21 de setembro de 2015 | Ano 2, Edição #18 | Texto: | Ilustração: Beatriz H.M. Leite
Você é incrível: valorizando suas próprias conquistas

Sabe quando você estuda muito pra uma prova e consegue tirar uma nota boa, além das suas expectativas? Ou quando se acha incapaz de cozinhar, mas aí vai lá, tenta aquela receita de coxinha vegana das migas e fica super bom? Se acha péssima nessas coisas que exigem habilidades manuais, mas consegue fazer seu próprio porta-treco? E quando você passa pro curso que você queria no Enem? Todos esses exemplos são conquistas. Algumas nos dão mais trabalho ou têm mais significado pessoal, mas todas elas são, igualmente, conquistas. E devem ser valorizadas como tal.

Muitas vezes, não reconhecemos nossa própria força. E, especialmente enquanto mulheres, somos ensinadas desde cedo a não nos acharmos grande coisa. Passou de ano direto? Não fez mais do que obrigação. Passou em segundo lugar no concurso? Podia ter sido o primeiro, né. Ganhou o intercolegial? Seu irmão também. Fez feijão sozinha pela primeira vez? Ah, e daí, quanta gente faz feijão todo dia e não ganha prêmio nenhum por isso. E por aí vai.

Esses pequenos comentários nos fazem internalizar que nunca somos boas o bastante. Sempre dava pra ter sido melhor, nada nunca está bom. O problema disso é que acaba atacando horrores nossa autoestima e motivação para fazer as coisas. Aprendemos que, já que nunca é o suficiente, não somos o suficiente e, por isso, qual é o sentido de fazer as coisas? “Ah, deixa pra lá.” E assim nos educamos a ficar quietinhas no nosso canto, seja deixando de tentar (afinal, pra quê, né?) ou deixando de reconhecer quando somos boas em algo. Chega disso!

Não se trata de sair por aí ostentando ou tentando despertar inveja nas outras pessoas, mas de reconhecer o seu próprio valor. Parar e pensar: caramba, que legal que eu consegui fazer isso! E se permitir um momento de comemoração – mesmo que as pessoas em volta não reconheçam ou que a conquista em questão seja significativa só pra você.

Isso também tem a ver com ter uma visão mais positiva sobre as coisas que fazemos. Euzinha, por exemplo, terminei o mestrado com oito meses de atraso, porque surtei no processo, e me condenei muito por isso. Do tipo: ah, levei tanto tempo pra terminar que nem conta, né. Mas CONTA SIM. Percebi conversando com outras pessoas que terminar um mestrado é mega difícil e eu tenho que ficar feliz por mim mesma sim por ter conseguido. Não foi da maneira ideal? De forma alguma. Mas o que nessa vida acontece de maneira ideal? É muito mais produtivo enxergar essa conclusão do mestrado como uma conquista do que ficar focando no negativo, que foi o tempo que levei para alcançá-la.

Da mesma maneira, nós também devemos valorizar nossas conquistas que costumam ser vistas como menores. Você sempre tira 2,0 em matemática e nesse bimestre conseguiu tirar 5,0? Parabéns! Sério. Uma pessoa que tira sempre 2,0 em uma matéria tem dificuldade nela e é muito improvável que consiga pular de um 2,0 pra um 10. Sendo assim, conseguir tirar 5,0 é uma conquista e valorizar isso como tal é o que dá motivação para continuar estudando e tentando e conseguir chegar ao 10. Desconsiderar o 5,0 só porque ainda não é uma nota alta não motiva e não encoraja, só desanima.

Dê-se valor. Pare de categorizar tudo que você faz como “nada de mais”. Aprenda a ouvir elogios. Quando lançamos o livro da Capitolina, recebi vários parabéns por ser autora publicada e eu sempre respondia: “Ah, mas é só UM texto em um livro, não é exatamente o meu livro.” Que comentário desnecessário! Estou me treinando a apenas agradecer. Proponho a vocês, leitoras, que treinem também. Pratiquem esse autorreconhecimento, desde as pequenas coisas. Tira um tempinho do seu dia pra listar o que você fez de bom. Dê-se algo de presente. Olhe pra Beyoncé. Fique feliz por você mesma. Você é incrível.

Laura Pires
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Vlogger

Usa seu vício em séries e Facebook como inspiração para os textos, para a vida e para puxar assunto com os outros. Adora ouvir histórias e conversar sobre gênero, sexualidade, amor e relações amorosas – gosta tanto desses temas que deu até um jeito de fazer mestrado nisso. É professora de inglês, cantora e pianista amadora de YouTube, fala muito, ri de tudo e escreve porque precisa. Ama: pessoas e queijo. Detesta: que gritem.

  • Ana Julia Ribeiro

    Esse texto é muito amor! Me alegrou muito, principalmente na parte em que você diz sobre a nota de matemática haha Vou mandar pras minhas amigas <3

  • Lorena.

    Oi Laura. Eu gostaria de agradecer por esse texto tão legal, sei que vai encorajar muitas meninas a celebrar e valorizar mais suas conquistas, mas, para mim, ele foi muito bom de outra forma. Não pelo que eu já conquistei, mas pelo que posso conquistar. Há um tempão venho adiando MUITAS coisas que quero fazer por medo de não realizá-las da maneira ideal, como imagino. E tenho refletido muito sobre o assunto, lido sobre, até que me deparei com uma frase que mudou tudo (no pinterest, provavelmente) que é “now that you don’t have to be perfect, you can be good”. Assim, tirando o peso de ser fabulosa e impecável em tudo, você tira boa parte da pressão, até enxergar seus objetivos como coisas que você CONSEGUE realizar, e então, colocar a mão na massa e fazer. Porque ninguém vai, como no exemplo do seu texto maravilhoso, de nota 2,0 pra 10,0. Mas vai de 2 pra 5, e de 5 pra 8, 9, e finalmente 10. Acho que devemos valorizar nossas conquistas, principalmente, baseadas no processo, nos desafios que vencemos e não só no resultado. Gostaria de acrescentar que simplesmente dar o primeiro passo em alguma direção já é uma conquista imensa! E esse é meu fantasma agora, mas que continuo tentando vencer todos os dias, e ler Capitolina ajuda <3 Obrigada 🙂

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Esse texto foi muito importante para mim nesse momento que estou. Sempre digo algo ao invés de agradecer, e acho que deveria começar a mudar isso

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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