olhos porque supõem que não queremos ser mães – o que nem sempre é verdade! Por isso, muitos deles fazem um atendimento superficial de moças que se declaram ser homossexuais; para muitas, principalmente as mais jovens, às vezes nem é possível falar sobre nossa sexualidade com eles, pois temos medo ou vergonha.

Não há dados suficientes sobre a violência contra a mulher lésbica, nem dados sobre nossa saúde mental. Muitas vezes, até esquecemos que também podemos sofrer com relações abusivas, apesar de sermos mulheres.

Fetichizadas, ignoradas pela medicina ginecológica, constantemente com medo de sermos atacadas e assassinadas, as mulheres lésbicas organizam anualmente atividades para discutir nossa visibilidade em várias cidades.

Não podemos deixar a bandeira da diversidade encobrir a luta das lésbicas por direitos e respeito!

Alguns projetos estão ajudando a mostrar para o mundo que lésbicas existem e resistem! Nesse mês de agosto, que tal reconhecer a importância de se visibilizar as mulheres lésbicas? Um projeto bacana, chamado lgbt.our, está espalhando alguns cartazes pelas ruas do Brasil e do mundo. Vamos mostrar pro mundo que (r)existimos, e que não somos apenas mais uma letra na sigla da diversidade.

 

Somos sapatão sim, e nos orgulhamos disso!

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Quer ler um pouco mais sobre isso? Olha aqui, miga:

http://lgbtour.tumblr.com/

www.revistacapitolina.com.br/relacionamentos-abusivos-lesbicos/

http://blogueirasnegras.org/2014/08/29/dia-nacional-da-visibilidade-lesbica

http://www.revistacapitolina.com.br/serie-visibilizar-10-respostas-10-perguntas-frequentes-sobre-lesbicas/

http://www.revistacapitolina.com.br/essa-e-a-minha-amiga/

http://blogueirasfeministas.com/tag/dia-da-visibilidade-lesbica/

https://marchamulheres.wordpress.com/2015/08/27/as-mulheres-que-amavam-as-mulheres/

Carolina Sapienza
  • Coordenadora de Ciências

Carol nasceu em 1991 e mora em São Paulo. Bióloga que queria ser de humanas, gosta de escrever sobre ciência mas mantém o caderninho de poemas sempre na bolsa.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.