24 de maio de 2015 | Ano 2, Edição #14 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Você tem um minuto para ouvir a palavra do infinito?

“O infinito nunca acaba porque nunca começou”, disse André Abujamra na música “Infinito de pé”. Ouvi esse verso na infância e fiquei boladíssima: foi a primeira vez que eu parei para absorver o absurdo da noção de “infinito”. Porque, né, a gente ouve falar, mas é meio como um lugar pelo qual você passa todos os dias e acha que tem alguma coisa de muito interessante ali, mas nunca entra porque tá sempre de passagem e com pressa. Só que hoje a gente vai entrar nesse lugar com o pé na porta. Na real, já entramos.

Enfim. Desde o peteleco inicial nas minhas reflexões sobre o infinito, o oito deitado me deixa assustada e fascinada na mesma medida. Assustada porque dá um medinho de pensar no que pode se esconder no desconhecido. Fascínio porque tentar desvendar o que não pode ser desvendado sempre rende excelentes ideias, apesar de estar fadado ao fracasso de qualquer conclusão. Mas tudo bem, a graça é o caminho.

Pessimista, eu? Pessoal, sejamos francas: o infinito é quase como uma crença. Não sou religiosa, mas acredito que a essência de qualquer divindade tem muito a ver com o assunto que estamos tratando. O divino é onisciente, onipotente, onipresente. Compreende coisas que ultrapassam nossa capacidade de compreensão. Ou, seja, para laçar o infinito, para sacar mesmo que loucura é essa, teríamos que ser Deus. Tanto é que tem gente que acha que o universo não é infinito, feito religião mesmo.

Seria então a teologia que dá conta de estudar o infinito? Ou seria a física? Ou a filosofia? Todo mundo tem voz nos pitacos sobre o infinito. Um pouco de fé, de concretude, de abstração, de matemática, de criatividade. Tudo ajuda porque o infinito abarca essas coisas todas e mais um pouco.

O mais bacana é entender que nunca conseguiremos compreender ou controlar a ideia do infinito, mas mesmo assim não devemos deixar de se empenhar nas pirações. Nem tudo precisa chegar a algum lugar e nem tudo precisa fazer sentido. Erguei as mãos e dai glória ao infinito!

Julia Oliveira
  • Coordenadora de Estilo
  • Ilustradora

Julia Oliveira, atende por Juia, tem 22 anos e se mete em muitas coisas, mas não faz nada direito — o que tudo bem, porque ela só faz por prazer mesmo. Foi uma criança muito bem-sucedida e espera o mesmo para sua vida adulta: lançou o hit “Quem sabe” e o conto “A ursa bailarina”, grande sucesso entre familiares. Seu lema é “quanto pior, melhor”, frase que até consideraria tatuar se não tivesse dermatite atópica. Brincadeira, ela nunca faria essa tatuagem. Instagram: @ursabailarina

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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