7 de outubro de 2015 | Tech & Games | Texto: | Ilustração: Isadora Maríllia
Internet para que te quero: webcoisas que valem a pena conhecer!

Como (talvez) diria o seu avô: “Mas essa tal de internet veio mesmo para ficar, não é?” Hoje, difícil mesmo é encontrar alguém que discorde dessa frase. Embora o tipo de alcance das mídias digitais seja diferente das de broadcast, como a TV e o rádio, é inegável que a produção de conteúdo de entretenimento e a maneira como a gente o consome está diferente do que era há 10, 20, 30 anos. Ouvimos música, mas para que comprar ou baixar o CD se o serviço de streaming gratuito é de qualidade? Ainda vemos programas feitos para a TV, mas se tiver no Netflix melhor ainda! Lemos livros, mas aquela fanfic de Harry Potter também é daora, vamos combinar.

Com a descentralização da produção e dos veículos de divulgação, você deixa de ser tão dependente da “legitimação” dos grandes canais. Tipo, se a série da HBO não faz jus à minha vontade de ver um elenco mais diverso em sexualidade e etnia, com certeza existe em algum lugar uma webcomic ou websérie que vai ser mais alinhada com os meus gostos. E, embora isso não tire o peso da responsabilidade dos produtores de conteúdo massificado, não deixa de ser um alívio não precisar ser refém deles.

Dito tudo isso, talvez você já tenha um ou outro conteúdo para internet favorito. A gente também! Atualmente, não é incomum achar quem (como eu) consuma mais coisas feitas diretamente para a internet (tipo podcasts, vídeos pro YouTube, jogos gratuitos para navegador, webséries e webcomics) do que para as “mídias tradicionais”.

Fiz então uma lista com conteúdos bacanas que você pode já conhecer ou não. Na lista principal, vamos focar só em webcomics e webséries que são em português ou estão pelo menos parcialmente traduzidas. No finzinho tem o Lado B das recomendações, a maioria das quais não ficaram na primeira lista por questões da barreira da língua. Ficam registradas, de todo modo.

Aproveita para dizer pra gente quais são os seus favoritos que não entraram na lista! Afinal, existe muita coisa boa por aí!

Webcomics

Webcomics são quadrinhos feitos para a internet, variando muito de estilos e gêneros. Alguns autores focam em tirinhas slice of life, enquanto outros produzem graphic novels de fantasia, por exemplo. Não é incomum que alguns comecem com trabalhos mega-amadores que vão se aperfeiçoando conforme os anos passam. Tem quem simplesmente publique histórias tradicionais na internet e existem aqueles que exploram as possibilidades únicas do meio digital. 

Bear

Imagem: Bear de . Divulgação.

Imagem: Bear de Bianca Pinheiro. Divulgação.

  • Sinopse: Uma menininha fofa procura pelos pais com a ajuda de um urso mal-humorado adorável. Produzido pela Bianca Pinheiro.
  • Coisa para amar:  A arte é linda, é um quadrinho nacional, a historinha é uma fofura e a Raven nem se fala, e TEM URSOS, GENTE. Dou meu caso por encerrado.
  • Onde achar: original (uma página nova toda terça-feira).

Go Get a Roomie

Imagem: Go Get a Roomie de Chlóe C. Divulgação.

  • Sinopse: As aventuras modernetes de uma hippie lésbica bem-humorada que é roomate de todos e de ninguém. Ligeiramente NSFW (não seguro para trabalho), porque a Roomie tem bastante desapego por roupas. Produzida por Chloe C.
  • Coisas para amar: Protagonismo feminino; relacionamentos LGBTQ para dar e vender; é adorável e hilário e sempre alto astral.  Há uma considerável representação de sexualidades normalmente ignoradas (inclusive da assexualidade) sempre com naturalidade e bom humor.
  • Onde achar: original, em português (original atualizado todas as segundas, quartas e sextas)

Gunnerkrigg Court

Imagem: Gunnerkrigg Court de Tom Sidell. Divulgação.

Imagem: Gunnerkrigg Court de Tom Sidell. Divulgação.

