12 de julho de 2015 | Ano 2, Edição #16 | Texto: | Ilustração: Kiki
Você não está errada em se mostrar para o outro

Às vezes, quando paro para analisar a escolha do meu nome, eu percebo que não teria nenhum outro que falasse melhor sobre mim do que Maria Clara fala. Ele consegue fazer uma alusão perfeita às transparências que estão junto a mim nas relações que tenho em meu dia a dia. Muitas vezes, pós-decepção amorosa, eu desabafo com meus amigos: “Não queria ser tão transparente. Não queria me abrir tão fácil. Falar dos meus anseios, medos, segredos. Não queria ter confiado”. Já cansei de estar nessa situação de, aos prantos, me entristecer por ter me aberto tão facilmente. A última vez que fiz isso foi há algumas semanas e, dessa vez, lamentando, finalmente, consegui ver essa situação de uma outra forma.

Enquanto mulher feminista, me percebo cobrando muito de mim mesma às vezes. “Não chore, não se abra tão fácil, não se mostre vulnerável, não SEJA vulnerável, não confie tão fácil, não se desabe dessa forma”. Às vezes percebo que possuo uma relação abusiva comigo mesma. Onde eu estabeleço limites que não posso ultrapassar, que precisam se manter intactos e fortes. A questão é que não sou feita de concreto. Eu caio. Eu choro. Nem sempre sou forte. E, dentro dessa reflexão, pude perceber que não havia nada errado em me abrir para alguém que, naquele momento, eu estava me sentindo bem ao lado, suficientemente, para contar coisas, rir e compartilhar experiências momentâneas juntas.

Percebi e reconheci a importância de manter a leveza nas relações que construo. Sejam profissionais, sejam de amizade, sejam no campo amoroso. Ser leve, em minha visão, é deixar as coisas fluírem de forma natural. A partir do que, dentro de mim, eu sei que é o melhor para mim. Tenho consciência de que breco certos atos porque, facilmente e inconscientemente, os configuro como ruins. Então, se eu quis falar determinadas coisas para pessoa “x” e se aquilo, naquele momento, me pareceu o certo, que deixe fluir. Que se permita acontecer. Se não consegui fazê-lo, tudo bem, também. Acredito que tanto a busca por tentar se calar quanto a de se abrir são processos que precisam ter seu próprio ritmo, respeitando sempre os nossos limites. Nada obrigado é confortável. Então, que consigamos deixar tudo isso da forma mais maleável possível.

Maria Clara Araújo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Futura pedagoga e feminista que transversaliza as questões de gênero e raça. Meu nome se tornou uma alusão à minha transparência em relação aos meus sentimentos. Pisciana, sinto como se eu fosse um mar misterioso e difícil de se velejar.

  • Tayná

    Quando um texto é demasiado pisciano <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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