  • Sinopse: Antimony Carver entra em um colégio meio mágico, meio tecnológico e totalmente bizarro, e lida com centenas de situações improváveis envolvendo robôs, sombras e psicopompos. Se as mentes de J.K. Rowling e Neil Gaiman tivessem um filho juntas, provavelmente o resultado seria essa história. Criada por Tom Sidell.
  • Coisas para amar: Além de ser protagonizada por uma personagem magnética (Annie nunca para de surpreender <3) e possuir no seu elenco central outras mulheres incríveis, a história não é nada heteronormativa, o que fica mais claro conforme os personagens crescem. Os mistérios da tal “corte de Gunnerkrigg” vão sendo revelados aos poucos, sempre de maneira surpreendente e interessante. É superviciante!
  • Onde achar:  original, em português (original atualizado todas as segundas, quartas e sextas)

Webséries

São produtos audiovisuais voltados para a internet. Existem desde os primórdios da popularização da internet, mas o YouTube facilitou muito as coisas. Como basicamente qualquer um pode produzir conteúdo, não fique esperando produções gigantescas e milionárias. Em vez disso, elas costumam a ser curtinhas e simples, com episódios que não ultrapassam os cinco minutos, mas muito mais íntimas ou voltadas para públicos específicos interessados.

Carmilla

  • Sinopse: Quando sua colega de quarto entra para as estatísticas das desaparecidas da Universidade Silas, Laura Hollis coloca todas as suas energias para investigar o caso e registrá-lo através de um documentário para o YouTube. No entanto, a chegada de sua nova roomate, Carmilla Karnstein, parece mostrar que há mais eventos sobrenaturais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Adaptação do livro homônimo de Sheridan Le Fanu, que foi um dos precursores das histórias modernas de vampiros.
  • Coisas para amar: Ship pra tu, ship pra tua vaca, ship pra toda a tua família!
    (Ok, ok, outras coisas legais incluem: elenco e equipe técnica diversos e encabeçados por mulheres; personagens incríveis; relacionamentos lésbicos fofos e naturalizados; experiência transmídia bacana com o twitter; e vampiros, se você gosta deles.)
  • Onde achar: YouTube, com legenda em português (atualizado terças e quintas, a segunda temporada acabou de terminar e uma terceira já está a caminho!).

Strolling

  • Sinopse: Strolling é uma série de minidocumentários para a internet que retrata a juventude negra britânica através de entrevistas feitas no tempo de uma caminhada pela cidade. Produzido por Cecile Emeke, cineasta britânica de origem jamaicana.
  • Coisas para amar: O projeto, além de ser maravilhoso por si só, e colocar em foco pessoas que com frequência ficam à parte nas narrativas (falando sobre questões políticas, sociais e raciais), tem toda uma energia vibrante e fresca que não se resume a ser uma série de entrevistas. Strolling é documentário, arte e manifesto.
  • Onde achar: Youtube (assim como outros vídeos da artista!)

Vale a pena conferir também:

Féminin/Féminin – Websérie. Tipo The L Word, se fosse feito em 2014, com menos clichês e tentasse ser meio documentário. Tá, provavelmente não tem nada a ver com TLW. (Em francês/inglês).

Hey Ash Watcha Playin’? – Websérie. Humor surreal e nonsense que zomba dos clichês dos videogames. Ashly, desde 2009 minha heroína<3 (em inglês).

I Love Lucy & Bekka – Websérie. Conversas entre duas migas  (Kristolyn Lloyd e Gina Rodriguez) vivendo o começo de suas vidas adultas (em inglês).

The Amazing Adventures of Punny Parker – Webcomic. As desventuras amorosas de um Peter Parker criança. Apesar do nome gringo, é feito pelo brasileiro Vitor Cafaggi que disponibilizou todos os quadrinhos para download.

To be Continued – Webcomic. Mesmo num mundo em que super-heróis são a regra, todo mundo ainda precisa ter as suas responsabilidades mais mundanas. O mais incrível é o uso sagaz dos recursos interativos que só uma história em quadrinhos feita para a internet poderia ter (em inglês e italiano).

Welcome to Night Vale – Podcast de ficção. Na cidade americana fictícia de Night Vale, isolada no meio do deserto, coisas bizarras acontecem o tempo inteiro e o carismático narrador Cecil Baldwin descreve tudo para nós em seu programa de rádio. Transcrições para o português foram disponibilizadas por fãs.

 

Vanessa Raposo
  • Coordenadora de Tech & Games

Vanessa é carioca, mas aos 25 anos sente que o mundo é grande demais para se pertencer a só um lugar. Por isso, passa boa parte do tempo em paisagens imaginárias e planejando suas próximas viagens - que podem ou não acontecer (“As passagens pra Plutão ainda estão disponíveis, moço?”). Gosta de filmes da Disney e de musicais mais do que dizem ser aconselhável para sua idade. Quando não está pseudofilosofando sobre o papel dos videogames na cultura pop, pode ser encontrada debruçada sobre seu laptop, arrancando os cabelos por alguma história que cisma em não querer ser escrita. 

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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